Teste Jeep Commander Overland 2.2 diesel 2026: entre tantos híbridos, vale a pena?
Reestilizado, SUV amadurece com o tempo e ganha respeito com novo motor
O mercado brasileiro foi inundado por SUVs médios híbridos chineses nos últimos anos. Este foi um dos motivos pelos quais a Jeep fez uma leve reestilização no Commander, seu SUV grande de sete lugares, que aposta em um clássico elemento para se diferenciar entre tantos modelos nesta faixa: o motor diesel.
O Jeep Commander Overland 2.2 2026 é o único da linha com motor 2.2 turbodiesel. No mercado, concorre diretamente com SUVs maiores, em arquitetura chassi-cabine, e alguns modelos premium bem mais caros. Na onda dos 1.000 km de autonomia que os chineses tanto gritam por aí, o que você acha de um SUV que chega perto dessa marca sem precisar ser recarregado na tomada?
Muda aqui, muda ali...
Eu sei que esse teste parece um déjà vu, e não vou tirar sua razão. Afinal, a Jeep apresentou o Commander com motor 2.2 turbodiesel em fevereiro; em maio, publicamos o primeiro teste com este conjunto; e, em agosto, a marca lançou esta reestilização. A Stellantis fez isso com alguns modelos de suas marcas em 2025 que, para quem comprou, soa quase como uma falta de respeito. Mas vamos ao carro.
Pelo menos as mudanças visuais são discretas. Na dianteira, o Commander 2026 recebeu novos faróis, mais afilados e com as luzes diurnas e setas integradas. A grade com as clássicas sete fendas foi levemente redesenhada, e o para-choque se destaca pelas aberturas laterais maiores e com novos faróis de neblina. É um conjunto mais limpo, enquanto a traseira recebeu uma ligação em LEDs entre as lanternas, que foram levemente modificadas em seu layout interno.
Por dentro, a mesma temática: algumas trocas de materiais, mas o principal é que, em versões com o câmbio automático de 9 marchas da ZF, o seletor é rotativo, uma bonita peça de alumínio. No mais, as mesma telas para o painel de instrumentos (10,25") e sistema multimídia (10,1"), este integrado a Alexa e conectividade com aplicativo externo.
Ou seja, se seu medo é de ter comprado um Commander 2.2 turbodiesel antes da mudança e perder muito comparado a este, se acalme! Foi um erro da Jeep fazer essa reestilização tão rápido, mas ao menos o carro da sua garagem não se diferencia tanto - a questão será na hora da revenda, onde os compradores tendem a procurar o carro atualizado. Poxa, Stellantis...
Projeto maduro
De 2021, o Jeep Commander já é um produto maduro no mercado brasileiro. Considerando como o público escolhe carro por aqui, é importante confiar no pacote completo, marca e modelo, principalmente na hora da manutenção e revenda. No caso do Commander 2026, mantém qualidades que o fazem vender bem, mesmo com novos concorrentes.
Junto do bom acabamento, o Commander nasceu como opção mais espaçosa ao Compass. Na segunda fileira, tem um bom espaço para as pernas e ombros para os três ocupantes, apesar do central sofrer um pouco em uma posição menos confortável. Lado bom é que dá para regular o encosto para ficar mais ou menos deitado, algo que ajuda em viagens longas, e há ajuste individual de intensidade do ar-condicionado para o banco traseiro, além das portas USB e USB-C para recarga de smartphones.
Na terceira fileira, o espaço é bem reduzido. Além da posição ruim para os ocupantes, as pernas ficam bem apertadas e recomendável para crianças ou pessoas que não tenham alguma dificuldade de locomoção, já que até entrar e sair é bem complicado, algo bem comum entre esses carros de sete lugares. Aqui, é para atender alguma demanda momentânea, por exemplo. Se precisar de mais espaço e conforto, há opções como o GWM Wey 07 ou uma Kia Carnival, mas já acima do preço do Commander Overland.
O grande trunfo do Commander é seu porta-malas. Com os dois lugares extras rebatidos no assoalho, são 661 litros, mas fica a observação para a ausência de uma cobertura. Com sete lugares, 233 litros estão ali para viagens rápidas ou pequenas mochilas, por exemplo. A abertura é elétrica, como quase regra nesta faixa de preço. Como o espaço no banco traseiro, é um dos pontos mais interessantes comparado, por exemplo, ao Compass.
Estradeiro com fôlego
O maior acerto da Stellantis foi a escolha deste 2.2 turbodiesel para substituir os antigos diesel 2.0 e 2.2 que ela usava inclusive na Fiat Titano. Moderno, tem 200 cv e 45,9 kgfm que, em modelos como o Commander, quase sobram. Se antes dele o melhor motor para o SUV grande era o 2.0 turbo a gasolina, com seus 272 cv, o jogo mudou.
Eu mesmo coloquei o 2.0 turbo Hurricane4 como o melhor motor para o Commander em dezembro de 2024, afinal era o que tinha força para levar o peso do SUV e o que ele precisasse levar de passageiros e bagagens sem reclamar, mas seu consumo não era exemplar: 7 km/litro na cidade e 13,4 km/litro na estrada, sempre com gasolina, em nosso teste. Ficou pesado no bolso.
Com o 2.2 turbodiesel, o jogo mudou. Não acelera em de 0 a 100 km/h em 7,3 segundos como o Blackhawk, mas não faz feio com seu 9,7 segundos e retomadas na faixa dos 7 segundos. No uso, entrega força em baixas rotações e, com o câmbio de 9 marchas recalibrado e alongado, trabalha suave e quieto, com baixo ruído e vibração, mesmo sendo um turbodiesel.
Na cidade, junta a boa suspensão do Commander, já conhecida pelo conforto e estabilidade, com as boas resposta do motor e câmbio. Nisso, 10,4 km/litro foram registrados no nosso teste, bom número para essa potência e suas quase 2 toneladas, justamente pela folga que o 2.2 turbodiesel dá ao Commander principalmente em torque em rotações baixas. Isso faz toda a diferença, com baixo lag de acelerador e turbo.
Mas é na estrada que ele brilha. Não passa vergonha nas saídas de pedágio, ultrapassa com segurança e ganha (e mantém) boas velocidades sem reclamar, ainda com consumo de 15,5 km/litro que, no tanque de 61 litros, dá uma autonomia acima dos 900 km. Confortável e estável, o Commander mostra que ainda tem uma boa base, apesar de uma certa idade, e se diferencia justamente aqui dos concorrentes chineses, que ainda estão aprendendo como lidar com o asfalto e o motorista brasileiros.
E vale a pena?
Bom, esta é uma pergunta importante e dependendo ponto de vista. O Commander Overland 2.2 turbodiesel 2026 custa R$ 313.190, pouco menos que os R$ 329 mil do GWM Haval H9, outro SUV turbodiesel, sem falar nos valores de Toyota SW4 e Mitsubishi Pajero Sport, por exemplo. Aqui, ele vale a pena, principalmente por um pacote completo de equipamentos.
E na briga com os chineses híbridos? Sim, ele é mais caro, mas o Commander tem versões específicas para esta briga, deixando o Overland diesel para este público que está procurando esta autonomia sem eletrificação. É uma boa opção e não é raro o ver pelas ruas de bairros de classe média-alta dos grandes centros, principalmente blindado, onde a força extra é quase obrigatória. Mas quando a Jeep conseguir ter o Commander eletrificado, o jogo vai ficar mais interessante.
Fotos: Mario Villaescusa (para o Motor1.com)
Jeep Commander 2.2TD
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