Teste Renault Kardian Techno 2026: uma boa versão intermediária?
Vale a pena economizar R$ 10 mil comparado com a versão topo?
Em diversos casos, as versões intermediárias são interessantes ao equilibrar o preço com a lista de equipamentos, não tão completo quanto um topo de linha, mas ainda oferecendo o essencial para o comprador. No caso do Renault Kardian Techno, são mais de R$ 10 mil economizados por um SUV ainda interessante.
O Renault Kardian Techno custa R$ 139.290, contra R$ 149.990 da versão Iconic. Pode parecer pouco, mas já é desde um valor que resolve burocracias como IPVA e documentação, passando pelo seguro e, em vários casos, uma parcela mais amigável por mês. Isso em um pacote bem equilibrado para ser a escolha ideal ao abrir mão de alguns mimos em troca de um preço mais competitivo.
O que muda por fora?
O Kardian Techno é aquela versão que não podemos chamar de meramente "intermediária". Ele é quase um topo de linha com ausências pontuais. Olhos distraídos mal perceberiam as diferenças externas, que são sutis. Perde os faróis de neblina, o aplique prateado na parte inferior dos para-choques e o emblema da versão no para-lama. O rack de teto é totalmente preto, mais discreto. No restante, tudo igual: faróis em LED e as belas rodas de liga leve de 17” com acabamento diamantado.
Um fator decisivo pode ser a cor do teto. Na versão Techno, o teto acompanha a cor da carroceria (o acabamento bitom é opcional por R$ 1.700, sempre no prata Étoile). Já na Iconic, o teto em duas cores é de série. Esse é um divisor de águas: se você prefere um carro de cor única, a Techno é a sua única opção.
Conjunto mecânico surpreendente
O Renault Kardian usa sempre o mesmo motor, o 1.0 turbo de três cilindros com injeção direta, que entrega 120/125 cv e 22,4 kgfm quando com etanol, o maior torque da categoria, ou 20,4 kgfm com gasolina. Aqui, o câmbio é o automatizado de dupla embreagem (EDC) de 6 marchas, banhado a óleo, que surpreendeu pela agilidade.
Diferente de um CVT, você sente as trocas, mas elas ocorrem sem trancos. O conjunto é bem casado, tornando o Kardian valente e divertido de guiar. Com os vidros fechados e o rádio desligado, é possível ouvir sutilmente o turbo trabalhando, um detalhe que agrada quem gosta de dirigir.
Em nossos testes, foi competente com 0 a 100 km/h em 10,4 segundos, abastecido com etanol. Em consumo, os 8,5 km/litro na cidade e 11 km/litro na estrada, com etanol, não brilham mas também não diferem muito do que encontramos em sua categoria, mesmo em exemplares eletrificados.
A suspensão é um ponto alto. É firme sem ser desconfortável. O carro inclina pouco em curvas, mantendo uma dinâmica excelente apesar da altura. Mesmo com as rodas de 17” e pneus 205/55, o conjunto filtra bem as imperfeições e não apresenta aquele "batido seco" quando a suspensão descomprime.
O interior segue o padrão moderno da marca. O acabamento mistura plásticos rígidos bem montados com texturas agradáveis e detalhes em laranja. O Black Piano e as costuras no painel conferem um ar de sofisticação. A ergonomia é boa, com controles fáceis de operar, embora os tradicionais comandos satélite do rádio na coluna de direção exijam certa costume para quem nunca teve um Renault.
O ar-condicionado é digital e o freio de estacionamento é eletrônico, este último um diferencial na comparação com VW Tera e Fiat Pulse. No console, há duas entradas USB-C e uma tomada 12V. Destaque para o conforto: os apoios de braço (portas e central) são macios e os bancos são extremamente confortáveis e bonitos, o que faz diferença em viagens longas.
O espaço interno é satisfatório. Mesmo com meus 1,90 m, não tive dificuldade para achar a posição de dirigir e ainda sobrou espaço para quem viaja atrás. A multimídia de 10,1” e o painel digital de 7” são eficientes e discretos. O sistema de som também merece nota, com graves presentes e boa definição. O porta-malas de 358 litros é generoso para a categoria.
O acesso é keyless via chave-cartão. Um detalhe prático: ao se aproximar ou se afastar, o carro destranca ou tranca sozinho, sem necessidade de tocar na maçaneta. Na estrada, o motor 1.0 turbo garante agilidade. O torque máximo disponível cedo (2.250 rpm) exige menos pressão no acelerador em saídas de semáforo e retomadas. As borboletas atrás do volante ajudam em ultrapassagens e descidas de serra, sem a lentidão comum em outros sistemas.
Veredicto
O Renault Kardian Techno é mais do que uma versão intermediária; a bordo, quase não se sente falta de nada. O pacote de segurança ADAS está presente com controle de cruzeiro adaptativo (ACC), alerta de colisão e frenagem de emergência.
Ficam de fora apenas o sensor de ponto cego, sensor crepuscular, câmera multiview, sensores frontais e farol alto inteligente (exclusivos da Iconic). Se você não faz questão desses itens de comodidade extra, a Techno é a opção mais racional e interessante para quem busca um SUV completo na faixa dos R$ 140 mil.
Renault Kardian 1.0T DCT6
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