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Teste Renault Boreal Iconic: criado com as novas referências

Nascido no Brasil, sabe onde está pisando na briga contra chineses e nomes mais tradicionais

Renault Boreal Iconic 2026 (Motor1)
Foto de: Mario Villaescusa / Motor1.com

A chegada dos SUVs médios chineses bagunçou o mercado desse segmento. Melhor acabamento, mais tecnologia, porte e conjuntos eletrificados foram apresentados aos consumidores que, no mesmo pacote, receberam preços competitivos. As marcas tradicionais precisaram se mexer e pensar bem em seus novos projetos. Eis o Renault Boreal!

Segundo modelo da nova fase da Renault no Brasil, o Boreal é justamente a resposta de uma tradicional aos chineses. Tem porte, bom acabamento, muita tecnologia e preços que realmente surpreenderam, como este de R$ 214.990 na versão topo, Iconic. Faltou a eletrificação, mas o 1.3 turbo não faz feio e justamente por isso que a Renault teve que pensar bem na hora de colocar o preço. 

Do Kardian nascerás...

A nível global, a Renault está desenvolvendo modelos e soluções para mercados fora da Europa, como o nosso. Por exemplo, um carro do porte do Boreal seria, no Velho Continente, feito na plataforma CMF-C/D, como o Renault Austral, de quem podemos ver algumas referências no Boreal. Vou deixar uma imagem dele abaixo para vocês.

Renault Austral (2025)

Renault Austral 2025

Renault Austral (2025)

Renault Austral 2025

Renault Austral (2025)

Renault Austral 2025

Fotos de: Renault
Fotos de: Renault

Para mercados emergentes, a engenharia pegou a CMF-B LS, fez algumas mudanças e apresentou a RGMP, que já está no Kardian, veio ao Boreal e, em 2026, sustentará a picape que, ao que tudo consta, chamará Niagara. Curiosamente, a LS está no Dacia Bigster, de quem falaremos um pouco mais adiante. 

Uma conversa com a engenharia da Renault e deu para entender como esta plataforma modular funciona. Estruturalmente, Boreal e Kardian são os mesmos até a coluna B. A partir daí, o SUV médio recebe maior espaço no banco traseiro e no balanço, que cresce seu porta-malas e criou o esqueleto para ser coberta com a carroceria. 

Renault Boreal Iconic 2026 (Motor1)
Foto de: Mario Villaescusa / Motor1.com

Carroceria que recebeu um belo show do design. Apesar do nascimento pensando em mercados emergentes, o Boreal trouxe elementos de design dos Renault europeus, como o próprio Austral aí de cima, além de dar o já conhecido size impression, ou aquele carro que pelas fotos parece ser maior do que realmente é, apesar das dimensões generosas do Boreal comparado aos demais SUVs médios da mesma faixa de preço.

Com 4.556 mm de comprimento, o Boreal é maior que o Jeep Compass (4.404 mm), Toyota Corolla Cross (4.460 mm) e VW Taos (4.461 mm), mas menor que Jeep Commander (4.764 mm), GWM Haval H6 (4.685 mm) e BYD Song Plus (4.775 mm), mostrando bem seu posicionamento no mercado. Seu entre-eixos de 2.702 mm repete essa lógica. Veja a tabela abaixo com a comparação.

  Boreal Compass Corolla Cross Taos Song Plus Haval H6 Commander
COMPRIMENTO 4.556 mm 4.404 mm 4.460 mm 4.461 mm 4.775 mm 4.683 mm 4.764 mm
ENTRE-EIXOS 2.702 mm 2.636 mm 2.640 mm 2.680 mm 2.765 mm 2.738 mm 2.794 mm
LARGURA 1.841 mm 1.819 mm 1.825 mm 1.841 mm 1.890 mm 1.886 mm 1.859 mm
ALTURA 1.650 mm 1.628 mm 1.620 mm 1.626 mm 1.670 mm 1.730 mm 1.682 mm
PORTA-MALAS 522 litros 476 litros 440 litros 498 litros 552 litros 560 litros 661 litros

Ou seja, o Boreal veio no meio dos dois tipos de SUVs médios e ainda não chega no Commander, por exemplo, que já entra em uma briga com grandes de sete lugares - lembrando que a Renault ainda tem o Duster entre Kardian e Boreal, mesmo que já desatualizado e procurando um sucessor para esta faixa, que pode acontecer em um futuro próximo. 

Renault Boreal Iconic 2026 (Motor1)
Foto de: Mario Villaescusa / Motor1.com

...do Bigster herdarás...

A Renault reforça que o Boreal não é um Dacia Bigster, mas vemos muitos elementos do SUV europeu no nosso. Há uma inspiração no desenho do capô, na maçaneta integrada na coluna C, além da medida de entre-eixos praticamente a mesma. O Bigster também emprestou elementos do interior, como o console central, seletor de marchas, seletor do ar-condicionado, volante, botões de vidros elétricos e chave de seta, por exemplo. Economia de escala global, amigos.

O Boreal trouxe um refinamento no acabamento que o destaca no mercado nacional. Materiais suaves ao toque em diversas áreas, couro azul nesta versão, LEDs internos com cores selecionáveis, além de uma boa montagem conversando com o design bem resolvido. Mas dá para perceber um pouco de Kardian no espaço dianteiro, posição baixa da coluna de direção e um painel curto em relação ao parabrisa, principalmente se você já olhou um dos médios da linha de cima.  

Renault Boreal Iconic 2026 (Motor1)
Foto de: Mario Villaescusa / Motor1.com

O espaço interno é bom no banco traseiro, sem esquecer as saídas de ar-condicionado, mas o porta-malas é o ponto onde os compradores mais podem ficar convencidos: são 522 litros bem aproveitáveis, apesar de uma cobertura bem simples ao comparar com o resto do carro - nesta versão, há a abertura elétrica da tampa, item importante nesta faixa de valor e segmento. 

Outro ponto importante na briga até com os chineses, além do bom acabamento, é o pacote tecnológico. O Boreal tem o painel de instrumentos de 10" com um visual customizável, boa resolução e exibição de navegação, mesmo do Apple CarPlay e Android Auto com Google Maps e Waze, e o sistema OpenR de 10" com Google embarcado, com loja de apps e funcionamento independente do espelhamento do telefone. Funciona bem, rápido e com uma interface fácil de entender e localizar o que precisa e, ainda bem sem abrir mão de comandos físicos para o ar-condicionado. O sistema de som da Harman Kardon dá o tom de tudo.

Renault Boreal Iconic 2026 (Motor1)
Foto de: Mario Villaescusa / Motor1.com

O pacote ADAS completo foi bem calibrado. Com piloto automático adaptativo e centralizador de faixas, entende as faixas e não assusta nas reações, seja aceleração ou frenagem. Há câmeras 360 e o alerta de ponto-cego, citando apenas os principais e mais presentes sistemas do Boreal Iconic.

...desenvolvido no Brasil serás...

Ainda não foi com o Boreal e neste momento que a Renault entrou na era dos híbridos nacionais, algo que deve rolar apenas em 2027 em parceria com a Geely. Na prateleira, pegou o 1.3 turbo com 156/163 cv e 27,5 kgfm para levar seus 1.438 kg, e fez a escolha mais uma vez pelo câmbio automatizado de dupla embreagem (embreagem em óleo), uma aposta que desafia a opinião da internet, mas é mais eficiente. 

Renault Boreal Iconic 2026 (Motor1)
Foto de: Mario Villaescusa / Motor1.com

Olhando os números e porte do Boreal, até cria uma certa dúvida sobre como ele vai andar. Um seletor de modos de condução (eco, comfort, sport, configurável e smart, que varia automaticamente conforme alguns aspectos, como solicitações do acelerador, velocidade e até mesmo como o motorista faz curvas) calibra as respostas da dupla, mas até mesmo no eco ele responde bem, mas com um lag maior no acelerador amansado. 

No normal ou smart, o DCT trabalha suave e responde bem, tirando um pouco essa impressão de potência vs. peso. O torque é mais importante que a potência neste momento e não faz feio, apesar de modelos eletrificados terem a vantagem das respostas imediatas, é mais acordado que um Compass 1.3 turbo, por exemplo. 

Renault Boreal Iconic 2026 (Motor1)
Foto de: Mario Villaescusa / Motor1.com

O consumo do Boreal é bom. Em nosso teste, marcou 9,8 km/litro na cidade e 13,9 km/litro na estrada, com gasolina, que por um lado não o desabona diante da concorrência a combustão, mas fica longe dos eletrificados, algo que está em destaque e não pode ser ignorado na hora de pescar um comprador que está há tanto tempo longe da Renault. 

Duas boas surpresas do Boreal: 0 a 100 km/h em 9,9 segundos (com gasolina) e retomadas entre 6 e 7 segundos. Mais uma vez, pelo seu tamanho, é quase um milagre o que aconteceu com um motor de 156 cv, com muito crédito ao câmbio de trocas rápidas. Quando a Renault divulgou números próximos disso para seu SUV, a dúvida rolou, mas confirmou na hora do vamos ver real. Mas vale a observação que, na estrada e carregado, pode sofrer um pouco mais do que estes números, como Compass e Corolla Cross e seu 2.0 aspirado. 

Renault Boreal Iconic 2026 (Motor1)
Foto de: Mario Villaescusa / Motor1.com

Outra boa surpresa é sua dinâmica. No uso, o Boreal trabalha silencioso, tanto pelo isolamento acústico quanto pela suspensão bem calibrada, com uma grande atenção na absorção de impactos sem barulhos ou aquela sensação que algo vai desmontar logo. Curiosamente, a versão Iconic tem pneus 205/55 nas rodas de 19", enquanto as demais vestem 225/55 nas rodas de 18" que, segundo a engenharia, foi feito para compensar o peso e arrasto das rodas maiores. 

A direção é precisa, deixando aos chineses a sensação de vazio e simulador. Se a Renault quer mesmo um comprador mais exigente, teve que trabalhar justamente para passar a sensação de refinamento ao dirigir, que existe - apesar de um barulho de vento na coluna A em velocidades mais altas que incomodou em diversas unidades que dirigi desde seu lançamento. 

Renault Boreal Iconic 2026 (Motor1)
Foto de: Mario Villaescusa / Motor1.com

Apesar de um eixo de torção na traseira, o equilíbrio entre dirigibilidade e conforto é um ponto que vale a pena provar antes de comprar o Boreal. Tem a robustez que conhecemos dos tempos de Duster, mas um refinamento que faz tempo que a marca não entrega também volta, apesar de ainda perceber, mais uma vez, um pouco sobre ser uma base mais simples que de um carro europeu de fato. 

...um cliente com dinheiro trarás para casa

A principal missão do Boreal é resgatar um cliente que faz tempo que está longe da Renault. O Kardian já fez uma parte do serviço, mas é hora de trazer o comprador com mais dinheiro e mais exigente para as concessionárias. A Renault sabe que seu produto é bom, mas trabalhou a precificação para impactar e criar um problema até para os SUVs compactos. Sim, isso inclui o Duster...

Renault Boreal Iconic 2026 (Motor1)
Foto de: Mario Villaescusa / Motor1.com

As duas versões abaixo da Iconic, Evolution (R$ 179.990) e Techno (R$ 199.990), impactam até mesmo modelos como T-Cross, Creta e Kicks, já que tem preço próximo, mas com motor 1.3 turbo, maior e já bem equipado. Não é híbrido como os chineses, mas um BYD Song Pro (R$ 198.990 e R$ 199.990) é o máximo que vai criar uma dúvida nesta turma, sem falar em Jeep Compass e Toyota Corolla Cross também são menores (e até menos equipados) em versões nestes preços. 

O Boreal Iconic de R$ 214.990 impacta bastante. Tem sistema de som Harman Kardon, banco do motorista elétrico, pacote ADAS completo e bem calibrado, teto-solar panorâmico e muito mais para deixar a dúvida no comprador e o desafiar a reclamar que não é híbrido. Mais uma vez, não oferece a eletrificação, mas entendeu seu preço e valor para mexer neste segmento com tantos lançamentos.

Renault Boreal Iconic 2026 (Motor1)
Foto de: Mario Villaescusa / Motor1.com

O que você pensa sobre isso?

Foi criado no novo cenário brasileiro e a Renault soube se posicionar. Com o Boreal, jogou todas as cartas na mesa para mostrar sua nova fase, que ainda será completa em 2026 com o Koleos, um híbrido importado, e a picape que pode se chamar Niagara e trazer muito desse Boreal. Sim, está na hora de esquecer a Renault de Sandero e Logan de vez e voltar aos tempos de Mégane e companhia.

Fotos: Mario Villaescusa (para o Motor1.com)

Renault Boreal 1.3T

Motor dianteiro, transversal, 4 cilindros, 16 válvulas, 1.333 cm3, comando duplo variável, injeção direta, turbo, flex
Potência e torque 156 cv a 5.000 rpm/163 cv a 5.250 rpm; 27,5 kgfm a 1.750 rpm (E)/2.000 rpm (G)
Transmissão câmbio automatizado de dupla embreagem e 6 marchas; tração dianteira
Suspensão McPherson na dianteira e eixo de torção na traseira, rodas de liga-leve aro 19" com pneus 205/55
Comprimento e entre-eixos 4.556 mm; 2.702 mm
Largura 1.841 mm
Altura 1.646 mm
Peso 1.438 kg em ordem de marcha
Capacidades tanque: 50 litros; porta-malas: 522 litros
Preço como testado R$ 214.990 (Iconic)
Aceleração 0 a 60 km/h: 4,8 s; 0 a 80 km/h: 7,0 s; 0 a 100 km/h: 9,9 s
Retomada 40 a 100 km/h (em D): 6,9 s; 80 a 120 km/h (em D): 6,4 s
Consumo de combustível cidade: 9,8 km/litro; estrada: 13,9 km/litro (gasolina)
Envie seu flagra! flagra@motor1.com