Teste Nissan Kicks Platinum 2026: o que você quer em um carro de R$ 200 mil?
Versão topo do SUV vem recheado de equipamentos, mas é o 1.0 turbo mais caro do segmento
Com R$ 200 mil, há muitas opções de compra no mercado brasileiro. Picape, sedã, SUV, híbrido, mais esportivo, mais espaçoso, mais equipado...a variedade é imensa. O Nissan Kicks Platinum 2026 entra nessa turma como um SUV espaçoso e muito bem equipado, mas com motor 1.0 turbo diante de um segmento que deixa esse motor menor para versões mais baratas.
Isso o apaga ou o restante do pacote compensa? Afinal, R$ 200 mil não é pouco dinheiro e, como já dito, a variedade é imensa para quem está com essa grana disponível para colocar um carro novo na garagem. Respondemos isso ao final do texto, mas já vale a reflexão: o que vale mais para você na hora de escolher seu carro?
Efeito novidade
Há algum tempo que não vejo um carro que chama tanta atenção nas ruas como este novo Kicks. Andando ou parado, as pessoas olham e comentam como ele mudou por completo nesta nova geração. De fato, nem parece aquele SUV, hoje chamado Kicks Play, que fez a mesma coisa quando chegou por aqui em 2016.
Por cima, a Nissan poderia até ter colocado outro nome. Com uma nova identidade marcada por uma silhueta mais quadrada e robusta, destaque para os faróis finos, que acompanham as luzes diurnas abaixo, e para as rodas de 19" nesta versão, que enchem as caixas. Entre as montadoras japonesas, a Nissan é a que mais está ousando no visual sem criar pequenos monstros, com direito a easter eggs espalhados - apesar do questionável adesivo que identifica o motor turbo na tampa traseira, um adesivo bem simples e que destoa do pacote.
Por baixo, uma nova plataforma, a CMF-B HS, versão mais refinada da base para compactos da Nissan. Um ponto interessante é que, dos 4.340 mm de comprimento, o entre-eixos de 2.655 mm é o maior da categoria dos compactos e fica na faixa dos médios, como Jeep Compass e Toyota Corolla Cross.
Ou seja, tem um bom espaço interno, com os famosos bancos Zero Gravity da Nissan, e um porta-malas de até 470 litros, que pode ser dividido com um piso mais alto se não for usar todo o espaço. No banco traseiro, vai bem com dois adultos, apesar de não ter o maior espaço para pernas do segmento, ao tempo em que priorizou o porta-malas, mas ainda está dentro da média - fica devendo as saídas de ar-condicionado para os passageiros de trás, um vacilo para um carro tão novo.
Pelos R$ 200 mil, tecnologias
Esta mesma base é a que permite um pacote tecnológico bem completo. Por dentro, a versão Platinum ostenta a arquitetura de duas telas, que tanto está na moda, integradas em uma só peça. Cada uma tem 12,3" e boa resolução, com a interface do sistema multimídia intuitiva, espelhamentos sem fios e a opção de perfis individuais.
O novo Kicks impacta o comprador primeiro pelo conjunto visual. Por fora, já falamos sobre como mudou por completo, mas é por dentro que até parece estar em um segmento acima. Nas portas, acabamento bem cuidado, com direito a material suave ao toque na parte de cima e boa escolha de cores e texturas. O mesmo vai para o painel, acompanhando a temática, inclusive no tecido sintético que lembra um jeans claro. Pena que as portas traseiras são mais simples, algo comum no segmento.
Nesta versão, o Kicks quer se diferenciar com teto-solar panorâmico, sistema de som Bose com falantes nos encostos de cabeça dianteiros e o pacote completo de ADAS, com piloto automático adaptativo, assistente de faixas, alerta de colisão com frenagem automática e alerta de ponto-cego como destaques, além de câmeras 360 e chave presencial com partida remota. É um dos mais caros, mas também um dos mais completos SUVs compactos. Até aqui, já te convenceu?
Expectativa e realidade
A polêmica do novo Kicks, principalmente nesta versão topo, é o motor 1.0 turbo. Não por ele em si, já que é um moderno 3-cilindros com injeção direta, que tem 120/125 cv e 20,4/22,4 kgfm e está dentro do que o segmento tem em versões de entrada e intermediárias, mas sim por ser a única opção na faixa de preço onde os demais já estão com motores maiores e mais potentes, além dos híbridos chineses.
Fora a questão de preço/mercado, o SUV tem um bom conjunto. Casado ao 1.0 turbo, um câmbio automatizado de dupla embreagem banhada a óleo, outro ponto de polêmica, de seis marchas que trabalham bem juntos. O torque em baixas rotações é aproveitado pelo DCT - apesar de, em alguns momentos, uma insistência em não reduzir marchas mesmo quando abaixo das 1.500 rpm, onde não há muita entrega - e as trocas são suaves. Com o seletor por botões, é algo diferente que logo acostuma no dia a dia, apesar de menos prático que um seletor tradicional, por alavanca.
O Kicks Platinum não é leve, com seus 1.366 kg, mas vai bem no dia a dia. Acorda cedo, não tem grande delay no acelerador e gosta de trabalhar em baixas. Com o seletor de modos de condução no eco, marcou 10,7 km/litro na cidade, o que era esperado ser melhor pelo conjunto, e 15,9 km/litro na estrada, ambos na gasolina, números que não são brilhantes, mas não assustadores.
Outro ponto bom é a suspensão. A direção é bem leve para manobras e ganha peso em velocidades mais altas, e faz par com a boa suspensão, que carrega conforto e estabilidade, apesar das rodas de 19" com pneus 225/45 fazer sofrer um pouco e bater seco em buracos mais fundos. É um ajuste bem japonês, misturando dirigibilidade com conforto, apesar de mais voltado ao conforto além da boa adaptação ao nosso mercado.
Mas não tem como dizer que a escolha do 1.0 turbo é completamente justa. Em nossos testes, com gasolina, chegou aos 100 km/h em 12,8 segundos, ou mais lento até que o Kicks Play 1.6 (11,1 segundos), assim como as retomadas em altos 9 segundos, números que podem piorar na estrada e, principalmente, se o carro estiver carregado. Se no dia a dia o torque brilha e nem faz sentir falta de um motor maior, não tem como negar que fará falta mais força em algumas situações até comuns.
Os erros e acertos do Kicks Platinum
Esta nova geração do Kicks evoluiu muito e o trouxe para um novo patamar de vida. Bem acabado, com amplo porta-malas e espaço interno, ainda joga com as preferências de uma boa parte do público com seus equipamentos que vemos em segmentos superiores. Cobra bastante por isso nesta versão, mas presenciei muita gente encantada com o que esse carro oferece durante o período de testes, principalmente quem não liga para esta questão do 1.0. Se pra você é isso o que importa e está em busca de um carro nesta faixa de preço, vai muito bem.
Mas inegável que o 1.0 turbo é barreira para quem precisa, por exemplo, viajar mais e, principalmente, carregado. Além da questão potência/preço, onde sai em desvantagem no segmento, não tem muito fôlego para o porte do novo Kicks - na Renault, este motor está no Kardian, um carro menor, enquanto o Boreal, maior, está de 1.3 turbo, que foi esperado neste Kicks e não veio.
Ou seja, parado e andando na boa, impressiona muito. Mas a Nissan teria mais sucesso se, ao menos aqui, oferecesse o 1.3 turbo, por exemplo, pensando não só no pé pesado de alguns compradores, mas no que o mercado tem olhando direto para o novo Kicks. É muito bom, por isso merecia mais.
Fotos: Mario Villaescusa (para o Motor1.com)
Nissan Kicks Platinum 1.0T
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