Os modelos que devem ser cortados pelo Grupo Volkswagen até 2030
Um dos objetivos do Plano de Futuro da companhia é reduzir a gama em até 50%
O Grupo Volkswagen decidiu passar a tesoura sem piedade. Segundo o Zukunftsplan (Plano de Futuro) para 2030, apresentado ontem (9/7) ao conselho de supervisão, em Wolfsburg, a companhia pretende reduzir a complexidade e a variedade de modelos e versões de seu portfólio. Também quer adaptar produtos, tecnologias e desenvolvimento às necessidades de cada região, ajustar a capacidade da rede de produção às expectativas de demanda e enxugar suas estruturas e seu portfólio de participações.
O fechamento de fábricas na Alemanha e a redução de postos de trabalho não estão descartados. No entanto, ainda não há detalhes concretos a esse respeito. Uma coisa, porém, é certa: a gama de modelos será gradualmente reduzida em até 50%, com foco nos segmentos mais atraentes do mercado.
Na corda bamba? A fábrica de veículos da VW em Zwickau
Ao mesmo tempo, o Grupo VW baixará sua capacidade anual de produção para apenas nove milhões de veículos. É uma diferença enorme em relação aos tempos anteriores à pandemia, quando a empresa ainda investia pesadamente para ampliar sua capacidade para cerca de 12 milhões de automóveis. Desde então, a Volkswagen já reduziu a produção em dois milhões de unidades e agora pretende cortar mais um milhão.
A complexidade da oferta, como o número de opções de equipamentos disponíveis, será reduzida em até 75%. Com isso, investimentos e recursos de desenvolvimento serão concentrados nos produtos e tecnologias que oferecem maior valor agregado aos clientes e maior retorno para o grupo.
Essa tarefa caberá principalmente à área comercial, responsável por avaliar quais opções de equipamentos têm pouca procura. O mesmo vale para linhas inteiras de modelos. Ainda assim, vamos analisar quais carros poderiam desaparecer do mercado europeu. Vale ressaltar: poderiam, pois, neste momento, tudo não passa de especulação. Comecemos em ordem alfabética.
Audi
Na Audi, a gama também está encolhendo. Depois do fim do TT, R8 e Q8 e-tron nos últimos anos, a marca de Ingolstadt despediu-se recentemente também do compacto A1 e do SUV urbano Q2. Em contrapartida, um A2 e-tron — baseado no VW ID.3 Neo — passará a integrar a linha.
Também chegarão um novo Q7 e, pela primeira vez, um Q9. De modo geral, os SUVs da Audi apresentam bons resultados comerciais, mas as versões Sportback do Q3 e Q5 podem acabar sacrificadas pelos cortes de custos. Um sucessor para o Audi A8 também parece agora incerto. É possível que o Q9 assuma esse papel.
O superesportivo Nuvolari pode ser desconsiderado nessa conta, pois suas 499 unidades provavelmente já encontraram compradores há muito tempo. E, falando em esportivos, o renascimento do TT continua incerto. Talvez a Audi recorra à plataforma do Porsche 718 elétrico para aproveitar economias de escala.
Bentley Torcal (2026) – Teaser
Bentley
“Estamos no sétimo ano consecutivo de lucratividade”, afirmou o CEO da Bentley, Frank-Steffen Walliser, durante a apresentação dos resultados financeiros de 2025.
Atualmente, a marca britânica prepara o lançamento do Torcal, um SUV elétrico. A fabricante de luxo registrou faturamento de 2,6 bilhões de euros em 2025. As entregas caíram 5%, enquanto a receita recuou apenas 1%. A razão é a maior demanda por versões com margens mais elevadas e carros personalizados pela tradicional encarroçadora Mulliner.
O Bentayga continua sendo o modelo mais vendido, impulsionado pela chegada do Bentayga Speed ao mercado.
Cupra Raval VZ (2026) em teste
Cupra
A Cupra existe como marca independente há apenas alguns anos. Mesmo assim, os resultados impressionam. Em 2025, a empresa comemorou a venda de seu milionésimo veículo em todo o mundo e registrou 328.800 entregas em todos os mercados, alta de 32,5% em relação às 248.100 unidades de 2024.
Apesar disso, os dias do Cupra Ateca, que já é produzido há 8 anos, parecem estar contados. O futuro do Cupra Leon permanece em aberto, enquanto o popular Formentor recebeu uma reestilização em 2024.
Um novo impulso virá do Raval, modelo totalmente elétrico estreitamente relacionado ao VW ID. Polo.
Lamborghini Urus SE Performante
Lamborghini
Temerario, Revuelto e Urus: a Lamborghini tem apenas três linhas de modelos em seu portfólio. Além disso, apresenta excelentes resultados financeiros.
Trata-se de uma verdadeira máquina de fazer dinheiro na qual dificilmente alguém mexerá. O CEO Stephan Winkelmann não planeja lançar uma linha de modelos exclusivamente elétrica em um futuro próximo.
Porsche 911 GT3 S/C (2026) na cor Slate Grey Neo
Porsche
Já que estamos falando de máquinas de fazer dinheiro, a Porsche lucra muito com o 911, razão pela qual atualmente existem inúmeras versões especiais do modelo. Além disso, o CEO Michael Leiters reafirma que jamais haverá um 911 totalmente elétrico.
A Porsche aposentou o 718 Boxster e o Cayman em outubro passado e encerrará, no fim deste mês, a produção do Macan original com motor a combustão.
Em todo o mundo, a Porsche vende cinco vezes mais unidades do 911 do que do Taycan. Nos Estados Unidos, o Taycan Sport Turismo e o Cross Turismo já foram retirados do mercado, e outras regiões do mundo poderão seguir o mesmo caminho.
Os sucessores elétricos da linha 718 chegarão ao mercado, mas, assim como o novo Macan, provavelmente ganharão também uma opção híbrida.
O futuro do Panamera e do planejado SUV de grande porte permanece incerto. O Cayenne Coupé elétrico ainda é recente demais, mas sua versão equivalente mais antiga, equipada com motor a combustão, poderia ser dispensada.
Seat Arona (2026)
Seat
A Seat comemorou seu 75º aniversário com 257.400 unidades vendidas. O resultado representa uma queda de 17% em relação a 2024 e reflete as dificuldades enfrentadas por todo o setor.
A gama da marca espanhola está envelhecida, embora Arona, Ibiza e Leon ainda apresentem bons resultados comerciais.
Em entrevista à revista britânica Autocar, Thomas Schäfer, membro do conselho da Seat e CEO da marca Volkswagen, afirmou: “Não vamos deixar a Seat morrer. Precisamos apenas decidir o futuro da marca.”
Segundo Schäfer, a Seat “está bem até 2028 ou 2029”. O que acontecerá depois disso, porém, ainda é incerto.
Skoda
O ano de 2025 foi extremamente bem-sucedido para a Skoda e trouxe novos recordes para a fabricante. Graças ao expressivo crescimento das vendas, as entregas globais chegaram a 1,04 milhão de veículos, com Octavia, Kodiaq, Kamiq e Fabia permanecendo como os modelos mais procurados.
Entre os elétricos, o Elroq consolidou-se como principal destaque, com 110 mil unidades vendidas. O sucesso comercial impulsionou o faturamento da empresa em 9,1%, para 27,8 bilhões de euros.
Atualmente, a Skoda está lançando os elétricos Epiq e Peaq. A marca tcheca também se destaca na Alemanha, onde, com 8,6% de participação de mercado, é a maior marca importada do país.
Um candidato ao corte é o Scala, enquanto Fabia e Kamiq poderiam, no longo prazo, ser substituídos pelo Epiq. O conceito Vision O já antecipou o futuro sucessor elétrico do Octavia, mas o modelo não chegará antes de 2029.
VW ID. Polo (2026) x VW Polo (2026)
Volkswagen
Atualmente, a marca Volkswagen detém 18,4% de participação no mercado alemão. Mas também tem 17 linhas de modelos. Portanto, é aqui que a tesoura deverá trabalhar com mais intensidade.
Até agora, está confirmado que o VW Touareg e a minivan compacta Touran já foram descontinuados. O T-Roc Cabriolet seguirá o mesmo caminho em 2027. Para a fábrica de Osnabrück (antiga Karmann), há a possibilidade de contratos ligados à indústria de defesa.
A maioria das linhas de SUVs pode ser considerada segura devido à sua popularidade. Nesse caso, os cortes devem se concentrar principalmente em motorizações e equipamentos. O único modelo que poderia desaparecer é o Taigo (Nivus produzido na Espanha para o mercado europeu).
Entre os elétricos, o ID.5 provavelmente não terá vida longa.
Há mais de 50 anos, três modelos formam o núcleo da Volkswagen: Polo, Golf e Passat. Mas a produção deles já foi ou será transferida. Atualmente, o Polo vem da África do Sul, o Golf passará a ser produzido no México a partir de 2027 e o Passat é fabricado na Eslováquia ao lado do Skoda Superb.
Acreditamos que, no longo prazo, a marca VW não poderá se dar ao luxo de manter modelos sobrepostos dentro de um mesmo segmento. Isso significa que o atual Polo a combustão não terá sucessor e, no futuro, será substituído pelo elétrico ID. Polo.
O mesmo deverá acontecer com os futuros ID. Golf e ID. Passat. No entanto, isso não ocorrerá antes de 2030, com a possível exceção do Polo, cuja mudança poderá acontecer mais cedo.
Até lá, a variedade de motorizações dos modelos a combustão será modificada. No Reino Unido, o Golf diesel já foi retirado de linha. Os clientes alemães ainda poderão comprar o modelo com esse tipo de motor, que responde por pouco mais de 16% das vendas do Golf no país.
Em 2026, Golf e T-Roc receberão pela primeira vez uma motorização híbrida plena. A nova geração do T-Roc, aliás, já não oferece opção diesel. No longo prazo, o sistema híbrido poderá substituir os motores a diesel.
O Passat, porém, importante no mercado de frotas, provavelmente continuará oferecendo motores diesel por mais tempo.
E os veículos comerciais? Nesse segmento, a Volkswagen já mantém uma parceria com a Ford. No longo prazo, porém, o fim do Multivan e do ID. Buzz poderia ajudar a simplificar a atualmente confusa gama da família Bulli.
E a América do Sul?
Para o Brasil e a América do Sul, o Zukunftsplan não traz nenhuma medida concreta nem anuncia cortes. Pelo contrário: a maior regionalização de produtos, tecnologias e desenvolvimento parece compatível com a atual estratégia da empresa no continente. O documento também destaca que, no primeiro trimestre de 2026, o Grupo VW alcançou sua maior participação no mercado sul-americano em mais de dez anos.
Os próximos ajustes da capacidade produtiva são direcionados explicitamente à Europa e à China. Já a redução do portfólio e da complexidade da oferta tem caráter global e, portanto, poderá ter reflexos por aqui, embora o comunicado não detalhe quais.
Nesse contexto, é possível que a Volkswagen do Brasil simplifique o catálogo, eliminando versões de nicho e reduzindo a oferta de opcionais e configurações. Seria uma forma de diminuir os custos industriais e logísticos, mas, por enquanto, trata-se apenas de uma possibilidade: o plano não cita qualquer modelo vendido no Brasil.
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