Teste Audi E-Tron S Sportback: Energia de sobra
Com pegada esportiva, versão entrega ainda mais força para o SUV elétrico
Agora que os carros elétricos estão ficando mais comuns, as marcas já apostam em variações para atrair um número maior de clientes. O Audi E-Tron já conquistou algumas pessoas por ser um SUV 100% elétrico e com um bom desempenho, enquanto o E-Tron Sportback foi a opção para quem queria o design mais arrojado de um SUV-cupê. O Audi E-Tron S Sportback completa a oferta do veículo no Brasil com uma proposta mais esportiva, com mais desempenho, mesmo que isso reduza a autonomia.
Até o momento, o Audi E-Tron S Sportback é a opção mais potente possível para o SUV elétrico, ao menos até que a Audi decida fazer um E-Tron RS com este tipo de carroceria. Está disponível apenas na forma de cupê, uma escolha feita pela marca alemã por acreditar que é mais condizente com a ideia de esportividade. Só que aí vem o custo disso: R$ 779.990, isso sem contar os opcionais, o que já são R$ 165.000 a mais do que o E-Tron normal.
SUV-cupês costumam ser do tipo ame-ou-odeie. Em alguns casos, o estilo não fica tão bom assim em comparação ao utilitário normal. Em outros, o teto com um caimento mais acentuado ajuda muito o design do veículo. Ao menos para mim, o E-Tron S Sportback está no segundo grupo, ficando mais agradável desta forma. Claro que isto é auxiliado pelo desenho da parte traseira, como as lanternas que percorrem todo o porta-malas e o sutil spoiler integrado à carroceria.
A frente já não chama tanto a atenção pois ser bem parecida com outros SUVs, mantendo a identidade visual da Audi. Há alguns detalhes aqui e ali que o diferenciam dos outros, como a grade ser fechada - embora ainda tenha um acabamento com diversas hastes horizontais, o que faz com que pareça um carro a combustão ao ser visto de longe.
Se não for alguém antenado, pode até confundi-lo inicialmente com um modelo como um Q5 Sportback ou Q7. Até mesmo por conta das medidas, já que tem 4,902 metros de comprimento, 1,976 m de largura, 1,615 m de altura e um entre-eixos de 2,928 m, ficando um pouco mais próximo do Q7 e seus 5,063 m de comprimento.
A identificação como um carro elétrico e da linha S aparece olhando com atenção. O carro é 50 milímetros mais largo do que o Sportback normal, um efeito do alargamento dos arcos de rodas e dos novos para-choques. Isto foi feito não pela parte estética, mas para reduzir o coeficiente de arrasto para 0,26, melhorando a aerodinâmica. Afinal, estamos falando de um SUV que pesa 2.805 kg, então cada detalhe que possa ajudar no desempenho é importante. O que irá destacar que é um Audi diferente, caso o cliente pague os R$ 15 mil a mais por isso, é o par de câmeras no lugar dos retrovisores tradicionais, pelo seu formato.
O interior traz uma leve evolução das linhas usadas nos SUVs mais caros da Audi. Utiliza duas telas, uma para a central multimídia e outra apenas para o ar-condicionado, liberando espaço para o console central. Tem área grande para guardar objetos, onde fica escondido o carregador sem-fio para smartphones (que fica posicionado de lado). O painel de instrumentos digital e o head-up display ajudam a passar a sensação de estar em um carro mais tecnológico.
Caso tenha pago os R$ 15 mil para ter as câmeras laterais substituindo os espelhos, a imagem é transmitida para duas pequenas telas na porta, logo acima da maçaneta. Elas contribuem bastante para o aspecto tecnológico da cabine e impressionam quem entra no carro pela primeira vez. O ajuste da altura e direção da imagem é feito ao tocar na tela. Funciona bem, mas precisa de um bom tempo para se acostumar, principalmente para manobras de estacionamento – no meu caso, como fiquei pouco tempo com o carro, acabei apelando para as câmeras 360°. O grande problema é que, se a luz bate diretamente contra a câmera, a imagem praticamente some.
Por mais R$ 21 mil, ainda é possível colocar um outro opcional, o sistema de visão noturna. Com ele, o E-tron utiliza uma câmera térmica para detectar pessoas ou animais em situações pouco iluminados – como uma estrada se postes, onde apenas os faróis de LED matrix do carro entregam um pouco de luz.
De resto, traz o luxo esperado de um carro próximo de R$ 1 milhão. Tem teto solar panorâmico, rodas de liga leve de 21”, park assist plus, sistema de som Bang & Olufsen 3D, bancos dianteiros com aquecimento e ventilação, ar-condicionado de quatro zonas, controle de cruzeiro adaptativo com stop and go, iluminação interna em LED, acabamento em couro vermelho, e mais.
Para criar a receita esportiva do E-Tron S Sportback, a Audi adicionou um terceiro motor elétrico, fazendo com que tenha dois no eixo traseiro e um no dianteiro. A potência combinada sobe dos 400 cv do E-Tron normal para 503 cv, enquanto o torque salta de 67,7 kgfm para 99,2 kgfm. Porém, o conjunto de baterias de íon-lítio segue o mesmo, de 95 kWh.
Estes números impressionam, principalmente por conta do torque. É mais do que os 84,6 kgfm do RS E-Tron GT e, oficialmente, é maior torque que a Audi já entregou em um carro de produção. Na prática, isto significa que o E-tron S impressiona bastante. Pelos nossos números, chega em 60 km/h em apenas 2,3 segundos e continuará acelerando até os 100 km/h em 4,5 s. Em comparação, o E-Tron normal faz um 0 a 60 km/h em 3,1 segundos e 0 a 100 km/h em 5,6 s, números já de respeito.
Por outro lado, os 150 kg a mais atrapalham um pouco na retomada. Precisa de 3,1 s para ir de 40 a 100 km/h, o que é apenas 0,7 s a menos do que a versão normal do SUV. A diferença no 80 a 120 km/h é ainda menor, com 3,0 s para o E-Tron S e 3,2 s para a configuração com dois motores. Ou seja, a força realmente faz diferença apenas em um primeiro momento de aceleração.
Normalmente, funciona com tração traseira, usando o motor dianteiro conforme a demanda na aceleração ou pela falta de tração. Motivo pelo qual pudemos fazer o teste de aceleração e retomada na pista molhada, mas não foi possível realizar o teste de frenagem. Os discos ventilados nas quatro rodas trabalham bem, porém não tem como impedir que a distância seja maior do que no asfalto seco.
Seu comportamento de SUV só aparece quando empurramos o E-Tron S Sportback próximo do limite, quando mostra mais saídas de frente e a carroceria balança um pouco mais. O peso extra também atrapalha um pouco, mas nada que represente qualquer perigo. A tração integral funciona bem e ajuda a manter o carro sob controle em todos os momentos. A suspensão pneumática é outro ponto positivo, trazendo um ótimo equilíbrio entre esportividade e conforto.
O desempenho extra tem o seu custo. A autonomia acabou reduzida dos 420 km da versão normal para 380 km, isto caso utilizasse 100% da capacidade da bateria. Com utiliza apenas 86 kWh dos 95 kWh, a autonomia real é de 368 km, ante os 382 km do E-Tron convencional. O consumo foi de 3,4 km/kWh na cidade, enquanto no ciclo rodoviário marcou 3,6 kWh, pela facilidade em recuperar mais energia ao rodar e precisar pisar menos para manter o veículo em movimento.
A recarga feita com um posto de carga rápida de 150 kWh leva apenas 40 minutos, sendo que 80% da capacidade máxima é recuperada em 30 minutos. Como este tipo de estação é raro no Brasil, acabaremos usando mais os wallbox de 22 kW, então prepare-se para deixar por mais tempo, pois o tempo declarado pela Audi é de 4h25 para atingir os 100%.
O Audi E-Tron S Sportback chega para conquistar quem não se importa em pagar caro e quero o máximo de desempenho possível em um carro da marca. Estamos falando de um SUV extremamente rápido, disputando espaço com os grandes esportivos da empresa, e sem gastar uma gota de combustível para isso. Tem estilo, espaço e tecnologia para impressionar o seu vizinho ou amigos. E será o máximo que conseguirá de desempenho elétrico da Audi até que ela decida investir em um modelo ainda mais rápido.
Audi e-Tron Sportback S
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