Não é só no Brasil: China já fabrica 1 em cada 3 elétricos à venda na Europa
Mais da metade dos 63 modelos disponíveis já vem de fora da União Europeia, apesar do domínio das marcas locais
Não é só o Brasil que vem assistindo a uma chegada cada vez maior de carros chineses, já que até a Europa, tradicionalmente dominada por fabricantes locais e onde marcas como Volkswagen, Renault, Peugeot, Fiat e BMW jogam em casa, começa a dividir cada vez mais espaço com modelos produzidos do outro lado do mundo, especialmente quando o assunto são os elétricos menores e mais acessíveis.
Os números ajudam a mostrar o tamanho dessa mudança: entre os 63 carros elétricos pequenos disponíveis no mercado europeu no fim de setembro de 2026, 22 são fabricados na China, praticamente um em cada três, enquanto a soma de Coreia do Sul, Índia, Japão e outros países de fora da União Europeia faz com que mais da metade dessa oferta já venha de fábricas externas ao bloco.
Europa já tem 287 elétricos diferentes
O mercado de carros 100% elétricos nunca foi tão amplo e diversificado na Europa, com uma oferta que hoje inclui desde subcompactos e hatches até sedãs, peruas, SUVs, esportivos, vans, minivans e até picapes, tornando cada vez mais difícil apontar simplesmente a falta de opções como um dos motivos para não comprar um modelo movido a bateria.
À medida que os consumidores se familiarizam com esse tipo de motorização, as fabricantes também vêm trabalhando não apenas para aumentar autonomia, melhorar eficiência e reduzir preços, mas para ampliar rapidamente a quantidade de produtos disponíveis, movimento que levou o mercado europeu a alcançar 287 modelos elétricos diferentes no fim de setembro de 2026, ainda abaixo da China, mas bastante acima do que existia apenas dois anos atrás.
Os compactos formam atualmente a maior categoria, com 78 modelos, seguidos pelos carros pequenos, com 63 opções, enquanto vans e MPVs aparecem com 48, modelos médios com 37, os de categorias superiores com 30 e os de luxo com 15.
Quando a divisão é feita por grupos automotivos, o grupo Stellantis aparece com a maior oferta total de elétricos na Europa, reunindo 49 modelos, contra 32 do Grupo Volkswagen, 20 da Hyundai-Kia, outros 20 da Geely, 16 da Mercedes-Benz e 14 da BMW.
Ranking de países em barras azuis
China já produz um terço dos elétricos pequenos
É justamente entre os carros menores, que normalmente também aparecem entre os elétricos mais baratos disponíveis ao consumidor, que a origem da produção chama mais atenção, já que a China sozinha responde por 22 dos 63 modelos comercializados atualmente na Europa, equivalente a aproximadamente 35% do total.
Nenhum país europeu chega perto isoladamente: a Espanha aparece em segundo lugar, com oito modelos produzidos localmente, seguida pela França, com seis, enquanto Polônia e Eslováquia aparecem com quatro cada uma e a Eslovênia com três.
Ranking automotivo por países
Fora da União Europeia, a Coreia do Sul também aparece com três modelos, enquanto Índia, Marrocos e Sérvia têm dois cada, acompanhados por Turquia e Japão com um. Entre os integrantes do bloco, República Tcheca e Itália aparecem com dois, enquanto Romênia e Bélgica completam a lista com um modelo cada.
Somando China, Coreia do Sul, Índia, Sérvia, Marrocos, Turquia e Japão, são 33 modelos produzidos fora da União Europeia, contra 31 fabricados dentro do bloco, diferença que faz com que mais da metade da oferta de elétricos pequenos disponível aos europeus já tenha origem externa.
A conta passa dos 63 modelos porque o Citroën ë-C3 possui produção tanto na Eslovênia, integrante da União Europeia, quanto na Sérvia, que está fora dela, fazendo com que o mesmo carro apareça dos dois lados dessa divisão.
Dona de Fiat, Peugeot e Jeep domina entre fabricantes
Apesar do avanço da produção chinesa, é uma gigante europeia que concentra a maior quantidade de elétricos pequenos disponíveis atualmente no continente, com a Stellantis reunindo 18 modelos distribuídos entre suas diferentes marcas.
São cinco da Fiat, três da Opel, dois da Peugeot, dois da Citroën, dois da Abarth e um de Jeep, Lancia, Alfa Romeo e DS, sendo que apenas quatro deles são produzidos em fábricas localizadas fora da União Europeia.
As coreanas Hyundai e Kia aparecem logo na sequência com seis modelos diferentes, dos quais três são produzidos na Coreia do Sul e um na Turquia, reforçando como a disputa nesse segmento já deixou de ser uma questão puramente europeia.
Os números mostram que a indústria do continente ainda precisa fortalecer suas fábricas justamente nos segmentos de maior volume e preço mais baixo dos carros elétricos, porque, embora os grandes grupos locais continuem liderando em quantidade de modelos, a produção asiática já ocupa uma parcela importante da oferta que chega ao consumidor europeu.
Felipe Munoz é analista da indústria automotiva e criador do Car Industry Analysis nas redes sociais.
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