Ir para o conteúdo principal

Mesmo com tecnologia da Geely, Volvo consegue brecha para continuar nos EUA

Fazendo vista grossa para modelos com software chinês, governo federal fez vista grossa para marca sueca

Volvo EX60 2026
Foto de: Volvo

A vida não tem sido nada fácil para as montadoras estrangeiras presentes hoje nos Estados Unidos. Com portfólios cada vez mais globalizados, vários grupos estão quebrando a cabeça para vender carros com software e hardware com tecnologia chinesa. Mas, como em toda regra há uma exceção, há quem tenha conseguido escapar das novas regras mais restritivas: a Volvo.

Sim, sabemos que a Volvo não é chinesa, mas é controlada por um grupo chinês - a Geely - e, assim, tem à sua disposição toda a tecnologia desenvolvida por lá em seus carros mais recentes, especialmente nos elétricos. Ela também fabrica alguns de seus modelos por lá, caso do XC60 e do XC70.

Recentemente, a montadora afirmou que precisou cumprir um processo junto ao Departamento de Comércio dos EUA para obter uma autorização específica que permita manter a importação e a venda de carros conectados no país. A autorização foi concedida pelo Office of Information and Communications Technology and Services (ICTS).

“Com essa autorização específica, a Volvo pode dar continuidade aos seus planos de crescimento nos EUA”, afirmou a empresa em comunicado.

As regras do Departamento de Comércio, que entraram em vigor em 17 de março de 2025, restringem a importação e a venda de veículos conectados com software da China e da Rússia a partir do ano-modelo 2027, e com hardware desses dois países a partir do ano-modelo 2030.

Os motivos por trás das restrições, segundo o governo de Donald Trump, estão relacionados a equipamentos considerados “facilmente exploráveis” por governos estrangeiros que possam ter intenções maliciosas - seja para roubo de dados, seja para controle remoto de frotas.

Volvo EX60 2026

Volvo EX60 2027

Foto de: Volvo

De acordo com a norma, hardware e software “projetados, desenvolvidos, fabricados ou fornecidos por pessoas detidas, controladas ou sujeitas à jurisdição ou à direção” da China, e “veículos conectados completos que incorporem software coberto”, não podem ser importados para os EUA.

No entanto, nem todos os carros conectados são abrangidos: a regra mira especificamente softwares que viabilizam condução autônoma do tipo LiDAR (mas não sistemas mais simples de assistência ao motorista, como os da Tesla), bem como a conectividade do veículo a redes via satélite, celular e Wi-Fi.

Lotus Eletre S Solar Amarelo Dinâmico

Grupo Geely já começou a vender unidades do Lotus Electre no Canadá


O que você pensa sobre isso?

Como resultado, empresas não podem enviar aos EUA carros com hardware e software chineses que se enquadrem nas regras, independentemente de o veículo ter sido montado ou não na China. Além disso, fabricantes ligados ao governo chinês - como a Geely, Chery ou BYD - estão proibidos de vender veículos conectados completos nos EUA, mesmo que os componentes e o software tenham sido feitos em outros países.

Por outro lado, apesar da limitação por lá, os fabricantes asiáticos já ensaiam uma chegada aos países mais próximos, caso do México - onde a BYD está presente desde 2023 e tem sido bem aceita, contando inclusive com planos de fabricação local -, bem como ao Canadá, onde algumas marcas - caso da Lotus, que é britânica, mas usa tecnologia Geely - já começaram a enviar algumas unidades do SUV Electre para lá.

Compartilhe este artigo
Envie seu flagra! flagra@motor1.com