Mesmo com tecnologia da Geely, Volvo consegue brecha para continuar nos EUA
Fazendo vista grossa para modelos com software chinês, governo federal fez vista grossa para marca sueca
A vida não tem sido nada fácil para as montadoras estrangeiras presentes hoje nos Estados Unidos. Com portfólios cada vez mais globalizados, vários grupos estão quebrando a cabeça para vender carros com software e hardware com tecnologia chinesa. Mas, como em toda regra há uma exceção, há quem tenha conseguido escapar das novas regras mais restritivas: a Volvo.
Sim, sabemos que a Volvo não é chinesa, mas é controlada por um grupo chinês - a Geely - e, assim, tem à sua disposição toda a tecnologia desenvolvida por lá em seus carros mais recentes, especialmente nos elétricos. Ela também fabrica alguns de seus modelos por lá, caso do XC60 e do XC70.
Recentemente, a montadora afirmou que precisou cumprir um processo junto ao Departamento de Comércio dos EUA para obter uma autorização específica que permita manter a importação e a venda de carros conectados no país. A autorização foi concedida pelo Office of Information and Communications Technology and Services (ICTS).
“Com essa autorização específica, a Volvo pode dar continuidade aos seus planos de crescimento nos EUA”, afirmou a empresa em comunicado.
As regras do Departamento de Comércio, que entraram em vigor em 17 de março de 2025, restringem a importação e a venda de veículos conectados com software da China e da Rússia a partir do ano-modelo 2027, e com hardware desses dois países a partir do ano-modelo 2030.
Os motivos por trás das restrições, segundo o governo de Donald Trump, estão relacionados a equipamentos considerados “facilmente exploráveis” por governos estrangeiros que possam ter intenções maliciosas - seja para roubo de dados, seja para controle remoto de frotas.
Volvo EX60 2027
De acordo com a norma, hardware e software “projetados, desenvolvidos, fabricados ou fornecidos por pessoas detidas, controladas ou sujeitas à jurisdição ou à direção” da China, e “veículos conectados completos que incorporem software coberto”, não podem ser importados para os EUA.
No entanto, nem todos os carros conectados são abrangidos: a regra mira especificamente softwares que viabilizam condução autônoma do tipo LiDAR (mas não sistemas mais simples de assistência ao motorista, como os da Tesla), bem como a conectividade do veículo a redes via satélite, celular e Wi-Fi.
Grupo Geely já começou a vender unidades do Lotus Electre no Canadá
Como resultado, empresas não podem enviar aos EUA carros com hardware e software chineses que se enquadrem nas regras, independentemente de o veículo ter sido montado ou não na China. Além disso, fabricantes ligados ao governo chinês - como a Geely, Chery ou BYD - estão proibidos de vender veículos conectados completos nos EUA, mesmo que os componentes e o software tenham sido feitos em outros países.
Por outro lado, apesar da limitação por lá, os fabricantes asiáticos já ensaiam uma chegada aos países mais próximos, caso do México - onde a BYD está presente desde 2023 e tem sido bem aceita, contando inclusive com planos de fabricação local -, bem como ao Canadá, onde algumas marcas - caso da Lotus, que é britânica, mas usa tecnologia Geely - já começaram a enviar algumas unidades do SUV Electre para lá.
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