Harley-Davidson RMCR 1 conceito é uma moto que precisa sair do papel
Motos mais simples e com apelo visual mais esportivo deveriam aparecer mais no catálogo
Finalmente. É só o que dá para dizer depois de ver o conceito RMCR, café racer, da Harley-Davidson. Corta, imprime e coloca em produção amanhã. A marca precisa disso nas concessionárias o quanto antes. Por quê? Porque, depois de anos de morna estagnação, uma linha muito centrada em cruisers e baggers, a entrada forçada no mercado elétrico e uma estreia pouco bem-sucedida no off-road, a RMCR tem uma cara claramente Harley — e, ao mesmo tempo, aponta com clareza para o futuro.
E isso pode soar estranho, já que estamos falando de um design retrô com motor bicilíndrico em V de 1.250 cm³, mas o mercado e os fãs da Harley vêm pedindo algo mais jovem. É exatamente isso. Um olhar para a frente sem trair o passado da marca. Uma moto que conversa com o público mais novo, ocupa um espaço que a Indian deixou para trás e tem potencial de atrair gente que simplesmente nunca consideraria uma Harley.
É um outdoor gigante do quão legal a Harley pode ser.
E, junto de algumas outras mudanças de portfólio que comentaremos aqui, esse modelo voltado para performance é a “virada de mesa” perfeita. O começo de uma nova era da Harley-Davidson. A volta ao topo da pirâmide. A volta à rentabilidade. A volta a um público que pode se renovar. É isso que a Harley precisa vender.
Antes de tudo, a RMCR — Revolution Max Cafe Racer — é, sem surpresa, movida pelo V-twin Revolution Max da Harley-Davidson. O motor de 1.250 cm³ teria sido o centro de um chassi sob medida, embora pareça uma estrutura modificada da Pan America, já que essa moto já usa esse propulsor e a plataforma se presta à personalização.
Segundo a marca, a RMCR foi construída para o evento Mama Tried e “inspirada no legado da XLCR café racer original”, além de ter sido criada para que os designers da Harley pudessem “ver até onde dá para levar a plataforma Revolution Max”. A empresa acrescentou: “[A RMCR é] uma interpretação moderna de um original rebelde, e uma homenagem a Willie G. [Davidson], cuja influência ainda guia como desenhamos hoje”.
A carenagem é de fibra de carbono, há um escapamento 2 em 1 sob medida e, pelos vídeos nas redes, esse motor com menos restrições tem um ronco sensacional. Não está claro qual é a suspensão na dianteira ou na traseira, mas, de novo, a base parece muito Pan America — há DNA dela nesses componentes, assim como nos freios. O conjunto, porém, é simplesmente incrível, e parece que a Harley quer sentir a reação do público ao conceito antes de bater o martelo sobre a produção.
Felizmente, parece que o público ficou empolgado. Mas, mais do que a opinião do público nas redes e em outros espaços, a RMCR é exatamente o que a Harley precisa agora — e pode ser o elemento central de uma nova estratégia para garantir que a empresa icônica continue por aqui no futuro próximo.
A Harley está hoje numa encruzilhada. A Harley-Davidson precisa desesperadamente conquistar novos compradores — e não apenas contar com o público de cruiser que ela vem atendendo nas últimas três décadas. Por quê? Porque esse público está desaparecendo. Simples assim. E o mercado jovem não quer — nem consegue pagar — motos que partem de mais de R$ 100 mil.
A RMCR, por outro lado, é claramente mais jovem e pode atrair uma nova clientela. Mas ela não pode ser a única tentativa nessa direção. Já sabemos que a Harley está trabalhando em uma moto de entrada, algo capaz de trazer pilotos novos e mais jovens que não querem uma moto de 1.250 cm³ — ou simplesmente não dão conta dela. Isso também é um ótimo começo, e a empresa precisa lançar essa moto logo.
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