VW prepara Polo e T-Cross com extensor de autonomia caso elétricos falhem
Caso ID.Polo e ID.Cross não decolem na Europa, marca pode estender vida de modelos a combustão e lançar extensor de autonomia
O escândalo do Dieselgate, na década passada, mudou a rota da indústria e, sobretudo, do Grupo Volkswagen. Desde então, a alemã acelerou sua aposta em elétricos, ainda que os primeiros ID. não tenham entregado o esperado. A marca acredita que ID.Polo e ID.Cross, uma espécie T-Cross elétrico para a Europa, terão desempenho melhor, mas já prepara um plano B caso a estratégia 1005 elétrica não funcione.
De acordo com informações do site espanhol Motor.es, a Volkswagen trabalha nos bastidores com cenários paralelos enquanto avança na nova geração dos elétricos compactos ID.Polo e ID.Cross. O grupo admite que o risco existe e que, mesmo com investimentos bilionários na plataforma MEB Entry para elétricos baratos, a recepção do público pode não acompanhar o ritmo previsto. Internamente, há a avaliação de que a convivência com versões a combustão terá peso decisivo nas vendas.
Com a pressa para superar o dieselgate e a iminência do avanço de concorrentes chineses, a alemã acabou levando ao mercado modelos com software ainda limitado. Por isso, decidiu tomar mais tempo para desenvolver seus próximos elétricos, evitando erros e garantindo produtos mais maduros para mercados globais.
O ID.Polo, por exemplo, está praticamente pronto, mas só deve ser lançado depois do CUPRA Raval, fruto de um acordo com a marca espanhola. Ainda assim, há receio de que a estreia não atinja o volume esperado. A mesma lógica vale para o SUV ID.Cross, que dividirá espaço com T-Cross e Taigo (o equivalente europeu do Nivus) durante um período de transição previsto para durar até cinco anos.
O Motor.es afirma ainda que a Volkswagen já desenvolve duas unidades a combustão para uso como extensores de autonomia, criando versões EREV caso o plano principal de vender ID. Polo e ID.Cross somente como elétricos não avance. São motores de dois cilindros 1.0 e três cilindros 1.5, projetados para atuar somente como geradores e não para tracionar o veículo. Um deles, o 1.0, já teria sido instalado em protótipos do ID.Polo graças à flexibilidade da plataforma MEB Entry, que permite acomodar o conjunto na traseira.
Não há mais detalhes técnicos revelados sobre potência ou torque, mas estimativas sugerem cerca de 70 cv no 1.0 e 100 cv no 1.5. Outro ponto ainda indefinido é onde a Volkswagen posicionará o tanque de combustível sem comprometer a capacidade da bateria, especialmente em modelos compactos.
“A Volkswagen já está mais do que apenas flertando com a tecnologia EREV”, afirmam fontes internas ouvidas pelo Motor.es, reforçando que o grupo quer evitar perder ainda mais espaço para rivais chineses como a Leapmotor, do grupo Stellantis, que já comercializa modelos do tipo em várias regiões do mundo e acabou de estrear no Brasil, e os carros da Xiaomi.
O cenário também ganhou peso após a declaração do CEO da Ford, Jim Farley, sobre um modelo da marca conhecida pelo seus celulares: “Este carro é a Apple da China, com a mesma sensação de dirigir um Porsche Taycan”. A fala repercutiu fortemente na Europa e aumentou a pressão sobre as marcas tradicionais, que agora correm contra o tempo para não ficarem para trás.
Fonte: Motor.es
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