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Ex-CEO da VW fala em ''invasão chinesa'' na América Latina

Declarações polêmicas dias após do anúncio da nova Amarok em parceria com a SAIC-Maxus da China

PABLO DI SI
Foto de: Motor1 Argentina

Depois de cinco meses afastado do noticiário e de sua saída repentina do Grupo Volkswagen, o executivo argentino Pablo Di Si reapareceu em público nesta semana com críticas à crescente presença da indústria automotiva chinesa na América do Sul. Di Si, vale lembrar, foi CEO da Volkswagen América Latina entre 2017 e 2022, quando assumiu o cargo para a América do Norte. 

Mas o cargo não durou muito tempo, já que apenas apenas 18 meses depois o executivo renunciou ao cargo, abandonando uma carreira de mais de 10 anos no grupo alemão para focar na família e em outros negócios, como o setor imobiliário e consultorias. Essa semana, Di Si participou do seminário "Congresso AutoData Megatendências 2025", que foi realizado no Brasil, e comentou sobre os impactos da guerra comercial entre os Estados Unidos e mercados emergentes.

PABLO DI SI AUTODATA

El ex ejecutivo automotor argentino, Pablo Di Si, participó ayer del "Congresso AutoData Megatendências 2025", en Brasil.

Foto de: Motor1 Argentina

Sua reaparição e o discurso crítico sobre a China chamaram atenção por ocorrerem apenas seis dias após o anúncio de que o Grupo VW fabricará na Argentina uma nova geração da picape Amarok, em parceria com a chinesa SAIC-Maxus.

O investimento de US$ 580 milhões sela o fim de dois projetos industriais encabeçados por Di Si: o SUV VW Taos, cuja produção será encerrada em General Pacheco e passará a vir de Puebla, no México e o facelift da Amarok, lançado há apenas sete meses. Na ocasião, Di Si havia prometido que a picape reestilizada teria um ciclo de dez anos.

VW Amarok (teaser)

Teaser da nova VW Amarok

Foto de: Volkswagen

Durante sua participação no congresso, Di Si foi enfático:

“A indústria automotiva precisa estar atenta a uma grande ameaça: a nova invasão chinesa. São carros parecidos com os de marcas conhecidas, mas 30% mais baratos e com alto volume de estoque. Com toda essa confusão tarifária entre Estados Unidos e China, para onde vocês acham que irão todos esses carros que os chineses planejavam vender nos EUA? Eles vão precisar encontrar outro mercado.”

GWM Tank 300 Hi4-T 2025 (BR)

GWM Tank 300 

Foto de: GWM
BYD Shark PHEV (BR)

BYD Shark PHEV 

Foto de: Motor1.com

Chineses aprenderam com fracasso e mudaram foco

Di Si relembrou que há 20 anos os chineses fracassaram ao tentar vender modelos de entrada no Brasil, mas argumentou que o cenário agora é outro. Segundo ele, a China possui hoje um portfólio completo, que inclui desde veículos de acesso até modelos premium. Para o executivo, caso o Brasil não adote medidas rápidas, sua indústria automotiva pode desaparecer:

“Não adianta fazer estudos. É preciso agir rapidamente, pois isso será violento. E os chineses não dominam a América Latina por tecnologia, e sim por preço.”

Volkswagen Amarok Panamericana

Segunda geração da Amarok, derivada da Ranger, foi vetada por Di Si na Argentina

Foto de: Volkswagen
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Executivo barrou Amarok derivada da Ranger

Apesar do encerramento precoce da Amarok reestilizada, que ficará com ''mandato tampão'' apenas até 2027, Di Si cumpriu uma de suas metas: barrar o Projeto Cyclone, que previa a produção da nova geração da Amarok europeia na planta da Ford na Argentina. O plano foi cancelado durante sua gestão, e a produção acabou sendo transferida para a África do Sul, que hoje abastece Europa, Oriente Médio, África e México com a nova picape — em detrimento do modelo fabricado na Argentina.

Pablo Di Si deixou oficialmente o Grupo Volkswagen em novembro de 2023. Após alcançar o cargo de CEO da operação norte-americana da marca, enfrentou forte resistência da rede de concessionárias dos EUA, que criticaram sua política de produtos. A situação financeira da marca também está em situação delicada, com planos de reestruturação e de corte de custos, inclusive considerando o fechamento de fábricas em sua matriz, na Alemanha. 

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