Escassez de peças oriundas da China já começa a atingir operações da marca

Depois de atingir em cheio as movimentações comerciais e a produção industrial da China, o surto de coronavírus começa a afetar agora, em efeito dominó, as operações fabris de mercados estrangeiros. Prova disso é o recente anúncio da Hyundai sobre a suspensão de suas atividades produtivas na Coreia do Sul pelos próximos dias. Segundo divulgado, a maior planta industrial da marca no país ficará totalmente ociosa a partir da próxima quinta-feira (7), voltando parcialmente à normalidade apenas na semana seguinte. O motivo é a escassez de peças oriundas da China, principalmente chicotes e cabos elétricos, que começaram a faltar depois que os principais fornecedores chineses foram obrigados a interromper a produção em decorrência da epidemia.

Galeria: Hyundai Palisade 2020

Entre outros modelos, a paralisação já afetou diretamente a produção do SUV Palisade, exportado da Coreia do Sul principalmente para os Estados Unidos. Além da Améria do Norte, a operação sul-coreana da Hyundai é responsável por abastecer outros grandes mercados, como Europa, Oriente Médio e a própria demanda doméstica. A marca concentra no país nada menos que 7 grandes fábricas, que juntas respondem por 40% de toda sua produção global. Uma saída rápida seria aumentar a produção de componentes na própria Coréia do Sul e no Sudeste Asiático - manobra que já está começando a ser executada.

"Hyundai e Kia são as mais afetadas, pois tendem a importar mais peças da China do que outras montadoras globais", explica Lee Hang-koo, pesquisador do Instituto Coreano de Economia Industrial e Comércio. A dependência aumentou bastante nos últimos anos principalmente por conta da expansão industrial das sul-coreanas em solo chinês. "Os fabricantes de peças sul-coreanos seguiram e construíram suas próprias instalações junto com a Hyundai", afirma Lee. A Coréia do Sul importou US$ 1,56 bilhão em autopeças da China em 2019, contra US$ 1,47 bilhão em 2018, mostram dados comerciais.

Na própria China, montadoras globais como Tesla, Ford, PSA, Nissan e Honda suspenderam suas atividades mesta semana, seguindo diretrizes do governo, que tem prolongado feriados e ordenado a suspensão dos sistemas de transporte público em algumas cidades para conter o surto. A epidemia já matou mais de 420 pessoas, a maioria em solo chinês, mas já se espalhou por cerca de 25 países até agora.