Hyundai Ioniq V: um sedã de outro planeta para conquistar o mercado chinês
Três volumes com jeitão de Lamborghini parece conceito, mas está pronto para produção
De longe, parece uma versão quatro portas do Lamborghini Countach. De perto, a placa com o nome Ioniq V confunde: apesar de ser quase homônimo do Hyundai Ioniq 5 sul-coreano, este sedã é bem diferente…
Vale dizer que o “V” do Ioniq não vem de “5” em algarismos romanos, mas sim de Venus, um carro-conceito revelado há apenas três semanas e que teve suas linhas aproveitadas no modelo de série. O protótipo e a versão final podem ser comparados no Salão de Pequim, e é divertido procurar as sutis diferenças entre um e outro.
Em meio a tantas novidades no Auto China 2026, o Ioniq V consegue se sobressair pelo visual exótico, numa onda retrô-futurista. Mais que isso, é uma aposta ousada da Hyundai Motor Company para reconquistar relevância no maior mercado de veículos elétricos do mundo. O início das vendas está estimado para o último trimestre do ano.
Desenvolvido especificamente para o consumidor chinês, o modelo inaugura uma nova fase da Ioniq como submarca no país. Sintetiza a estratégia “In China, for China, to Global” ("Na China, para a China e para o mundo"), tanto para o mercado local quanto para exportação — com foco no Sudeste Asiático, Oriente Médio e América Latina.
Ioniq V - lançamento no fim de 2026
Do ponto de vista técnico, o Ioniq V é profundamente enraizado no ecossistema chinês. Utiliza baterias da CATL, chips de cockpit de última geração da Qualcomm e sistemas avançados de assistência à condução desenvolvidos pela Momenta, além de integrar soluções digitais locais como a infraestrutura do Volcano Engine, da ByteDance, responsável por serviços em nuvem, processamento de dados e aplicações de inteligência artificial.
Um grande trunfo do modelo é seu “cérebro”. O carro foi projetado como um “dispositivo inteligente sobre rodas”, integrando serviços da Baidu para mapas e uma assistente de voz altamente avançada, capaz de controlar muitas das funções físicas do veículo, eliminando quase todos os botões do cockpit.
São 4,90 m de comprimento, mas não parece
Os carros da Hyundai na China são produzidos pela Beijing Hyundai Motor Company (BHMC), uma joint venture de participações iguais (50:50) estabelecida em 2002 entre a sul-coreana Hyundai Motor Company e a estatal chinesa BAIC Motor (subsidiária do BAIC Group).
A plataforma utiliza a arquitetura modular E-GMP dos Ioniq sul-coreanos e dos Kia EV, mas otimizada em parceria com a BAIC. O resultado é um carro concebido dentro da lógica de desenvolvimento acelerado que caracteriza a indústria chinesa atual.
Com 4,90 metros de comprimento e nada menos que 2,90 metros de entre-eixos, o sedã se posiciona no segmento médio-grande, com dimensões próximas às de um Hyundai Sonata, mas com melhor aproveitamento de espaço interno graças à arquitetura elétrica. A autonomia declarada supera os 600 km no (otimista) ciclo chinês CLTC, e o sistema adota arquitetura de 800 volts, alinhando o modelo aos padrões mais avançados da categoria.
Há opções com um motor (traseiro) ou dois motores (tração integral), mas a Hyundai ainda não revelou os números finais de potência da versão de produção.
O desenho privilegia a eficiência aerodinâmica, com perfil baixo, superfícies limpas, vidros das portas sem moldura e soluções como retrovisores com efeito flutuante, enquanto a linguagem visual inaugura o estilo “The Origin”, marcado por conjuntos ópticos em forma de lâmina de LED (com tecnologia Matrix) e uma silhueta fastback baixa e alongada.
No interior, o Ioniq V segue a tendência dominante entre os elétricos chineses, com forte digitalização e redução quase total de comandos físicos. A cabine é dominada por uma tela 4K de 27 polegadas que concentra as funções do veículo, complementada por um quadro de instrumentos na base do para-brisa, que substitui o painel tradicional. No volante (de topo e base retos), há grandes módulos com botões, tentando equilibrar minimalismo e facilidade de uso. O visual remete aos carros-conceito desenhados por Marcello Gandini para a Bertone no início dos anos 1970.
SUV-conceito Earth
Depois de Vênus, a Terra
A nomenclatura inspirada em planetas (chamada de Ioniq Universe) também deu origem ao SUV-conceito Earth (Terra), outro destaque do estande da Hyundai no Salão de Pequim. Sua carroceria tem formas quadradas, visual robusto e anguloso. Os faróis são estreitos e destacam-se detalhes funcionais expostos, como ganchos de reboque.
Por dentro, o Earth segue o minimalismo do Venus. Com espaço para quatro ocupantes, traz soluções como bancos com módulos infláveis. A previsão é que o utilitário chegue às concessionárias chinesas no primeiro semestre de 2027, com poucas modificações no estilo.
Por trás do Ioniq V e do Earth há um plano ambicioso: a Hyundai pretende lançar 20 novos modelos na China nos próximos cinco anos e alcançar 500 mil unidades anuais até 2030 — o que representaria um salto expressivo frente às 125 mil unidades vendidas no país em 2025.
A necessidade de reação é clara: depois de já ter figurado entre as líderes do mercado chinês, onde chegou a fornecer carros até para a polícia, a Hyundai hoje responde por menos de 1% das vendas, pressionada pelo avanço de fabricantes locais como BYD e Geely.
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