Justificativa é de que as fabricantes não pagam o Super IPI por ficarem dentro das cotas ou estarem dentro das exigências do Inovar-Auto

Um dos motivos que faz as importadoras esperarem tanto pelo novo regime automotivo, o Rota 2030, é o fim dos 30 pontos adicionais de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Para nós, clientes, ficou a esperança de ver os preços baixarem pelo menos um pouco. De acordo com a Anfavea, isso não deve acontecer, pois as fabricantes no Brasil já evitavam essa sobretaxa.

Em carta publicada no site, Antonio Megale, presidente da Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), explica que o valor só era cobrado caso as fabricantes não fossem habilitadas pelo Inovar-Auto ou ultrapassassem as cotas. O programa atual determina que toda montadora tem um limite de carros que podem ser importados de fora do Mercosul e México.

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“Fique bem claro que a definição de preço é uma estratégia individual das empresas. O que esclareço aqui é que não haverá, na prática, redução do IPI e consequente redução imediata de preço”, explica Megale.

No entanto, as fabricantes sem produção local atualmente ficam presas à cota de 4.800 veículos por ano, pagando o Super IPI caso o ultrapassem o limite. É a reclamação de empresas que trabalham com modelos de maior volume, como JAC e Kia, sem poder ampliar sua linha pelo risco de não ter como atender a demanda ou serem obrigadas a elevar ainda mais o preço dos carros para absorver o aumento da alíquota.

Essa barreira foi o motivo para o Brasil ser condenado pela Organização Mundial do Comércio (OMC) por protecionismo. A decisão, revelada no final de agosto, determinou que o governo teria 90 dias para encerrar o Inovar-Auto. Na prática, nada irá acontecer pois o país já entrou com um recurso, que levará até seis meses para ser analisado, tempo o suficiente para que seja feita a troca do regime automotivo.

Foto: Arquivo Motor1.com