Toyota diz que sua confiabilidade é o suficiente para peitar chineses
Segundo executivo da japonesa, marcas novatas não têm mesmo apelo que a japonesa com clientes mais conservadores
Mesmo diante do avanço acelerado das montadoras chinesas, o grupo Toyota acredita que ainda tem uma vantagem competitiva difícil de igualar. Segundo a fabricante japonesa, a reputação construída em qualidade, durabilidade e confiabilidade segue como um dos seus principais trunfos para enfrentar rivais como BYD, SAIC e Geely.
Os argumentos vêm da maior montadora do mundo. Com pouco mais de 10,5 milhões de carros vendidos em 2025, a Toyota (e sua marca de luxo Lexus) manteve a liderança global pelo sexto ano consecutivo.
Considerando também a subsidiária de baixo custo Daihatsu, o grupo ultrapassa 11,2 milhões de veículos comercializados, ampliando ainda mais a vantagem sobre o Grupo Volkswagen, segundo colocado, com quase 8,7 milhões de unidades (desconsiderando veículos comerciais pesados).
Apesar da distância para as líderes, as fabricantes chinesas seguem avançando em ritmo acelerado. A BYD encerrou 2025 como a sexta maior montadora do mundo, com 4,6 milhões de veículos vendidos, alta de 7,7% sobre o ano anterior.
Logo atrás aparece a SAIC, dona da MG, com 4,5 milhões de unidades e crescimento de 12,3%, enquanto a Geely, controladora da Volvo, alcançou a nona posição ao registrar um salto de 26%, para 4,12 milhões de carros comercializados.
Foi nesse contexto que John Pappas, vice-presidente de Vendas Nacionais, Marketing e Operações de Franquias da Toyota Austrália, explicou à revista Drive por que acredita que a empresa continua em posição privilegiada para enfrentar a concorrência.
"O 'prêmio' da Toyota vem do valor do produto e do fato de sermos reconhecidos pelo nosso QDR - qualidade, durabilidade e confiabilidade. Em tempos de incerteza, as pessoas sempre recorrem às marcas em que confiam. Vimos isso no auge da COVID, e sinto que a confiança na nossa marca realmente tem permitido isso ao longo de um longo período."
Segundo o executivo, o verdadeiro diferencial da japonesa não está em seus veículos. A ampla rede de concessionárias, a estrutura de pós-venda e os bons valores de revenda na maioria dos mercados em que atua também ajudam a fortalecer a relação com os clientes e sustentam a competitividade da marca.
Mesmo assim, a própria marca reconhece que a liderança mundial não garante tranquilidade. Durante uma reunião com fornecedores realizada no início deste ano, o então CEO Koji Sato fez um alerta sobre a necessidade de reduzir custos e aumentar a competitividade da empresa diante da nova realidade do setor.
"Se as coisas não mudarem, não vamos sobreviver. Quero que todos reconheçam esse senso de crise. Neste momento, nós, da indústria automotiva, estamos lutando pela nossa própria sobrevivência."
Embora mantenha a confiança na reputação construída ao longo de décadas, a Toyota sabe que o crescimento das fabricantes chinesas vem mudando rapidamente o equilíbrio da indústria automotiva. O desafio agora será mostrar que atributos como qualidade, durabilidade e confiabilidade continuarão pesando na decisão de compra em um mercado cada vez mais competitivo.
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