Primeira volta: Tiggo 9 PHEV faz valer os R$ 50 mil a mais?
Dirigimos brevemente as duas versões do novo SUV de 7 lugares da CAOA Chery; PHEV tem 428 cv
Basta entrar no Tiggo 9 para perceber que a CAOA Chery pretende subir um degrau com seu novo SUV de topo de linha. A posição de dirigir é alta, a cabine parece enorme e bancos, revestimentos e equipamentos criam uma sensação de sofisticação superior à encontrada até agora nos outros integrantes da família Tiggo.
Mas foi preciso dirigir as duas versões para encontrar a maior diferença. Em um percurso curto entre Vila Olímpia e Morumbi, em São Paulo, fomos primeiro com o Tiggo 9 2.0 turbo de 224 cv, que custa R$ 249.990. Na volta, trocamos para o PHEV de 428 cv, com tabela de R$ 299.990. E aí o carro muda completamente.
Foram apenas cerca de 16 a 18 minutos ao volante de cada configuração, insuficientes para uma avaliação mais completa. Ainda assim, o primeiro contato deixou uma sensação: o motor 2.0 turbo dá conta do Tiggo 9, mas é o conjunto híbrido plug-in que parece combinar melhor com o porte e a proposta deste SUV.
Grande por fora e por dentro
Com 4,81 metros de comprimento e 2,80 m de entre-eixos, o Tiggo 9 é um carro grande e deixa isso evidente ao condutor. É alto, largo e exige alguma atenção extra ao circular por ruas apertadas, entrar em garagens ou manobrar. O volante também tem diâmetro maior do que eu gostaria, embora tenha bom acabamento e combine com a proposta da cabine.
Em compensação, há bastante tecnologia para ajudar. Câmeras e assistentes eletrônicos diminuem o trabalho nas manobras, enquanto o sistema de estacionamento automático é capaz de controlar o carro em situações nas quais suas dimensões poderiam complicar a vida do motorista.
Galeria: CAOA Chery Tiggo 9 2027
Por dentro, a impressão de espaço continua. Os bancos dianteiros são grandes, há ventilação e massagem com diferentes programas, teto solar panorâmico de 1,3 m² e um multimídia de 15,6 polegadas com resolução 2,5K. A tela impressiona pela qualidade da imagem, pela nitidez e respondeu rapidamente durante nosso contato.
A apresentação também chama atenção. O acabamento combina diferentes materiais e há uma peça de madeira fosca atravessando parte do painel e das portas, além de head-up display, iluminação ambiente e sistema de som Sony com 14 alto-falantes.
CAOA Chery Tiggo 9 2027
Sete lugares, mas terceira fileira é apertada
O cuidado também chega à segunda fileira. Os bancos permitem ajustes elétricos e correm sobre trilhos, aumentando o espaço para passageiros ou facilitando o acesso aos últimos assentos. Pelo sistema Easy Access, parte da segunda fileira se desloca para abrir passagem para quem vai atrás.
Eu fiz justamente esse caminho para experimentar a terceira fileira. E ali aparece uma limitação: apesar das grandes dimensões externas do Tiggo 9, os dois últimos lugares são apertados para um adulto.
CAOA Chery Tiggo 9 fotos oficiais
Crianças e pessoas de menor estatura deverão se acomodar melhor, mas não parece ser o lugar ideal para um adulto passar muito tempo durante uma viagem. Portanto, os sete lugares existem e ampliam bastante a versatilidade, mas os dois últimos têm vocação mais eventual.
Inclusive, o porta-malas anunciado de 819 litros considera justamente a configuração de cinco lugares — com os sete assentos em uso, o compartimento fica bastante reduzido para bagagens.
Galeria: CAOA Chery Tiggo 9 fotos oficiais
2.0 turbo dá conta, mas precisa trabalhar
Saímos da Vila Olímpia inicialmente com o Tiggo 9 a gasolina. Seu novo 2.0 turbo GDI produz 224 cv e 36,7 kgfm, associado a um câmbio automático de oito marchas e tração integral.
Para um SUV deste tamanho, 224 cv podem não impressionar no papel. Na prática, porém, o motor entrega desempenho suficiente para movimentar bem o Tiggo 9. Ele responde quando provocado e o câmbio ajuda a aproveitar a faixa de potência.
O problema é que, quando se exige mais do acelerador, o quatro-cilindros precisa subir bastante de giro. O ronco fica mais presente, com uma sonoridade relativamente metálica, embora o bom isolamento acústico da cabine filtre boa parte do barulho.
CAOA Chery Tiggo 9 2027
Com apenas eu a bordo, o desempenho foi satisfatório. Ficou, porém, a curiosidade de repetir o teste com cinco ou sete ocupantes e bagagem, situação em que o conjunto terá muito mais massa para movimentar.
Também registramos (no computador de bordo) consumo urbano pouco superior a 6 km/l durante esse breve percurso. É um número que serve apenas como curiosidade: distância, duração, trânsito e condições do teste tornam impossível tirar qualquer conclusão sobre eficiência a partir dessa primeira volta.
Outro ponto é que o 2.0 turbo bebe exclusivamente gasolina, apesar da crescente adoção de motores flex entre modelos eletrificados e a combustão desenvolvidos para o mercado brasileiro — inclusive dentro da própria CAOA, na sua operação conjunta com a chinesa Changan.
Na volta do Morumbi, tudo muda
A diferença entre as versões apareceu assim que trocamos de carro. O Tiggo 9 PHEV combina um 1.5 turbo a três motores elétricos, câmbio DHT e tração integral. São 428 cv e 59,2 kgfm. E não é uma diferença notável apenas na ficha técnica.
Ao acelerar, o PHEV responde com muito mais força. Há mais empuxe nas arrancadas e retomadas e uma sensação de sobra de desempenho que simplesmente não existe com a mesma intensidade no 2.0 turbo.
É justamente essa reserva que parece combinar melhor com o Tiggo 9. Estamos falando de um SUV grande, de sete lugares, com proposta sofisticada e que pode rodar frequentemente carregado de passageiros e bagagem. É também o tipo de veículo que eventualmente receberá blindagem, acrescentando ainda mais peso ao conjunto. Nesse cenário, a potência extra deixa de ser apenas um luxo.
CAOA Chery Tiggo 9 2027
PHEV também muda a equação do consumo
A vantagem do híbrido plug-in não está apenas no desempenho. Sua bateria tem 34 kWh e a CAOA Chery declara 108 km de autonomia elétrica, além de alcance combinado superior a 1.200 km com bateria carregada e tanque abastecido.
Isso permite uma rotina completamente diferente daquela oferecida pelo 2.0 turbo. Para quem percorre distâncias menores diariamente e consegue recarregar o carro com frequência, boa parte dos deslocamentos pode ser feita sem usar gasolina — exatamente como aconteceu durante o test drive pela capital paulista.
Existe, naturalmente, uma contrapartida. Comprar um PHEV desse porte faz muito mais sentido quando há possibilidade de carregamento doméstico. Isso significa instalar um wallbox ou, para quem mora em condomínio, verificar previamente a infraestrutura disponível para recarga.
Sem colocar o carro regularmente na tomada, perde-se uma parcela importante da vantagem de carregar uma bateria tão grande.
Os R$ 50 mil extras valem a pena?
É cedo para um veredito. Precisamos passar mais tempo com as duas versões, colocá-las na estrada, medir consumo e desempenho e experimentar o Tiggo 9 carregado para entender melhor as diferenças. Mas essa primeira volta já permite uma conclusão preliminar.
O Tiggo 9 2.0 turbo custa R$ 249.990 e entrega muito pelo dinheiro. Tem sete lugares, tração AWD, acabamento caprichado e praticamente todo o conteúdo que transforma o modelo no novo topo de linha da CAOA Chery.
O PHEV custa R$ 299.990, exatos R$ 50 mil a mais. Só que não entrega simplesmente mais potência. A eletrificação muda a personalidade do SUV, traz uma reserva de desempenho muito maior e acrescenta a possibilidade de rodar diariamente em modo elétrico.
Curiosamente, a própria CAOA Chery aposta na versão a combustão como a opção de maior volume. Depois desse primeiro contato, porém, foi o PHEV que pareceu o Tiggo 9 mais completo e coerente com a proposta do modelo. Ou seja, os R$ 50 mil extras parecem bem gastos.
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