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Fiat Mobi Trekking 2026 é um dos mais baratos, mas sua vida real é na labuta

Por R$ 85 mil e dependendo de vendas diretas, seus piores inimigos são um carro usado e serviços de assinatura

Teste Fiat Mobi Trekking 2026 - em movimento
Foto de: Motor1 Brasil

A última vez em que o Fiat Mobi passou por qualquer tipo de avaliação aqui no Motor1.com Brasil foi em novembro de 2021, num comparativo da versão de entrada Like com o Renault Kwid Zen escrito por mim. Na época, a dupla beirava os R$ 60 mil e já estávamos reclamando dos preços. Mas, há 4 anos, ainda tinham um resquício de esperança como alternativa acessível para se ter um 0km.

Hoje, o Fiat Mobi Trekking 2026 parte de R$ 84.990 e vai a R$ 88.770 com a cor e os opcionais do carro das fotos. Parece que reclamei de barriga cheia em 2021 e o resultado de um carro básico beirando os R$ 90 mil é que ninguém compra. Ninguém por CPF, deveria dizer. Tanto Mobi quanto Kwid dependem muito de vendas diretas (97,96% e 90,60% respectivamente nos dados de fevereiro) e nem preciso me aprofundar muito para expor que qualquer carro usado de R$ 80 mil pode ser uma escolha melhor. Mas o que resta então ao Mobi?

Galeria: Teste Fiat Mobi Trekking 2026

Trekking era para ter apelo

A descrição dos itens de série de um Fiat Mobi é uma das tarefas mais simples. Ar-condicionado, direção elétrica, ajuste de altura do volante, multimídia com Android Auto e Apple Carplay sem fios, rodas de aço com calotas de 14"... Um pacote simples, apenas com o que os 3% do público físico do Mobi iriam reclamar se não tivesse. É mais que a versão Like, que não vem nem com alto-falantes, quanto mais um rádio.

A opção com visual aventureiro traz adornos alusivos à versão (frase que não usava desde 2021), rodas pintadas, espelhos e maçanetas pintadas de preto brilhante e rack de teto. As duas versões do Mobi 2026 trazem apenas o obrigatório em segurança. No entanto, já é uma lista maior que airbag duplo frontal e freios ABS de 2021. Para 2026, mesmo o carro mais barato da Fiat já tem controle de estabilidade e luz diurna, esta que não é de LED e foi adaptada onde ficam os faróis de neblina.

Teste Fiat Mobi Trekking 2026 - roda
Foto de: Motor1 Brasil

Há dois opcionais instalados no carro das fotos. Um é o Pack Essential (R$ 990), com regulagem de altura dos cintos de segurança dianteiros, comando interno de abertura do porta-malas e tampa de combustível, faróis de neblina, função Tilt Down para o espelho direito, repetidores de seta no espelho e revestimento parcial do porta-malas. O outro é o Pack Top (R$ 2.000), com as rodas de liga leve de 14" pintadas de preto. A cor Vermelho Montecarlo, sólida diga-se de passagem, custa mais R$ 790.

A questão não está na lista de itens de série. O que limita o Fiat Mobi são suas medidas de mais de uma década atrás: 3,59 m de comprimento e um entre-eixos de 2,30 m são pouco para quem andar com mais do que 2 ocupantes. O porta-malas, de 200 litros, também exclui famílias. Nesse sentido, o Kwid tem mais espaço no banco traseiro e bagageiro. Talvez por isso tenha uma base de clientes pessoa física beirando os 10%, não 3% como no da Fiat.

Teste Fiat Mobi Trekking 2026 - motor
Foto de: Motor1 Brasil

Como o veterano Fire EVO não passa mais nas regras de emissões, o Fiat Mobi é oferecido sempre com o Firefly 1.0 de três cilindros. Não é novidade, pois o hatch tinha essa opção desde 2016 e a perdeu em 2020, mas retornou em 2025 para que a Fiat pudesse continuar vendendo o carrinho. Sem segredos, é um tricilíndrico com 2 válvulas por cilindro e variador de fase para o comando único no cabeçote. Com etanol, são 75 cv de potência e 10,7 kgfm de torque (71 cv e 10 kgfm com gasolina). O câmbio segue o manual de 5 marchas da marca, aquele mesmo que sempre arranha ao se engatar a ré.

Teste Fiat Mobi Trekking 2026 - dianteira
Foto de: Motor1 Brasil

Fundamento sólido

Como um carro que foi lançado em 2016, o Mobi já não tem mais falhas graves de caráter. Isso a Fiat já ajustou há muito tempo. Tanto que a comparação com um Renault Kwid sempre foi dominada pela escolha entre um carro bem acertado - o Mobi - ou um carro com espaço interno.

O visual já cansou. Advindo de um projeto do Uno com entre-eixos encurtado, harmonia não é um adjetivo aplicável. Parece que o Mobi é um carro até a porta do motorista, mas outro de lá até a traseira.

Ainda que o desempenho seja bem de carro de entrada mesmo, não dá negar o avanço do motor tricilíndrico. Ele acorda mais cedo que o antigo Fire EVO de 4 cilindros e tem mais fôlego praticamente em toda a faixa de rotações. Os perigos de se pegar a estrada com um carro 1.0 são coisa do passado. Especialmente viajando sozinho, o Mobi não deve potência, enquanto o torque a mais facilita o uso na cidade. No dia-a-dia também vai bem a embreagem de operação leve, ainda que seu ponto de fricção seja mais difícil de aprender.

Teste Fiat Mobi Trekking 2026 - em movimento
Foto de: Motor1 Brasil

O Fiat Mobi nunca foi um carro com medo de valetas e lombadas. Caso contrário, não seria o queridinho das empresas. Desde a linha 2021, vem sempre com suspensão elevada. Ajuda em usos mais severos que o de um carro urbano e até facilita um pouco o acesso para entrar e sair do carro, mas não atrapalha o carro na hora de fazer curvas. Afinal, ainda é um Fiat de menos de 1 tonelada (969 kg). 

Teste Fiat Mobi Trekking 2026 - painel de instrumentos
Foto de: Motor1 Brasil

Aqui, poderia apontar apenas dois pontos negativos. O primeiro sendo o grande computador de bordo com fundo branco, quase ofusca o velocímetro analógico que parece ficar em segundo plano. O outro é que já aos 60 km/h você já ouve ruídos de rodagem e vento, denotando a natureza básica do Mobi mesmo na versão Trekking. Ainda que sejam pontos para se ter atenção, temos que lembrar que ainda é um dos carros mais baratos do Brasil.

Por dentro, a única novidade da linha 2026 foi o uso do painel da Strada, já que ambos compartilham o projeto na Fiat. Na prática, uma mudança pequena para ergonomia do carro, que nunca foi um problema, ainda que a nova régua de botões acima da multimídia tenha dificultado o uso. Ativei o alerta de velocidade por engano enquanto futricava nos menus e levei 3 dias para entender como desligá-lo. Uma questão de conforto que o acompanha desde 2016 é a falta de apoio lombar no banco do motorista.

Teste Fiat Mobi Trekking 2026 - cabine
Foto de: Motor1 Brasil

Ao menos no visual esse painel novo tirou um pouco do atraso do hatch da Fiat. O acabamento de plástico não traz muito alegria à cabine, mas é resistente já falarei mais disso abaixo.

Fiat Mobi Like 2024 alugado em Salvador (BA)
Foto de: Motor1 Brasil

Para uma pessoa eventualmente física

Com apenas 3% dos Fiat Mobi sendo vendidos para pessoas físicas, a chance de você conhecer alguém que realmente tirou um 0km é estatisticamente baixa. Eu bato na trave, com uma cunhada tendo pegado um Mobi Trekking novo por meio de um serviço de assinatura. Ainda assim, é um emplacamento registrado como venda direta.

Se comprar um Mobi 0km hoje já não faz tanto sentido, ainda mais com tantas opções maiores e melhores no mercado de usados pelo mesmo preço, talvez ele venha a ser uma boa oportunidade no mercado de segunda mão. Mas atenção: seja de locadora ou de uma companhia, é sempre bom ver o estado em que o hatch da Fiat se encontra e como estão as manutenções.

O teste do Mobi Trekking coincidiu com uma viagem que fiz para Salvador (BA) onde aluguei, pasmem, outro Mobi (carro cinza nas fotos). Era um 2024/2024 Like com motor Fire EVO, mas mostrou como a plataforma resiste até ao pior que o Brasil tem a oferecer.

Fiat Mobi Like 2024 alugado em Salvador (BA)
Fotos de: Motor1 Brasil
Fiat Mobi Like 2024 alugado em Salvador (BA)
Fotos de: Motor1 Brasil

Logo na retirada, a atendente previu o que estava por vir e perguntou: "não quer pegar um Kwid? Está mais novinho". De fato, o Mobi que aluguei estava de dar dó. Mais de 60 mil km rodados em menos de 2 anos, ralados e cutucados em todos os cantos, pneus de marcas diferentes, luz de injeção acesa, uma roda faltando parafuso e um porta-malas tão ralado que parecia ter sido usado como transporte de material de construção.

O que você pensa sobre isso?

Torci para que esse carro parasse no meio do caminho, renderia uma ótima matéria. Mas não, nada aconteceu. Mesmo pedindo aposentadoria, esse Mobi cumpriu a função de levar eu e minha esposa do aeroporto a um casamento e voltando com uma amiga de carona sem pestanejar. Sabe o interior plástico e o banco desconfortável? Seguraram o tranco de rodar três vezes a média anual brasileira nas mãos dos mais diversos usuários e no calor da capital baiana sem sinal de desgaste. O mesmo pode ser falado do conjunto mecânico e da suspensão.

Claro, um carro como esse que peguei não vai aparecer numa loja de seminovos de locadora. Seu destino provavelmente será pior: ir para os serviços de aluguel para motoristas de aplicativo. Mas pegar um Mobi saído de uma empresa ainda pode ser uma boa oportunidade, o carro aguenta e as locadoras já estão comprando até mesmo a versão Trekking. Talvez não seja o melhor 0km hoje, mas daqui dois anos, a história muda.

Fiat Mobi Trekking 1.0

Motor dianteiro, transversal, 3 cilindros, 6 válvulas, comando único com variador de fase na admissão e no escape, injeção indireta, aspirado, flex
Potência e torque 75 cv (E)/ 71 cv (G) a 6.000 rpm; 10,7 kgfm (E) / 10 kgfm (G) a 3.250 rpm
Transmissão câmbio manual de 5 marchas, tração dianteira
Suspensão McPherson na dianteira e eixo de torção na traseira; rodas de 14" com pneus 175/65
Comprimento e entre-eixos 3.596 mm e 2.304 mm
Altura 1.552 mm
Largura 1.666 mm
Peso 969 kg em ordem de marcha
Capacidades porta-malas: 200 litros; tanque de combustível: 44 litros
Preço de entrada R$ 84.990
Preço como testado R$ 88.770
Aceleração 0 a 60 km/h: 5,5 s; 0 a 80 km/h: 9,2 s; 0 a 100 km/h: 14,3 s em 255,3 m; 201 metros em 12 s e 91,4 km/h
Retomada 40 a 100 km/h: 12,3 s em 247,9 m; 80 a 120 km/h: 14,4 s em 408,6 m
Consumo de combustível cidade: 9,8 km/litro; estrada: 15,1 km/litro (gasolina)
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