Teste GWM Tank 300 PHEV: o sinal da rebeldia (ou quase isso)
Para fugir dos padrões, SUV aposta no estilo clássico, mas ainda faz algumas cópias
Olhe para qualquer estacionamento de shopping e conte quantos SUVs médios híbridos chineses, GWM ou BYD, você vê. Muitos, certo? Nesta faixa de público e preço, há quem queira fugir do normal e se destacar de alguma forma, mas sem ficar muito fora do que está na moda. Por isso que vemos um bom número do GWM Tank 300 nas ruas, mesmo que seu projeto vá um pouco além disso.
Visual quadradão, com claras inspirações em Jeep Wrangler e Mercedes-Benz Classe G, mas ainda um SUV híbrido cheio de tecnologias. O GWM Tank 300 custa R$ 339 mil e, com certeza, roubou clientes até dentro de casa, que chegaram para olhar um Haval H6 GT (R$ 325 mil) e foram para o Tank justamente por esta "rebeldia" que um SUV com esse estilo carrega. Mas a escolha foi certa?
A robustez eletrificada
O Tank 300 é feito na arquitetura chassi-carroceria, até hoje uma boa forma de se ter maior rigidez e resistência principalmente em uso fora-de-estrada mais intenso - não que esse carro vá viver isso. Completo, tem 4.760 mm de comprimento (sendo 2.750 mm entre os eixos), 1.930 mm de largura e 1.903 mm de altura, ou seja, maior que um Haval H6 (4.727 mm), mas menor que o novo Haval H9 (4.950 mm), o SUV recém-apresentado pela GWM com motorização turbodiesel.
Embaixo da carroceria, temos um conjunto bem interessante. Começa pelo motor 2.0 turbo, gasolina com injeção direta, que já o diferencia dos Haval H6 e seu 1.5 turbo. No lugar de simplesmente deixá-lo para a tração dianteira e colocar o motor elétrico no eixo traseiro, a engenharia priorizou o uso fora-de-estrada com um sistema que responde melhor nesta situação. Aqui entra o câmbio automático, conversor de torque, com nove marchas, acoplado a um motor elétrico que, em conjunto com o 2.0 turbo, geral 394 cv e 76,4 kgfm.
Este conjunto dianteiro está ligado a um diferencial central que manda a força, em primeiro momento, ao eixo traseiro. A partir disso, ele pode trabalhar também como 4x4 bloqueado e reduzida, se necessário, inclusive com o bloqueio dos diferenciais dianteiro, traseiro e central, comandados pelo motorista. Não há muito mistério ou complexidade do que qualquer um acostumado com carros 4x4 já conhece, com a diferença do motor elétrico acoplado no conjunto.
Para alimentar este sistema, uma bateria de 37,1 kWh, instalada acima do eixo traseiro, com recarga em AC de 6,6 kW ou DC de até 50 kW - com isso, a recarga completa em AC é feita em 6,5 horas e, em DC, de 30 a 80% em 24 minutos. E esta parte é fundamental no que veremos mais adiante sobre como é viver com o Tank 300.
Estilo não tão único
A própria GWM assume que o Tank 300 tem muita inspiração em Jeep Wrangler e Mercedes-Benz Classe G. Os faróis redondos, os para-lamas destacados em preto, as lanternas verticais e o estepe na traseira fazem as pessoas olharem na rua e tentarem desvendar que carro é esse. O jeito caixotinho mistura alguns pontos arredondados, como os vidros e até a linha de cintura, o que suaviza o aspecto geral. As rodas de 18" vestem pneus de uso misto 265/60.
Por dentro, um bom acabamento com couro e materiais suaves ao toque, mas é um filhote do Classe G. As saídas de ar redondas, iluminadas com LEDs, e o relógio analógico central nos levam direto ao G-Class. As duas telas de 12,3" cada tem boa definição, apesar de uma cerca dificuldade para entender algumas informações do painel de instrumentos ou, quando está em modo de navegação, insistir em falar a velocidade e alertar sobre qualquer coisa que aparece...literalmente.
No console central, o Tank 300 tem diversas coisas: seletor de marcha, seletor de tração, seletor do modo de tração (são cinco que atuam em diversos sistemas do carro), bloqueios dos diferenciais individuais, seletor de modos de condução e até mesmo uma função que trava a roda interna para reduzir o raio de giro do SUV, recomendado apenas na terra para não danificar o sistema de tração, além de muita coisa que aparece na tela para ser ajustado.
O espaço interno é amplo, com bancos confortáveis (ajustes elétricos nos dianteiros) e bastante espaço principalmente no banco traseiro que, mesmo com tração 4x4, conseguiu manter um piso quase plano. Há saídas de ar-condicionado e duas portas USB-C para recarga de smartphones, além do couro nas portas e um apoio de braços central. O porta-malas, por causa da bateria abaixo, é raso, com apenas 360 litros de capacidade, ainda dividindo espaço com a bolsa de ferramentas obrigatórias e do carregador de bordo.
Acredite, você vai precisar do elétrico
Imponente, o Tank 300 reflete isso no seu uso. Não é o mais prático pelo seu tamanho, mas como não difere muito de um H6, por exemplo, é usável mesmo nos grandes centros. Nos primeiros dias, entendi a boa suspensão calibrada para conforto e que permite ignorar algumas lombadas e valetas sem batidas secas. O modo elétrico me deu 80 km de alcance sem ligar o 2.0 turbo, um bom número se você tem um carregador em casa, por exemplo, e cumpre seu trajeto diário com essa média.
Como o motor elétrico está na transmissão, ele também tem sua rotação reduzida a cada troca de marchas, mesmo sem o motor a combustão, e isso ajuda neste bom alcance. Diferente de outros híbridos PHEV, ele vai até o final da bateria permitindo o modo EV, enquanto outros não permitem abaixo dos 20 a 25%. O torque disponível a todo momento ajuda, afinal, são 2.630 kg de SUV chinês.
Em modo híbrido, o 2.0 turbo aparece depois que o Tank arranca com a ajuda do motor elétrico. Juntos, o SUV ganha muita velocidade e nem combina muito com sua suspensão focada em conforto e fora-de-estrada, apesar de não passar insegurança. Em nossos testes, foi aos 100 km/h em 6,5 segundos, com retomadas abaixo dos 5 segundos, bons números pelo seu peso e porte.
Só que o consumo não foi sua estrela. Garanta que seu Tank 300 está sempre carregado com a possibilidade do modo EV pois, em modo híbrido, marcou 7,9 km/litro na cidade e 9,5 km/litro na estrada. São números bons pensando em seu peso, aerodinâmica e todo o conjunto 4x4, mas longe do que esperado para um carro híbrido. Ainda bem que o modo EV pode te ajudar a não gastar todo esse combustível no uso diário. Sem bateria então, esse consumo tende a piorar bem.
No fora-de-estrada, ele vai muito bem. O curso de suspensão é bom e a estrutura aguenta as torções, além do conjunto de transmissão ajudar em diversas situações, desde uma estrada de terra batida até algo mais complexo - que, na real, poucos donos irão visitar. Depois das fotos, o Tank 300 foi alvo até de fotos nas ruas pois, com certeza, nunca aparecerá sujo assim com seus donos. Alguns modos em diversos casos nunca serão sequer ativos. É tudo questão de estilo, não uso. Mas estão ali.
E vamos repetir uma reclamação: como em todo GWM, os assistentes de condução são invasivos e exagerados e precisam ser desligados a todo momento em que o carro é desligado. Ao menos o piloto automático adaptativo e assistente de faixas funcionam bem, mas os alertas incomodam - em um dos modos do painel, ele avisa mudança de velocidade, semáforo e até mesmo curvas, mesmo sem navegação ativa.
Nem precisava de tudo isso
O GWM Tank 300 é figura bem presente nas ruas, considerando seu tempo de lojas. Entendo, pois gostei desse estilo e da possibilidade de rodar em modo elétrico, apesar do consumo não tão bom quando em modo híbrido. Pra quem quer jeito de fora-de-estrada sem gastar como em um Classe G ou o certo desconforto de um Wrangler, é uma boa opção em porte e preço.
Nem mesmo a chegada do Haval H9, maior e turbodiesel por R$ 319 mil, deve atrapalhar a vida do Tank 300 na concessionária GWM. O rebelde visual ainda é híbrido e cheio de tecnologias, o que muita gente procura e quer disfarçar com essa roupa descoladona e clássica. Por enquanto, arrisco dizer ser o melhor chinês "generalista" do mercado.
GWM Tank 300 PHEV
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