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Teste BYD Song Plus 2026: então você quer ser brasileiro?

Enquanto marca carrega nas tintas das propagandas, SUV evolui, mas ainda pode melhorar se a ideia é agradar ao nosso público

Teste BYD Song Plus 2026 - dianteira
Foto de: Motor1.com

"A BYD é do Brasil". Provavelmente, você já foi impactado por esse comercial em algum lugar. Ainda que a produção não tenha começado oficialmente em Camaçari (BA), a empresa já está passando cheques de brasilidade que a linha de montagem ainda não tem saldo para bancar. No final de maio, a marca renovou o Song Plus, um de seus carros mais vendidos por aqui e um dos que não estão na lista de nacionalização.

Em resumo, o SUV híbrido ganhou o visual da versão Premium, itens extras e se apóia numa frase que escutei muito na faculdade: "brasileiro é um povo novidadeiro". A BYD desembarcou trazendo tecnologias que as marcas estabelecidas por aqui mal tinham tirado do papel, principalmente em elétricos e híbridos plug-in como o SUV. Com preços atrativos e algo novo, não é tão difícil explicar como os brasileiros venceram o preconceito com produtos chineses. Sempre bom ter um competidor novo para balançar o mercado, mas se a chinesa quer realmente ser "do Brasil", o Song Plus 2026 de R$ 249.990 ainda tem pratos de arroz com feijão para comer.

Galeria: Teste BYD Song Plus 2026

O Song Plus 2026

O SUV renovado da BYD foi apresentado no final de maio. A novidade? Chegou às concessionárias ao preço de R$ 249.990, ou cerca de R$ 5.190 a mais que o Song Plus vendido até então. Na parte visual, a nova versão do Song Plus já está sendo vendida na China desde o ano passado e o aproxima um pouco da identidade visual dos carros da linha Ocean Face X.

Na dianteira, o Song Plus 2026 abandonou a grade hexagonal larga para usar uma entrada de ar menor, formada por barras horizontais, agora presente apenas na parte inferior do para-choque. Perde também a faixa cromada entre os faróis. Os faróis têm design mais parecido com os da família Seal, mais angulares e com uma linha dividida na parte inferior.

Teste BYD Song Plus 2026 - dianteira
Foto de: Motor1.com

A traseira tem lanternas que ainda continuam conectadas, mas agora têm novo desenho, com o logo da BYD na parte de cima, ao contrário do Song Plus vendido até então, que tinha o nome Build Your Dreams na parte inferior. Outra mudança aqui é que a placa subiu do para-choque para a tampa do porta-malas.

Na parte interna, o Song Plus adotou a linguagem visual mais recente dos modelos da marca, contando agora com interior em tonalidade preta combinada com detalhes em laranja na parte central dos bancos. Nas portas e nos assentos, há ainda costuras em vermelho. Na dianteira, os bancos permanecem com encosto inteiriço, enquanto na sua parte traseira há portas revistas dos dois lados.

Para os bancos do motorista e do passageiro dianteiro há ainda ajustes elétricos (8 para motorista e 4 para passageiro), além de aquecimento e ventilação. Na parte traseira, há assoalho plano, saídas de ar-condicionado, duas portas USB (A e C), luzes de leitura, porta-objetos e teto solar panorâmico. Já no painel, o desenho é bem próximo ao do Premium, com central multimídia de 15,6'' e sistema de som Infinity com 10 alto-falantes.

Teste BYD Song Plus 2026 - motor
Foto de: Motor1.com

Apesar do novo visual, a motorização não sofreu modificações, já que o SUV recebeu novidades no seu motor 1.5 para a linha 2025. O aspirado foi de 110 para 98 cv, com 12,4 kgfm de torque. Por sua vez, o motor elétrico foi dos 179 cv e 32,2 kgfm para 197 cv e 30,6 kgfm. A entrega combinada, porém, segue de 235 cv e 40,8 kgfm. A capacidade de recarga foi de 3,3 kW para os 6,6 kW, enquanto as baterias mantém os 18,3 kWh. Nas medidas, o SUV tem 4.775 mm de comprimento, 1.890 mm de largura, 1.670 mm de altura e 2.765 mm de entre-eixos. O porta-malas tem 552 litros de capacidade e o carro pesa 1.790 kg.

Teste BYD Song Plus 2026 - traseira
Foto de: Motor1.com

Quando o bom não basta

A evolução do BYD Song Plus é literalmente vistosa. Assumiu a roupagem de Song Premium, mas manteve o conjunto motriz com motor aspirado que lhe ajudou a não encarecer tanto. Mas a nova carroceria trouxe novos desafios. Com a linha de cintura mais larga e pneus relativamente finos para o tamanho do carro, o Song parece ter as rodas traseiras inclinadas para dentro quanto olhado pela parte posterior. 

A dianteira deu um visual mais moderno ao SUV, por outro lado deixou o Song Plus mais difícil de manobrar. A linha do capô acaba bem além do que você consegue enxergar, então cuidado é necessário quando você entrar de bico numa vaga. Ao menos o sistema de câmeras com visão de 360º ajuda nessas horas.

Teste BYD Song Plus 2026 - painel
Foto de: Motor1.com

O nível de acabamento também evoluiu, com mais materiais macios ao toque e a porção superior da cabine em preto. Os tons contrastam com bancos e consoles brancos com detalhes laranjas. Mas isso leva a alguns questionamentos. Uma marca que se diz "do Brasil" já não deveria ter entendido que brasileiro prefere interior todo preto? Eu não gosto, mas público pede e uma das mudanças do rival GWM Haval H6 para o mercado brasileiro foi exatamente essa.

Outra coisa que brasileiro não curte é ter no carro de R$ 250 mil a mesma experiência de telas de um BYD Dolphin Mini, que custa metade do preço. O painel de instrumentos digital é pequeno e os gráficos já aparentam ser datados. A customização das informações existe, mas são limitadas. Até hoje, o sistema da BYD não permite configurar a exibição de consumo em km/l, o dado aparece em L/100 km. Além disso, o computador de bordo exibe no máximo uma média de consumo aferida a cada 50 km, não o acumulado de um trecho que o usuário definiu. Mais dados que isso você precisa desenterrar as informações em menus da multimídia.

Teste BYD Song Plus 2026 - painel
Foto de: Motor1.com

Sua tela giratória não tem utilidade ao se espelhar smartphones via Android Auto ou Apple Car Play, pois ela deixa de virar e fica apenas em modo horizontal. Com as luzes ambiente no painel, achei que pessoas menos interessadas em carros se interessariam. São diversas cores e funções que podem variar as tonalidades até conforme a música ou por temas pré-definidos. Mostrei para a minha esposa, que respondeu apenas com um sonoro "brega". 

O espaço traseiro, como em um bom carro de origem chinesa, é farto. Mas a cabine não é tão larga, então é para dois passageiros adultos com um terceiro ficando apertado nos ombros. As portas têm boa abertura, caso seu uso inclua assentos infantis. Mas se você tem dois, não vai levar mais ninguém por lá. É o mesmo com o bagageiro. Os 552 litros declarados parecem mais do que o suficiente, até você ter que usá-los.

Teste BYD Song Plus 2026 - porta-malas
Foto de: Motor1.com

Para colocar minha pequena bicicleta elétrica e dobrável, tive que rebater os encostos do banco traseiro. Com o BYD King, que tem um porta-malas menor em litragem e uma abertura limitada, consegui cumprir a tarefa sem problemas. Nem o Fiat Cronos 2026 que testamos recentemente precisou rebaixar o banco. Isso tudo coloca o Song Plus 2026 numa categoria complicada para mim. É maior por fora do que por dentro.

E dirigindo? O conjunto motriz já conhecido não decepciona. O mais comum de acontecer nos primeiros dias foi pisar rapidamente no acelerador e o pesado SUV sair cantando pneu. Desempenho não falta. É muito difícil você ficar completamente sem bateria, condição que exporia os 98 cv de potência do motor a combustão trabalhando sozinho contra 1,8 tonelada de SUV. Por volta dos 20% de carga, o Song Plus cancela o modo 100% elétrico e liga o motor a combustão também para carregar a bateria.

O carro é bem isolado acusticamente, sendo até difícil perceber quando o carro liga o motor a combustão. Você precisa se atentar à vibração. A questão é que, na estrada e em modo híbrido, o 1.5 aspirado funciona constantemente, impactando o consumo. Dos até 1.200 km de autonomia total que a BYD anuncia em seu site para o Song Plus, uns 700 km são críveis em rodovia, baseado em nossos testes.

Teste BYD Song Plus 2026 - lateral
Foto de: Motor1.com

Na estrada, o peso alto joga contra em outro sentido. A suspensão do SUV é suave, voltada para o conforto como os chineses - e suas estradas bem menos esburacadas e desafiadoras que nossas - gostam. É apontar o volante para fora de seu centro e você sente a grande transferência de massa para os lados, com BYD Song Plus adernando de forma perceptível.

E voltando ao gosto "novidadeiro", o Song Plus não tem carregamento em corrente contínua, apenas alternada. Isso limita a potência máxima de carga a 6,6 kW. Isso já é um ponto de cautela, sendo que rivais podem oferecer taxas de carregamento maiores e até em corrente contínua encontrada em carregadores rápidos. O pacote ADAS pode ser completo, mas isso não se traduz em uma experiência agradável. Usar o controle de cruzeiro adaptativo com o assistente de centralização de faixa faz com que o volante fique constantemente movendo de um lado para o outro, mesmo em linha reta. Em algum momento perdi a paciência e assumi o volante.

O primeiro Song Plus chamou a atenção por trazer algo novo e que ao menos alguns brasileiros sonharam e compraram. O atual mudou de cara, evoluiu os equipamentos, mas manteve exatamente o mesmo conjunto motriz e a experiência de telas de um BYD King GS, que é bem mais em conta (R$ 191.900 sem promoção). Só por isso já difícil justificar os R$ 60 mil a mais por 6 cm a mais de altura de solo (120 mm contra 180 mm do SUV) e equipamentos extras.

BYD Song Plus vs. GWM Haval H6 PHEV19
Foto de: Motor1.com

E não podemos esquecer que um GWM Haval H6 PHEV19 tem um conjunto de baterias de capacidade similar, uma lista parelha de equipamentos e é mais barato (R$ 245.000). Só que o Haval já sabe o que os brasileiros gostam e vem de série sempre com motor 1.5 turbo associado ao elétrico, entregando nada menos que 326 cv de potência e 54 kgfm de torque.

Uma hora o ar de novidade vai acabar e, na substância, há SUVs médios híbridos plug-in que entregam mais por menos. Até agora, não temos nenhuma confirmação de que veremos o Song Plus com um número de chassi começando com 9BR, como qualquer carro feito no Brasil. Para dizer a verdade, nem os já confirmados Dolphin Mini, Song Pro e King estão vindo com esse prefixo ainda. 

O SUV renovado da BYD evoluiu bastante. Mas, para se chamar de brasileira, a marca já deveria ter aprendido que ser apenas bom não basta por aqui.

Fotos: Mario Villaescusa (para o Motor1.com)

BYD Song Plus PHEV 2026

Motor dianteiro, transversal, 4 cilindros, 16 válvulas, 1.498 cm3, comando duplo com variador na admissão, gasolina + 1 elétrico
Potência e torque 98 cv a 6.000 rpm e 12,4 kgfm a 4.500 rpm (combustão); 194 cv e 33.1 kgfm (elétrico); Combinada: 235 cv; 40,8 kgfm
Transmissão automática transeixo; tração dianteira
Suspensão McPherson na dianteira; multilink na traseira; rodas de 19" com pneus 235/50
Bateria 18,3 kWh; AC: 6,6 kW
Comprimento e entre-eixos 4.775 mm; 2.765 mm
Altura 1.670 mm
Largura 1.890 mm
Peso 1.790 kg em ordem de marcha
Capacidades porta-malas: 552 litros; tanque: 57 litros
Preço como testado R$ 249.990
Aceleração 0 a 60 km/h: 4,1 s; 0 a 80 km/h: 6,1 s; 0 a 100 km/h 8,5 s
Retomada 40 a 100 km/h em S: 6,3 s; 80 a 120 km/h em S: 5,6 s
Autonomia elétrica 110 km
Consumo de combustível cidade: 55,5 km/l; estrada: 24,3 km/l
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