Teste: Mitsubishi Triton Katana 2026 evolui, mas não estraga o que era bom
Picape não deve nada para a concorrência, mas não é apenas com produto que o segmento vende
Por mais que algumas marcas tentem, o comprador de picapes médias é bem tradicionalista. Mas ao mesmo tempo em que eles não aceitam grandes mudanças, ainda procuram novidades e tecnologias que colaborem no uso das picapes e, claro, justifiquem os seus preços. Motor turbodiesel potente, assistentes de condução e conforto podem ser listados como os principais pontos em uma lista de prioridades.
A nova Mitsubishi Triton 2026 é mais ou menos isso. Além de perder o L200 do documento, a picape média trocou de chassi, recebeu um novo motor e ficou mais confortável, mas olhou bastante para o que seus clientes já tanto valorizavam, como robustez e resistência. Mas ninguém garante que isso a colocará entre as médias mais vendidas por outros motivos, e não é culpa do produto em si.
Nova, nova mesmo
Não estamos diante simplesmente de uma grande reestilização da Triton. Pra começar, o chassi é novo, mais rígido e com novos pontos de fixação de carroceria, além de maior no entre-eixos, que ganhou 130 mm e foi aos 3.130 mm. Bitolas ficaram mais largas, o que aumentou a largura da picape em 50 mm, e adicionou 20 mm no comprimento com a carroceria instalada, chegando a 5.360 mm. A própria carroceria, aliás, não tem peças compartilhadas com a anterior.
O design da nova Triton justifica até a troca do nome. É tudo bem diferente, como os vincos laterais bem marcantes e a dianteira com os faróis em duas partes e uma grande grade. Na traseira, novas lanternas em LEDs e, nesta versão, a tampa tem até um pequeno aerofólio, acompanhado do santantonio em preto, cor que substitui o cromado na Katana - acredite, fica melhor em cores escuras que em claras, que acabam destacando demais os exagerados detalhes em preto, como este santantonio e os apliques nas caixas de rodas.
Se um dia critiquei o interior da L200 Triton, não me lembro. A nova geração troca totalmente um ponto que envelheceu bastante em sua antecessora, ao mesmo tempo em que não apelou a exageros tecnológicos e desafios de usabilidade. A multimídia de 9" tem espelhamentos sem fios e GPS integrado, mas mantém diversos botões físicos, inclusive para o sistema de câmeras 360 e volume do som, e manteve os comandos do ar-condicionado, de duas zonas, em botões e comandos separados.
O próprio dashboard, com linhas horizontais, é mais moderno tanto em visual quanto em materiais, consideravelmente melhores que o anterior, com direito a parte em tecido (inclusive nas portas, totalmente novas) e costuras marrom para contrastar com o couro e outros itens em preto. O curioso é perceber peças que conhecemos da Nissan, como a iluminação no teto, alguns botões e comandos, chave e o próprio painel de instrumentos com tela de 7" acompanhada de mostradores analógicos, que recebeu ao menos um visual exclusivo para a Mitsubishi.
Esse painel é bem completo de informações e não abriu mão dos analógicos nos principais pontos, o que particularmente acho mais charmoso que uma tela por completo. No console central, o seletor de tração é o mesmo da anterior, com o botão do seletor de modos de condução, assistente de descida e, mais acima, o bloqueio do diferencial traseiro. Sim, o freio de estacionamento é na alavanca. Eu avisei que era uma mistura do novo com o clássico.
A Triton é melhor que a L200
A antiga L200 Triton era uma boa picape, mas a evolução vai além de um visual bem diferente. Primeiro, o motor 2.4 pode parecer o mesmo, mas estamos lidando com uma evolução, saindo o 4N15 e entrando o 4N16, que tem um curso pouco menor e cilindrada reduzida de 2.442 para 2.439 cc. Recebeu um segundo turbo, além de atualizações em injeção e até na refrigeração, com polia viscosa no lugar da elétrica, um caminho contrário de algumas concorrentes.
Em números, foi de 190 cv (3.500 rpm) e 43,9 kgfm (2.500 rpm) para 205 cv (3.500 rpm) e 47,9 kgfm (2.750 rpm), uma evolução considerável e importante neste segmento, com boa parte da concorrência acima dos 200 cv, e um trabalho árduo da engenharia para aumentar potência em uma era de normas mais restritivas de emissões - e contou com a ajuda do Arla32, que segundo a marca, tem um tanque que a faz rodar cerca de 10.000 km sem reabastecer.
Na prática, a suavidade do motor é destaque. Tanto em vibrações quando isolamento acústico, a nova Triton evolui consideravelmente da anterior, um oferecimento tanto do motor quanto da nova carroceria e chassi. Curioso é que é uma das únicas picapes a diesel com sistemas start-stop do nosso mercado, mesmo que ele atue em alguns momentos onde acaba atrapalhando alguma saída rápida, por exemplo. Normas e normas...
A picape ficou bem mais esperta. Qualquer comando no acelerador e ela responde de imediato, com os turbos em série, dando força logo em baixas rotações e sem perder fôlego em alta. O câmbio de seis marchas foi recalibrado, faz as trocas de forma suave e não se perde, aproveitando tanto o torque disponível quanto se adaptando ao modo de condução escolhido, principalmente entre o Eco e o Normal no 4x2. A própria Mit justificou a escolha do 6-marchas como "suficiente para o projeto".
No consumo, ela evoluiu. Na cidade, foi de 9,3 km/litro para 10,6 km/litro, um bom número para o 2.4 que ficou mais potente, que inclusive colabora para as respostas em baixas e evita que o câmbio precisa esticar as marchas. Na estrada, a evolução foi de 12,1 para 13,9 km/litro, mesmo sem receber um câmbio com mais marchas, o que dá uma autonomia de mais de 1.000 km rodoviários. Veja na tabela abaixo a comparação entre as gerações.
| L200 Triton 2024 | Triton 2026 | |
| 0 a 60 km/h | 4,7 s | 4,7 s |
| 0 a 80 km/h | 7,6 s | 7,4 s |
| 0 a 100 km/h | 11,5 s | 11,0 s |
| 40 a 100 km/h | 8,9 s | 8,4 s |
| 80 a 120 km/h | 8,5 s | 8,2 s |
|
Consumo urbano |
9,3 km/litro | 10,6 km/litro |
| Consumo rodoviário | 12,1 km/litro | 13,9 km/litro |
Justificando o preço
As picapes médias, principalmente versões topo de linha, buscam justificar etiquetas acima dos R$ 300 mil. A Triton Katana chega carregada de itens tecnológicos, como piloto automático adaptativo, alerta de colisão com frenagem automática, alerta de ponto-cego, câmeras 360 e alerta de saída de faixas, entre outros itens. Mas a engenharia dedicou um tempo a fazer uma picape boa para dirigir em todas as situações.
Essa calibração é local e entende como o consumidor usa uma picape média no nosso país. Primeiro, o curso da suspensão aumentou, perceptível principalmente na dianteira, onde a Triton não chega ao fim de curso mesmo se passar rápido em lombadas, valetas e buracos. Com a nova direção elétrica, além de maior conforto nas manobras, o motorista não recebe todo esse impacto, o que colabora principalmente em viagens mais longas ao volante.
Ao mesmo tempo em que é confortável, o comprador de picape no Brasil gosta de pegar estrada e andar bem. Nisso, o novo 2.4 vai muito bem e não reclama, mas a dinâmica também é elogiável. A direção tem boas respostas e bom peso em velocidade mais alta (vantagens da caixa elétrica com a variação), mas a Triton tem um bom sistema de vetorização de torque que, quando percebe que algo saio dos trilhos, atua com os controles de estabilidade e tração para colocar tudo em ordem.
Também mantém da anterior o sistema de tração com a possibilidade de rodar no 4x4 variável, bom para asfalto com chuva, por exemplo, além de ampla capacidade fora-de-estrada com o 4x4 blocado e a caixa de redução, além do diferencial traseiro com blocante mecânico, que não esquece de onde ela veio e para onde seus compradores irão: fora-de-estrada. Com direito a seletor de modos para diversos tipos de terreno, atuam em como acelerador, câmbio, tração e controles eletrônicos atuam em cada situação.
Evolução que precisa ser colocada nas ruas
Essa nova geração da Mitsubishi Triton realmente coloca uma régua interessante no que as picapes precisam observar. Melhorou pontos onde a anterior era criticada, mas mantém as qualidades que fazem seus compradores tão fiéis por décadas e precisa ser considerada pelos donos de picapes da concorrência, principalmente as que ainda não mudaram ou se renderam a reestilizações.
Só não será líder pela rede menor da Mitsubishi no Brasil. Há esforços da marca para melhorar isso, como observamos há algum tempo, mas ainda não é o suficiente diante da rede de Toyota e Chevrolet, por exemplo, que é um fator importante de decisão de compra deste segmento. O bom produto veio, falta o restante.
Fotos: Mario Villaescusa (para o Motor1.com)
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Para mostrar toda a tecnologia e avanço da Triton 2025, a Mitsubishi nos convidou para uma avaliação completa que durou três dias: a primeira parada do percurso de três dias foi o autódromo Vellocittá, a segunda fase foi uma viagem até a Serra da Canastra. Off-road da vida real. Cascalho, terra e muita, mas muita poeira fina, a ponto de não conseguir ver o carro da frente.
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Mitsubishi Triton 2.4TD
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