Enquanto Brasil espera, Renault já tem Duster híbrido de 29 km/l na Índia
Nova versão E-Tech tem motor 1.8 de 160 cv e roda como um Toyota; no Brasil, marca vai usar sistema diferente no Boreal
Hoje entre os carros mais antigos da Renault no país, o Duster vive uma verdadeira indefinição dentro da gama da francesa. Ainda parte da velha linha derivada dos Dacia, o modelo já não dialoga mais com Megane, Boreal e Koleos, mas também não há confirmação de uma nova geração para o país no curto a médio prazo.
Já na Índia, onde o modelo sempre teve apelo forte, a francesa fez questão de ter uma versão própria da terceira geração, aproveitando muito do Boreal em equipamentos e até na motorização a combustão. Agora, a marca abriu as reservas de uma configuração híbrida plena, tal como um Toyota Yaris Cross ou Jaecoo 5, prometendo consumo na casa dos 29 km/l de gasolina.
Híbrido de verdade
O conjunto escolhido para o Duster indiano é o conhecido E-Tech, que combina um motor 1.8 aspirado de quatro cilindros a gasolina com dois motores elétricos, sendo um gerador de 20 cv e outro de 49 cv responsável por movimentar as rodas. A potência combinada chega a 160 cv e 17,5 kgfm de torque, enquanto uma bateria de 1,4 kWh alimenta o sistema, que não precisa ser ligado à tomada.
Essa motorização pertence à mesma família utilizada pelo novo Renault Clio, de sexta geração, e que também equipa os Dacia Duster e Sandero vendidos na Europa, embora com pequenas diferenças de calibração e potência entre os modelos.
O sistema utiliza um câmbio automático que gerencia o funcionamento dos motores a combustão e elétricos, escolhendo quando cada um deve trabalhar e permitindo que o carro rode apenas com eletricidade em determinadas situações.
Segundo a Renault, o conjunto permite que o Duster percorra até 80% do tempo de condução urbana utilizando apenas eletricidade, aproveitando a recuperação de energia nas frenagens e o desligamento do motor a combustão em baixas velocidades. Com isso, a fabricante anuncia um consumo de 29 km/l de gasolina, número homologado pelo ciclo indiano ARAI, que utiliza critérios diferentes dos adotados pelo Inmetro brasileiro.
Na Índia, as reservas já estão abertas, com o lançamento marcado para 17 de outubro, ainda sem preços ou versões da configuração híbrida divulgados. De qualquer forma, ela deverá ficar acima das opções 1.0 e 1.3 turbo vendidas hoje, com preços entre 1.049.000 e 1.869.000 rúpias (aproximadamente R$ 54,3 mil e R$ 96,7 mil em conversão direta).
Renault Boreal
Renault Niagara
No Brasil, Renault vai de Boreal e Niagara híbridos leves e SUV com base Geely
Já por aqui, a marca francesa vai atacar com uma solução diferente, que deverá estrear no Boreal e na picape Niagara ao longo de 2027. A fabricante confirmou em setembro a nacionalização da tecnologia Hybrid E-Tech 4x4 flex, desenvolvida para combinar o conhecido motor 1.3 turbo com um sistema elétrico de 48 volts, capaz de funcionar também com etanol.
Esse conjunto deverá utilizar um motor elétrico de 31 cv e 8,9 kgfm instalado no eixo traseiro, alimentado por uma pequena bateria de 0,84 kWh. Diferentemente dos híbridos leves mais comuns, que apenas auxiliam o motor a combustão, essa solução também consegue movimentar as rodas traseiras e oferecer tração integral sem depender de uma ligação mecânica entre os eixos, permitindo até rodar por alguns momentos com o motor a combustão desligado.
Geely EX5 EM-i na fábrica da Renault
Os planos brasileiros também incluem um novo SUV desenvolvido a partir da parceria com a Geely, utilizando a plataforma GEA, que já serve de base para o EX5 EM-i híbrido plug-in. O modelo deverá ser produzido em São José dos Pinhais (PR) em 2027, mas não sabemos qual será seu posicionamento dentro da gama da marca, nem se ele aposentará ou conviverá com o Duster.
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