Fiat Titano e Ram Dakota não decolam e Stellantis corta produção na Argentina
Com vendas das picapes médias abaixo do esperado, empresa encerra um dos turnos na fábrica de Ferreyra (ARG)
A Stellantis decidiu readequar o ritmo industrial de seu polo produtivo em Ferreyra, na província de Córdoba (ARG), e cortará um dos dois turnos de trabalho da linha de montagem das picapes Fiat Titano e Ram Dakota a partir de setembro. A informação foi apurada e divulgada pelo jornalista Horacio Alonso no site argentino A Rodar Post e confirmada oficialmente pela montadora.
A medida é motivada pela desaceleração da demanda no mercado interno argentino e pela retração no ritmo de exportações dos dois modelos, afetando diretamente os volumes enviados a mercados vizinhos como o Brasil, o principal mercado de exportação e o que teve vendas bem abaixo do esperado pela empresa. A linha de produção do sedã Fiat Cronos não sofreu alterações e continuará operando normalmente em seu ritmo tradicional.
Corte drástico no volume anual de picapes
Com a eliminação do segundo turno, a projeção de fabricação das picapes foi severamente revisada para baixo. Até o encerramento de 2026, a fábrica previa montar 8.000 unidades da Ram Dakota, mas agora produzirá apenas 3.000 exemplares. Já no caso da Fiat Titano, a meta caiu de 1.500 para 1.000 unidades no mesmo período.
Dessa forma, o volume total previsto para todo o ano de 2026 ficará em torno de 12.000 unidades da Dakota e 4.500 da Titano, totalizando 16.500 picapes. O número representa uma expressiva retração de quase 40% em relação à estimativa original traçada no início do ano pela fabricante, que previa a produção combinada de 27.000 veículos.
Suspensões e remanejamento para fábrica de motores
Diante da redução de turnos, a Stellantis iniciará um programa de suspensão temporária de contratos de trabalho (lay-off) e remanejamento interno de funcionários. Uma parcela dos trabalhadores da linha de picapes será transferida para a nova divisão de motores do complexo de Ferreyra.
O polo industrial recebe atualmente um aporte de US$ 380 milhões voltado à consolidação do hub de picapes e à instalação de uma inédita linha de montagem para o motor 2.2 turbodiesel Multijet, com previsão de início de produção local para o início de 2027. A Stellantis ressaltou que esse propulsor não atenderá apenas as picapes montadas em Córdoba, mas também abastecerá veículos utilitários e caminhonetes produzidos no Uruguai e no Brasil.
Impacto imediato na linha
Além do fim do segundo turno a partir de 1º de setembro, fontes sindicais relataram ao A Rodar Post paralisações pontuais por desabastecimento de componentes mecânicos — especificamente a falta de motores para abastecer a linha de montagem imediata.
Em posicionamento oficial enviado ao site argentino, a Stellantis confirmou que está "operando com um turno único de produção na linha de picapes" e explicou que o quadro geral de funcionários foi duplicado desde o início de 2025 para viabilizar os investimentos recentes, passando agora por um período de reordenação operacional para ajustar a oferta à demanda real dos mercados da região.
Brasil respondeu com vendas mornas
O ano de 2026 não tem sido o mais empolgante para as vendas das picapes médias da Stellantis no Brasil. A Fiat Titano acumulou somente 3.479 emplacamentos no País entre janeiro e agosto, tendo no mês passado seu pior desempenho do ano, com somente 258 licenciamentos. A Ram Dakota também não vai bem. No acumulado de 2026 registrou 3.200 emplacamentos. Porém, vendeu mais que o dobro da Titano em agosto: 634 unidades.
RECOMENDADO PARA VOCÊ
Volkswagen ID. Cross elétrico começa a ser produzido; virá ao Brasil?
Ram Rampage chegará aos EUA em 2028 como carro barato da marca
Nissan Kicks chega à Europa só como híbrido; e por aqui?
Lula x Flávio Bolsonaro: propostas para o transporte no 2º turno
Novo Pajero é só o começo: Mitsubishi prepara ofensiva de novos carros
GWM inicia pré-venda do Haval H7 no Brasil com híbrido plug-in flex e 4x4
Volvo quer que seus híbridos plug-in funcionem como elétricos