Triumph Speed 400 é a boa e (relativamente) barata que a marca precisa no Brasil
Mais barata da marca no país, une desempenho e simplicidade para ir além do premium
Você sabia que nenhum país no mundo compra tantas Triumph da linha 400 quanto o Brasil? Pois é, o projeto desenvolvido com a indiana Bajaj para servir de moto para iniciantes em mercados desenvolvidos ou a porta de entrada da linha premium da britânica nos emergentes, acertou o alvo, pelo menos no Brasil.
Somando a Speed 400 aqui testada e a Scrambler 400, foram 4.605 unidades emplacadas em 2025, praticamente um terço de tudo o que a marca emplacou no ano passado. Mais do que qualquer outra moto da Triumph no Brasil no ano passado. O segredo? Um emblema conhecido, uma boa ficha técnica e, principalmente, partir de R$ 29.990 desde o lançamento em 2024. Isso sem contar as revisões com intervalo de 12 meses/16.000 km com preço fixo de R$ 100 para te ajudar a perder o medo de entrar numa marca premium. Mas a Speed vai além.
Galeria: Avaliação Triumph Speed 400
Mecânica e itens de série
No conjunto mecânico, a Triumph Speed 400 é equipada com motor monocilíndrico da família TR-Series, com 398,15 cm³, refrigeração líquida, comando duplo (DOHC) e quatro válvulas. O propulsor entrega 40 cv a 8.000 rpm e 3,8 kgfm de torque a 6.500 rpm, com taxa de compressão de 12:1. A alimentação é feita por injeção eletrônica Bosch com acelerador eletrônico, enquanto o escapamento conta com coletor de dupla camada e silenciador em aço inox. O conjunto trabalha com câmbio de 6 marchas, transmissão final por corrente e embreagem multidisco em banho de óleo com assistência de torque.
A ciclística é baseada em um chassi híbrido com estrutura tubular de aço e subquadro traseiro rebitado, combinado a um braço oscilante em alumínio fundido. Na suspensão, a moto traz garfo invertido com tubos de 43 mm diâmetro com 140 mm de curso na dianteira e monoamortecedor traseiro com reservatório externo e ajuste de pré-carga, com 130 mm de curso. As rodas são de liga leve de 17", com pneus 110/70 na dianteira e 150/60 na traseira.
Avaliação Triumph Speed 400
Nos freios, a Speed 400 utiliza disco dianteiro de 300 mm com pinça radial de quatro pistões e disco traseiro de 230 mm, ambos com ABS. O pacote eletrônico inclui ainda controle de tração comutável e acelerador eletrônico.
Em dimensões, a moto tem 1.377 mm de entre-eixos, 790 mm de altura do assento e 814 mm de largura, com geometria que inclui ângulo de inclinação de 24,6° e trail de 102 mm. O tanque tem capacidade para 13 litros, enquanto o peso em ordem de marcha é de 170 kg.
O conjunto é complementado por painel que combina velocímetro analógico com tela LCD multifuncional, iluminação totalmente em LED com DRL e ergonomia focada em conforto, com assento estreito e posição de pilotagem acessível.
Avaliação Triumph Speed 400
Diversão barata
Pagar R$ 30 mil numa moto não é algo corriqueiro para a maioria dos brasileiros. Então quem parte para um Triumph Speed 400 provavelmente não está na primeira moto. E mesmo assim a concorrência é forte. Há quem economize e fique com uma Bajaj Dominar 400 e quem prefira gastar um pouco mais e partir para linha bicilíndrica 650 da Royal Enfield. Assim, a Speed 400 não pode se justificar apenas pelo fato de ser uma Triumph.
Ao contrário de uma Dominar, que tem um visual maximalista, a Speed 400 aposta mais num visual clássico e limpo, o que resulta numa moto mais harmoniosa. Porém, mais esbelta e leve, não parece algo tão grande e pesado quanto uma Royal 650.
A Triumph Speed 400 também tem uma ergonomia sem ressalvas, com o condutor levemente inclinado para frente e os joelhos ficam um pouco recuados. É uma posição no limiar entre a neutra e esportiva, que dá mais controle para quem está ao guidão sem cansar.
E talvez seja na ciclística que a moto mais barata da Triumph realmente se destaca. A suspensão é relativamente firme e o chassi não mostra sinais de flexão nas curvas. Mesmo entregando 40 cv, senti que a Speed 400 tinha mais chão do que motor. Mas na buraqueira do dia-a-dia, demanda costume e aquela levantadinha do banco para passar em lombadas e valetas.
O motor monocilíndrico mantém uma tradição da Triumph: assobiar constantemente. Pode soar um pouco artificial, mas simula bem o ronco dos tricilíndricos da marca. Mas sua entrega não é perfeita. Com o acerto do acelerador eletrônico, a Speed 400 demora pra responder em baixas rotações. Se quiser sair correndo, deixe a rotação acima de 6.000 rpm.
A questão é que a moto limita a rotação abaixo de 10.000 rpm e o pequeno conta-giros digital é de difícil leitura e deixa a entender que o corte de giro acontece em 12.000 rpm. Se alguém da Triumph ver que eu dei no corte umas 4 vezes, juro que não foi intencional.
Avaliação Triumph Speed 400
Talvez seja exatamente o painel que cause uma das poucas críticas à Triumph Speed 400. O conta-giros é difícil de ler, mas é pequeno, entende-se. O velocímetro analógico é enorme, mas a fonte é pequena em comparação, ficando difícil determinar a velocidade abaixo de 50 km/h. A parte digital do painel até tem um computador de bordo, mas é simples: velocidade média, consumo médio e não muito mais que isso.
Só que, quanto mais eu andava na moto, mais eu via que minha maior crítica à Triumph poderia ser resolvida com uma visita ao oftalmologista. E talvez seja essa a mágica da Speed 400: não apenas mais uma 400 de R$ 30 mil. Ela une bom desempenho, ciclística mais acertada que a das rivais, um bom pacote de itens de série e não cobra os olhos da cara por isso (estou falando de você, BMW G 310R de R$ 38.990).
A Triumph Speed 400 é a moto que todo mundo fala nos comentários que as marcas premium precisavam trazer ao Brasil: relativamente barata e boa no que entrega. A Triumph trouxe, expandiu a linha com as Scrambler 400 e 400 XC e vai dobrar a aposta com mais motos dessa linha. O resultado veio.
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