No exterior, VW quase fez um SP2 elétrico moderno com inspiração no projeto brasileiro
Alemã criou conceito secreto de cupê elétrico inspirado no SP2 em 2017, mas projeto nunca saiu das pranchetas
Enquanto ainda lidava com o caos da era Dieselgate, em 2017, a Volkswagen guardava um segredo em seu estúdio de design: um carro que ninguém viu. Era um cupê elétrico de dois lugares, motor traseiro e linhas musculosas. Um SP2 reinventado para o futuro. O projeto nunca saiu do papel, mas ressurge agora, oito anos depois, com os desenhos revelados por Štěpán Řehák, porta-voz de carros-conceito da marca.
A criação é do designer Tibor Juhasz, que, em plena crise de imagem da Volkswagen, decidiu prestar homenagem a um dos maiores ícones já feitos no Brasil. O carro usava base MEB, a mesma dos modelos elétricos ID.3 e ID.4, mas carregava o espírito do clássico esportivo brasileiro nas proporções, no desenho da carroceria e na proposta de unir emoção e identidade visual num tempo em que isso parecia cada vez mais raro.
O ''Porsche Brasileiro''
Os SP1 e o SP2 tinham tração traseira, motor a ar e visual (bem) esportivo. Traziam a essência do Porsche, mas com passaporte brasileiro. E o que os tornava únicos era justamente isso: eram dos poucos esportivos feitos em linha no Brasil. Com as proibições à importação, só dava para ver carro esportivo de verdade na garagem de algum diplomata ou nas carrocerias de fibra dos fora de série nacionais, como Puma, Miura e Santa Matilde.
Fabricado em São Bernardo do Campo entre 1972 e 1975, o Volkswagen SP2 usava base do Type 3, motor 1.7 de 75 cv e linhas baixas e aerodinâmicas. O SP1, mais simples, vinha com motor 1.6 e acabamento espartano. Nenhum deles era veloz, mas tinham identidade, estilo e presença. Eram carros com alma, feitos para quem sonhava além da ficha técnica.
VW SP2 (1974)
Foi esse sentimento que Juhasz quis capturar ao criar o conceito de 2017. E explicou assim:
"Minha proposta do SP2 nasceu de pura intuição. Ela vislumbrava um futuro elétrico impulsionado pelo progresso, mas profundamente enraizado em valores clássicos. Meu objetivo era claro: avançar sem perder o que nos define. Emoção, energia e visão se uniram para criar algo que ainda ressoa nos dias de hoje."
A Volkswagen, naquele momento, precisava mirar no que era comercial. Vieram os elétricos de linha, como ID.3, ID.4, ID.5 e ID.7. De retrô, apenas a ID. Buzz, inspirada na primeira Kombi, viu a luz do dia.
O SP2 elétrico ficou para trás. Era emocional demais para virar produto. Como tantos outros conceitos da marca, acabou arquivado: o EcoRacer de 2005, o roadster BlueSport de 2009, o XL Sport com motor Ducati, os W12 dos anos 1990.
Hoje, com a Europa prestes a banir motores a combustão, não há mais tempo para um SP2 barulhento. Mas talvez ainda haja espaço para um esportivo com tempero brasileiro e motor elétrico. A marca alemã já prometeu manter as linhas GTI e R vivas enquanto puder, na próxima década. Um cupê de dois lugares poderia fazer ainda mais pela imagem da marca.
Fonte: Stepan Rehak / LinkedIn, Tibor Juhasz / LinkedIn
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