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Dirigimos o novo Jeep Avenger: SUV de R$ 114.990 vai incomodar Tera, WR-V e cia

Primeiro contato revela um SUV compacto com personalidade, bom acerto dinâmico e preço para incomodar Tera, WR-V, Pulse e Kardian

Jeep Avenger Limited 2027
20:53

O Jeep Avenger chega ao Brasil com uma responsabilidade importante. Ele passa a ocupar a posição de entrada da marca em um segmento que cresceu rapidamente e hoje reúne alguns dos lançamentos mais importantes do mercado, como Tera, Kardian, WR-V e Kait, além do Fiat Pulse. Para funcionar nesse ambiente, não bastava colocar o conhecido nome Jeep em um SUV menor. O produto precisava ter personalidade, conteúdo e, principalmente, preço para entrar de verdade na disputa.

Neste primeiro contato, dirigi a Limited, versão mais cara e equipada da gama, algo bastante comum nos lançamentos. É importante fazer essa distinção porque algumas das minhas impressões sobre acabamento, painel digital, tecnologia e equipamentos se referem especificamente a esta configuração. Ainda assim, foi possível entender bem a proposta do Avenger, que parte oficialmente de R$ 119.990 na Altitude e teve o preço reduzido para R$ 114.990 nas primeiras 1.000 unidades.

Jeep Avenger Limited 2027
Foto de: Jeep

Depois de conhecê-lo melhor e fazer o primeiro percurso ao volante, minha impressão é de que a Jeep acertou a mão. O Avenger é pequeno, tem algumas limitações naturais decorrentes disso e não tenta esconder que foi desenvolvido principalmente para o ambiente urbano. Ao mesmo tempo, tem identidade suficiente para não parecer apenas outro SUV compacto dentro de um mercado que começa a ficar bastante congestionado. E há um fator que provavelmente fará uma diferença enorme: o preço.

Jeep Avenger Limited 2027
Foto de: Jeep

A Jeep já havia surpreendido ao anunciar a Altitude por R$ 119.990, valor agressivo considerando a marca e o conteúdo oferecido. A decisão de baixar posteriormente essa conta em mais R$ 5.000 para o primeiro lote torna a estratégia ainda mais evidente. A empresa não trouxe o Avenger apenas para completar a gama abaixo do Renegade. Quer volume e está disposta a brigar por ele.

Jeep Avenger Limited 2027
Foto de: Jeep

Pequeno, mas com cara de Jeep

Visualmente, o Avenger funciona muito bem. Talvez seja inclusive seu primeiro grande argumento quando colocado ao lado dos concorrentes. O porte é compacto, mas as proporções, a dianteira e vários pequenos elementos conseguem preservar uma identidade claramente ligada à Jeep. As sete fendas, as caixas de roda trapezoidais, as lanternas com grafismo em X e os para-choques mais pronunciados evitam que ele pareça simplesmente um hatch elevado.

São 4,084 metros de comprimento, 1,776 m de largura, 1,583 m de altura e 2,557 m de distância entre-eixos. A altura livre do solo chega a 221 mm, enquanto os ângulos de entrada e saída são de 22° e 33,9°, respectivamente. O porta-malas tem 364 litros pela medição declarada pela Jeep, ou 321 litros pelo padrão VDA.

Jeep Avenger Limited 2027
Foto de: Jeep

Esses pouco mais de quatro metros ajudam a entender bem a proposta. O Avenger é consideravelmente voltado para a cidade e deverá agradar quem procura posição de dirigir mais elevada sem necessariamente querer um carro grande. É fácil enxergar onde termina a carroceria, as dimensões ajudam nas vagas apertadas e há uma sensação de agilidade que combina com o trânsito urbano.

Apesar das dimensões, não falta personalidade. Há estilo inclusive na configuração de entrada, enquanto rodas de 16, 17 e 18 polegadas diferenciam as versões. A Limited que dirigi recebe ainda a iluminação da tradicional grade de sete fendas, criando uma assinatura interessante durante a noite.

Jeep Avenger Limited 2027
Foto de: Jeep

Isso é importante porque o consumidor encontrará propostas bastante diferentes nessa faixa de preço. Tera, Kardian, WR-V, Kait e Pulse tentam resolver praticamente o mesmo problema, cada um seguindo sua própria receita. Isso sem falar dos elétricos chineses de mesma faixa de preço que estão avançando muito, visto resultados de Dolphin Mini e Geely EX2. O Avenger chega trazendo como um de seus maiores diferenciais algo que a Jeep construiu muito bem nos últimos anos: uma identidade de marca imediatamente reconhecível.

Interior tem personalidade, mas o espaço cobra seu preço

Foi dentro da versão Limited que tive outra boa impressão. Não é um painel genérico no qual foram simplesmente instalados uma multimídia e um logotipo Jeep. O desenho tem personalidade própria e gostei especialmente do cluster digital de 10,25 polegadas desta configuração. Ele conversa com o restante do carro e passa a sensação de ter sido projetado para o Avenger, em vez de ser uma tela simplesmente inserida no painel ou emprestada de outro modelo.

Jeep Avenger Limited 2027
Foto de: Jeep

Esse ponto também muda conforme a versão. O cluster digital de entrada tem 7 polegadas, enquanto o de 10,25 polegadas aparece nas configurações e pacotes superiores. A central multimídia, por outro lado, tem 10 polegadas em toda a gama, com Apple CarPlay e Android Auto sem fio.

A tela da multimídia é bastante horizontal e estreita. Em uma primeira observação pode até parecer pequena diante da tendência atual de instalar verdadeiros tablets no centro do painel, mas seu formato faz sentido quando se considera o espaço disponível em um carro de apenas 4,08 metros. Não compromete a visibilidade e libera espaço para os demais comandos.

Jeep Avenger Longitude 2027
Foto de: Jeep

A Jeep também não caiu na tentação de eliminar completamente os botões físicos. Há comandos para funções importantes e a disposição geral é simples de compreender, mas aqui está um problema: uma pequena luz branca indica que o botão está acionado, mas durante o dia não para enxergar se está acesa ou apagada. Nas versões equipadas com Adventure Intelligence, o sistema pode incorporar ChatGPT ao assistente de voz, permitindo controlar navegação, climatização e mídia, além de realizar consultas por comandos falados.

No acabamento, minha percepção da Limited foi positiva, mas sem exageros. Há superfícies macias no painel e também em partes do revestimento das portas, o que melhora bastante a primeira impressão. Em várias outras áreas, porém, aparece plástico rígido. Não chega a destoar da categoria e há uma boa preocupação com desenho e texturas, mas é importante lembrar que estamos falando de um SUV compacto.

Jeep Avenger Limited 2027
Foto de: Jeep

Há ainda até 28 litros distribuídos em diferentes porta-objetos, enquanto o console central tem organização modular, embora a Jeep utilize até os espaços dos puxadores das portas para somar. O porta-malas, com 364 litros, acompanha a lógica de um veículo desse porte e deverá atender bem ao uso cotidiano.

Jeep Avenger Limited 2027
Foto de: Jeep

O espaço para passageiros é outro assunto. Quatro adultos viajam bem, mas ninguém deve esperar a amplitude de um SUV maior. O Avenger é compacto por fora e continua sendo compacto por dentro. Os próprios bancos dianteiros são relativamente estreitos e têm assentos mais curtos, característica que provavelmente será percebida principalmente por pessoas mais altas em viagens longas. No banco traseiro, também há espaço suficiente, mas sem sobra. Já sabe: pessoas mais altas podem sofrer com o teto, mesmo consideram o rebaixo aplicado para ampliar o espaço.

Jeep Avenger Limited 2027
Foto de: Jeep

Não considero isso necessariamente um problema, mas uma característica que precisa entrar na decisão de compra. Quem prioriza cabine maior encontrará alternativas mais interessantes entre os concorrentes, ou até mesmo com o irmão Renegade. Para quem valoriza dimensões externas contidas e facilidade no uso urbano, a mesma característica pode se transformar em vantagem.

Plataforma conhecida, projeto com identidade própria

O Avenger utiliza a mesma arquitetura que também serve de base ao Peugeot 2008, dentro da estratégia de compartilhamento de plataformas da Stellantis. Isso, porém, não significa que os dois carros tenham simplesmente recebido carrocerias diferentes. Suspensão, calibração, posição de dirigir, acabamento e toda a apresentação do produto seguem a interpretação da Jeep.

Todas as versões brasileiras utilizam o sistema híbrido leve MHEV de 12 volts associado ao motor turbo T200 e a uma transmissão automática de sete marchas. O motor elétrico multifuncional trabalha auxiliando o propulsor a combustão e também na geração de energia para o sistema, com gerenciamento eletrônico buscando melhorar principalmente eficiência e resposta ao acelerador.

Há ainda o Selec-Terrain nas três versões, com modos Normal, Sport e All Terrain. As configurações alteram resposta do acelerador, funcionamento da transmissão e atuação do controle de tração, preservando uma pequena camada daquele repertório tradicional da Jeep mesmo em um produto essencialmente urbano e com tração dianteira.

Como anda o Jeep Avenger?

Foi justamente ao dirigir a versão Limited que o Avenger me agradou um pouco mais do que eu esperava. O primeiro ponto é a suspensão. Há firmeza, mas sem um acerto excessivamente duro, e o carro transmite uma boa sensação de solidez. Não há movimentos exagerados da carroceria e a impressão é de um conjunto bem amarrado. Na minha visão, um acerto superior à todos os concorrentes.

Jeep Avenger Limited 2027
Foto de: Jeep

A própria fabricante informa ter desenvolvido e testado componentes da suspensão para diferentes terrenos buscando equilibrar conforto, robustez e estabilidade. Neste primeiro contato, essa calibração se mostrou um dos melhores aspectos do carro. A sensação de controle aparece rapidamente e ajuda o Avenger a transmitir um pouco mais de maturidade do que suas dimensões poderiam sugerir.

O conjunto MHEV também combina bem com a proposta. A potência está adequada ao tamanho de um SUV compacto e não senti falta de força durante o percurso (mas preciso lembrar que o carro não estava cheio e nem com malas). As respostas são boas, principalmente nas acelerações urbanas, e o câmbio de sete marchas trabalha sem chamar muita atenção, exatamente o que espero em uma utilização normal.

Jeep Avenger Limited 2027
Foto de: Jeep

Vivemos uma fase em que praticamente toda conversa sobre tecnologia automotiva acaba chegando aos elétricos, aos híbridos e aos números cada vez maiores de potência. O Avenger segue uma solução consideravelmente mais simples, mas que ainda deverá agradar um grupo grande de consumidores. Tem desempenho suficiente, transmissão automática e auxílio elétrico para melhorar funcionamento e eficiência, sem exigir qualquer mudança de hábito do proprietário.

Jeep Avenger Limited 2027
Foto de: Jeep

Não é um carro criado para impressionar pela aceleração. É um conjunto corretamente dimensionado para aquilo que o Avenger se propõe a fazer. Neste primeiro contato, me pareceu suficiente e coerente.

Equipamentos mudam bastante entre as versões

Aqui também é importante separar o carro que dirigi das demais configurações. A gama começa com a Altitude, equipada com seis airbags, faróis de LED, frenagem automática de emergência, assistente de permanência em faixa, detector de fadiga, reconhecimento de placas, ar-condicionado digital, freio de estacionamento elétrico, cluster digital de 7 polegadas, multimídia de 10 polegadas e Selec-Terrain.

A Longitude acrescenta itens como piloto automático adaptativo, câmera de ré, rodas de 17 polegadas, carregador por indução e faróis de neblina com função Cornering. Há ainda pacotes opcionais que podem incluir monitoramento de ponto cego, sensores adicionais, teto solar, Adventure Intelligence com ChatGPT e o cluster digital de 10,25 polegadas.

A Limited avaliada neste primeiro contato concentra a proposta mais tecnológica da gama. Entre os equipamentos estão câmera 360°, centralizador de faixa, faróis LEX Matrix e pacote ADAS Nível 2, além dos itens que explicam algumas das melhores impressões que tive da cabine.

É uma estratégia que permite à Jeep começar com preço bastante agressivo na Altitude e adicionar tecnologia e acabamento conforme o consumidor sobe na gama. Isso também significa que é preciso olhar com atenção para cada configuração antes de comparar diretamente equipamentos com Tera, Kardian, WR-V, Kait ou Pulse.

Preço pode ser a melhor decisão da Jeep

Minha primeira impressão do Avenger é bastante positiva, mas parte importante dessa avaliação está necessariamente ligada ao preço. Um SUV compacto com bom desenho, personalidade, pacote de segurança consistente, conjunto híbrido leve, câmbio automático e o peso da marca Jeep já seria competitivo nos R$ 119.990 inicialmente anunciados para a Altitude. A redução posterior para R$ 114.990 nas primeiras 1.000 unidades deixa a intenção ainda mais clara.

Longitude e Limited foram apresentadas por R$ 135.990 e R$ 145.990, respectivamente. Há uma distância razoável entre a versão de entrada e o carro que dirigi, algo que precisa ser levado em consideração principalmente quando falamos de acabamento e tecnologia. É a Limited que mostra tudo o que o Avenger pode oferecer, enquanto a Altitude deverá ter no preço seu argumento mais forte.

Depois desse primeiro contato, saio com a impressão de que o Avenger tem grandes chances de vender muito. Não porque seja o maior, mais potente ou mais espaçoso entre os SUVs compactos. Ele não é. O espaço interno deixa claro o tamanho do projeto e pessoas altas provavelmente sentirão isso com maior intensidade.

O que você pensa sobre isso?

O carro compensa essas limitações com personalidade, bom acerto de suspensão, interior agradável, equipamentos e dimensões muito adequadas ao uso urbano. Quando a isso se soma uma estratégia de preços agressiva, a equação fica bastante interessante.

A Jeep conhece bem a força que sua marca tem no Brasil. Agora colocou essa identidade em um produto menor e decidiu começar a disputa por um preço capaz de colocar o Avenger diretamente no radar de quem talvez nem estivesse pensando em comprar um Jeep. Depois de dirigir a Limited, minha impressão é de que o produto tem argumentos para aproveitar essa oportunidade.

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