Novo Audi A5 apresenta nova fase da marca no Brasil; veja impressões
Sedã tem potência e tração integral como principais argumentos para a briga com o BMW Série 3
Muita coisa vai acontecer na Audi do Brasil nos próximos meses. Com uma renovação completa da linha, começamos com o A5, sedã que substitui o clássico A4 e vai apostar em motor 2.0 turbo e sistema de tração integral para a briga, principalmente, com o BMW Série 3 em nosso mercado. É vendido em versão única por R$ 379.990.
Na verdade, estamos diante da oitava geração do A4, o sedã médio da marca alemã, que acabou mudando de nome durante o vai e volta que a marca tentou fazer para diferenciar a linha elétrica da combustão. O A5 original teve duas gerações, caracterizadas pelo estilo cupê, algo que esse novo não tem muito. A Audi coloca como terceira geração do A5, mas precisamos ser justos, é uma mistura dos dois.
O que é?
Este novo Audi A5 estréia no Brasil a plataforma PPC, ou Premium Platform Combustion, que evoluiu a MLBEvo com muito, principalmente eletrônica, com o que a Audi e Porsche aplicaram na PPE, que está no Porsche Macan e Audi Q6 e A6 e-tron. Ao decidir manter os motores a combustão no mundo, a Audi reagiu rápido com esta base, que estará em diversos modelos do A5 para cima.
Comparado ao A4 anterior, este novo A5 tem visual bem diferente e com elementos que remetem aos elétricos, como as maçanetas embutidas e faces limpas, com foco em aerodinâmica, ao mesmo tempo em que deixa de ser tão sóbrio como era o A4 anterior, com direito a lanternas em LEDs interligadas. No Brasil, usa o kit S-Line, mais esportivo, e rodas de 20" assinadas pela Audi Sport.
Comparado ao Audi A4, o novo A5 cresceu 67 mm no comprimento (4.829 mm) e 72 mm no entre-eixos (2.892 mm), além da altura de 1.410 mm (18 mm mais baixo) e 1.860 mm de largura. Isso também mostra a evolução de geração, longe de ser um facelift profundo, inclusive com a troca da plataforma e suas dimensões completas.
Por dentro, se aproveitou da eletrônica dos elétricos para trazer as mesmas tecnologias. As duas telas, com 11,9" para instrumentos e 14,5" para multimídia, estão no mesmo "complexo", sem a terceira tela para o passageiro, opcional no exterior. Na porta do motorista, comandos de faróis e retrovisores, enquanto o painel fica mais limpo, com a ajuda do console central com poucos botões e um seletor de marchas compacto. O volante tem base e topo retos e botões sensíveis ao toque.
Vai bem no espaço interno, inclusive no banco traseiro, mas impressiona ainda mais com o teto panorâmico, que usa uma película fotovoltaica para regular a entrada de luz pelo mesmo botão que estávamos já acostumados a usar para abrir e fechar o vidro.
Como anda?
Ao optar por manter os motores a combustão, a Audi evoluiu uma boa parte do que já tinha em mãos. No caso do A5 que vem ao Brasil, o 2.0 turbo é o EA888, família bem conhecida por aqui, mas já Evo5, uma geração desenvolvida para ser mais eficiente, com menores emissões, sem abrir mão do desempenho. Tanto que tem 272 cv e 40,8 kgfm, sem eletrificação.
Este novo motor tem um turbo com geometria variável, que melhora o controle de pressão e como ele atua, injeção direta com 500 bar com multiplas injeções por ciclo para uma melhor quebra do combustível e melhor queima, intercooler a água e comandos variáveis que permitem o trabalho em ciclo Miller, mais eficiente. Para levar isso ao chão, um sistema de tração integral sob demanda quattro, atuando com o câmbio automatizado de dupla embreagem com 7 marchas.
Na prática, o Audi A5 segue com a mesma solidez de um Audi dessa categoria. A suspensão, com calibração mais esportiva, ainda é confortável mesmo em jogo com as rodas de 20". A direção é comunicativa e com peso variável, é leve para manobras. Não chega a ser algo totalmente novo para quem está ao volante, mas é uma boa notícia para quem já gosta desse comportamento.
O 2.0 turbo responde bem. Na parceria com o câmbio de dupla embreagem, também segue com o sentimento bom de um Audi médio, que pode ser suave no dia a dia, ou mais agressivo quando provocado. Evoluiu do que conhecíamos há décadas de um Audi A4, mas não apaga da memória o que ele já era bom - a não ser, injustamente, o nome...
Quanto custa?
Em um pacote completo, que inclui diversos assistentes de condução, teto panorâmico, faróis e lanternas em LEDs, rodas de 20" e mais, o Audi A5 Performance S edition quattro custa R$ 379.990. Como referência, o BMW 320i M Sport custa R$ 387.950, enquanto o Mercedes-Benz C200 AMG Line, R$ 384.900.
No fim, o Audi A5 é um bom sucessor pro A4. Pena essa mudança de nome, pois o que esse carro evoluiu e nos apresenta merece mais história pelas sete gerações do sedã. E se ele representa o que veremos nos próximos anos (ou meses?), a Audi voltará a brilhar no mercado premium.
RECOMENDADO PARA VOCÊ
Audi pode voltar atrás na decisão de matar motor cinco-cilindros
Renault corta R$ 20 mil do Boreal e SUV fica mais barato que Duster
Contra chineses, europeias apelam aos clássicos para vender mais
Próximo Mini Cooper vai voltar às origens, mas não como fãs imaginam
Audi esgota lote da nova A5 Avant antes mesmo de chegar às lojas
Com menos dinheiro, VW aposta em IA para desenvolver novos carros
Por que os carros novos apostam cada vez mais em saídas falsas de escape?