Ir para o conteúdo principal

Por corte de gastos, Volkswagen pode matar marca histórica em breve

Plano interno prevê encerrar gradualmente a Seat até 2029 e concentrar a operação espanhola cada vez mais na Cupra

Espanha - SEAT Ibiza
Foto de: Divulgação
Thomas Tironi Thomas Tironi

Pouco após revelar ao mundo que promoverá uma verdadeira tesoura em toda sua linha, o Grupo Volkswagen agora pode partir para outro caminho além da redução de empregos, modelos e fábricas. A nova vítima, segundo a imprensa alemã, pode ser a marca espanhola Seat.

Segundo documentos internos obtidos pela WirtschaftsWoche, uma das mais tradicionais e influentes publicações de economia e negócios da Alemanha, a Volkswagen está seriamente considerando encerrar a gradualmente a Seat até o fim de 2029 e concentrar sua operação espanhola cada vez mais na Cupra, antiga divisão esportiva promovida a marca em meados de 2018.

Fábricas da VW na Alemanha  (1)
Foto de: Reprodução

Grupo também vai cortar modelos e fábricas

O possível fim da marca espanhola aparece em meio a uma das maiores reorganizações já promovidas pelo Grupo Volkswagen. Há alguns dias, o grupo apresentou que planeja reduzir em até 50% a quantidade de modelos oferecidos, cortar em até 75% a complexidade de versões e equipamentos e adequar a capacidade produtiva global para cerca de 9 milhões de veículos por ano, bem abaixo dos aproximadamente 12 milhões planejados antes da pandemia.

A companhia também prepara uma forte redução no quadro de funcionários e já admite fechamento ou enxugamento de fábricas, tentando concentrar investimentos nos produtos, tecnologias e operações que apresentam maior retorno. Manter duas marcas espanholas com produtos próximos e estruturas parcialmente sobrepostas passou a entrar nessa conta, especialmente depois do crescimento rápido da Cupra.

O destino da Seat, diga-se, já vinha sendo colocado em dúvida havia alguns meses. Thomas Schäfer, CEO da Volkswagen e integrante do conselho da empresa, chegou a garantir que “não deixaria a Seat morrer”, mas admitiu na mesma entrevista que a marca estava segura apenas “até 2028 ou 2029” e que ainda era necessário decidir o que aconteceria depois. Os documentos obtidos agora apontam justamente o fim de 2029 como prazo máximo para a mudança.

Cupra Raval VZ (2026) em teste

Cupra já vende mais que a marca que a criou

Criada originalmente como a divisão esportiva da Seat e transformada em marca independente em 2018, a Cupra passou rapidamente a ocupar o espaço que antes pertencia à fabricante que lhe deu origem. Em 2025, foram vendidos 328.800 carros com o emblema Cupra, alta de 32,5%, enquanto a Seat recuou 17% e terminou o período com 257.400 unidades.

A diferença continuou aumentando neste ano: apenas no primeiro semestre, a Cupra registrou o recorde de 170.100 carros, contra 129.600 de sua marca-mãe. O novo planejamento citado pela imprensa alemã estabelece uma meta ainda mais ambiciosa, entre 500 mil e 600 mil veículos por ano para a marca mais jovem.

O desaparecimento da marca Seat não significaria, porém, o fim da empresa Seat S.A. nem de sua estrutura industrial na Espanha. O plano prevê preservar fábricas, engenharia e demais operações, transferindo gradualmente produtos e estruturas comerciais para a Cupra. Martorell também continuará importante dentro da estratégia industrial do grupo, inclusive para a produção de modelos elétricos compactos de diferentes marcas.

O que você pensa sobre isso?

Marca já foi da Fiat e teve passagem breve no Brasil

Fundada em 1950, a Seat nasceu na Espanha com participação estatal e forte ligação com a Fiat, que fornecia tecnologia e modelos para a fabricante. A parceria terminou em 1980 e, poucos anos depois, a Volkswagen começou a se aproximar da empresa até assumir seu controle em 1986.

No Brasil, a Seat chegou oficialmente em 1995 e vendeu modelos como Ibiza, Córdoba, Córdoba Vario e Inca. A operação durou pouco e terminou em 2002, deixando a marca longe do mercado brasileiro desde então.

Compartilhe este artigo
Envie seu flagra! flagra@motor1.com