Novo Renault Koleos quer incomodar SUVs premium e resgatar um bom passado da marca
Por R$ 289.990, sua briga não será com GWM e BYD, mas ser um carro de imagem e mais exclusivo
Parece estranho ouvir o nome Renault Geely do Brasil em cada apresentação, mas faz cada vez mais sentido essa parceria. Em uma clara estratégia de complemento de linhas, apresentam produtos com propostas diferentes, como o Renault Koleos, um SUV médio híbrido HEV posicionado no topo da gama mesmo quando olhamos as duas marcas.
Ele é fruto da parceria Renault e Geely em outro mercado, Coréia do Sul, e se encaixa bem em como a própria Renault quer ser vista em uma nova fase mais refinada e moderna. Em versão única, assinada pela divisão esportiva Alpine, custa R$ 289.990 e não quer vender grandes volumes, mas incomodar marcas premium, como a Renault já fez no passado.
Cara de Renault, base de Volvo, mecânica Geely...
Por anos, ouvimos falar sobre o Koleos no Brasil, mas o carro europeu que até apareceu em testes por aqui, hoje é utilizado por parte da diretoria da marca e só. O novo e atual Koleos é importado da Coréia do Sul e faz uma grande mistura entre a marca francesa e a Geely, começando pela plataforma CMA, que você conhece dos Volvo XC40, C40 e suas novas nomenclaturas elétricas, EX40 e EC40.
Na verdade, você vê aqui um Geely Monjaro (sim, este nome...) com toques de Renault. São 4.778 mm de comprimento, sendo 2.820 mm entre os eixos, 1.880 mm de largura e 1.686 mm de altura, o colocando justamente na faixa dos SUVs médios mais caros e refinados, sejam de marcas chineses ou não. Nas últimas semanas, vale lembrar, conhecemos VW Tiguan e Toyota RAV4 em novas gerações e que entram bem nesta briga.
O Koleos vendido no Brasil é a versão Esprit Alpine, que se diferencia pelos detalhes visuais mais esportivos na parte de fora, rodas de 20" e interior com direito a cores da França, suede e bancos mais envolventes. Se aceitar, fica a dica: essa cor acetinada caiu bem no carro, mas saiba que os cuidados para o manter sempre assim são mais complexos que de uma pintura brilhante comum.
Como tenho falado bastante nos últimos tempos, a arma principal de vendas é o conjunto híbrido do Koleos. É um HEV, que não precisa de tomada para recarga da bateria de 1,64 kWh, é composto por um motor 1.5 turbo e a transmissão DHT de três marchas e dois motores elétricos, com um combinado de 245 cv e torque máximo de 56,1 kgfm, mas que raramente acontecerá. E apesar do nome E-Tech, é um conjunto Geely, não Renault.
Contra seus preconceitos
Sei que muitos ainda torcem seus narizes para as marcas chinesas, mas há casos em que eles ajudam. No caso do Renault Koleos, é curiosa a mistura entre características de cada origem, como o bom acabamento que os chineses tanto se destacam nos últimos tempos e uma boa calibração de suspensão e direção que os europeus fazem.
Sim, dá para ver o Monjaro em alguns pontos, como os faróis, lanternas e linhas básicas da carroceria, mas curioso ver que trocaram o formato da última janela lateral e a folha das portas, que têm um vinco diferente para dar a personalidade Renault, assim como o bodykit e as belas rodas de 20" em preto e diamantado escurecido.
Por dentro, a mesma teoria. A base é idêntica, mas a Renault aplicou partes próprias no console central e materiais de acabamento, nesta versão usando suede, costuras aparentes, tecidos bons até nas colunas e teto, LEDs e as cores da França, mas ao mesmo tempo vemos o volante da Geely e a interface do sistema multimídia que não é o mesmo que está no Boreal, por exemplo, com base Google.
Falando em telas, são três de 12,3". A terceira não é vista pelo motorista e, mesmo o passageiro, só pode ver vídeos quando estacionado e serve mais para acessar algumas funções sem precisar tirar as informações da central, enquanto o motorista também tem um bom Head-Up Display configurável. O sistema de som é assinado pela Bose, com cancelamento de ruídos externos e do motor.
O espaço interno é um ponto a ser realmente elogiado. Na primeira fileira, bancos confortáveis e bastante espaço para pernas, com uma boa separação pelo console central, mas é no banco traseiro que o Koleos brilha, com muito espaço para pernas e ombros, e uma terceira zona de ar-condicionado dedicada. Isso tira um pouco do porta-malas, com seus 431 litros, mas...há estepe! Ufa.
Qualidades percebidas
Se você prestar muita atenção, verá que o Koleos não tem a mesma identidade completa do Boreal, por exemplo, mas está longe de não ser um Renault. A qualidade de rodar do SUV é digna de modelos premium, com muito silencio e uma suspensão bem calibrada até para o que temos como asfalto. Não é um carro mole demais, como vemos muito nos chineses, mas por ser grande, não pode ser firme demais até pela proposta de uso familiar e criar um caminho diferente de conforto.
O conjunto híbrido é composto pelo 1.5 turbo, de 144 cv e 23,5 kgfm. São números baixos para este tipo de motor, mas é focado na eficiência para trabalhar com os dois motores elétricos, que são de 136 cv e 32,6 kgfm, e estão na transmissão de três marchas. Você perceberá mais os 245 cv do conjunto, mas não tanto o torque combinado.
Isso pois, no uso urbano, a preferência é pelos elétricos. Com mais torque, deixam o SUV mais ágil principalmente pela força imediata, enquanto o 1.5 turbo trabalha como um gerador de energia e desacoplado da transmissão para as rodas. Dá para perceber quando o combustão assume a função de tração pela forma com que o Koleos responde, mas o motor é silencioso e com baixo nível de vibrações.
Em velocidade mais altas, o 1.5 turbo trabalha mais. Por isso que falei sobre raramente sentir o torque completo, já que cada motor tem a sua função. O câmbio de três marchas reduz a rotação do conjunto e ajuda na eficiência, apesar de quem está no carro não sentir nenhuma troca de marchas, um prol da suavidade e linearidade que a engenharia conseguiu.
Em nossos testes, o Koleos foi aos 100 km/h em 8,1 segundos, com retomadas em 6,5 segundos de 40 a 100 km/h e 5,8 segundos de 80 a 120 km/h, bons números. O consumo de combustível é bom, com 13,2 km/litro na cidade e 15,6 km/litro. No urbano, considerando seu peso e porte e o sistema HEV, foi bem, mas ainda inferior ao Haval H6 HEV2 (15,6 km/litro), mas empatado no rodoviário. Vale lembrar que o Haval tem 243 cv e um câmbio de duas marchas.
Na ponta do lápis, o Koleos pode rodar mais de 700 km na cidade e mais de 850 km no rodoviário com um tanque de 55 litros de gasolina. Considerando não ser um PHEV, é interessante, apesar de não ser o mais eficiente do segmento, compensado pelo bom desempenho e, mais uma vez, uma boa suspensão e qualidade de rodagem.
Renault ou Geely?
Por R$ 289.990, o Renault Koleos é mais caro que os SUVs PHEV com porte semelhante da BYD, GWM e da própria Geely, que acabou de apresentar o EX5 PHEV por até R$ 234.990. E parece que a estratégia é essa mesma, deixando a briga com os chineses para a Geely e o Koleos fica para um cliente que procura outro tipo de produto e até mesmo colocar uma dúvida em quem procura um carro menor de marca premium.
Seu volume não será alto, isso é fato. Vindo em pacote mais completo e até com visual esportivo, o Koleos está na loja mais para posicionar a marca e ter um produto mais exclusivo que não ameaça o Boreal (até R$ 214.990) e ainda assim mostra que a Renault quer viver esta fase mais refinada e resgatando o que já foi no passado. Tem qualidades e, por incrível que pareça, muito com a ajuda dos chineses, mas não será tão visto nas ruas como os...chineses.
Fotos: Mario Villaescusa (para o Motor1.com)
Renault Koleos HEV
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