Adeus à correia banhada a óleo: Stellantis atualiza motor PureTech
O novo 3 cilindros chamado Turbo 100 chega inicialmente na Peugeot na Europa resolvendo a crítica que a GM não resolveu aqui
O debate sobre correias banhadas a óleo está longe de terminar no Brasil. Enquanto milhares de proprietários de veículos equipados com motores 1.0 turbo acompanham discussões sobre manutenção preventiva, desgaste prematuro e custos de reparo, a Stellantis acaba de seguir um caminho diferente: abandonar completamente essa solução em uma nova geração de motores.
A mudança acontece no conhecido motor PureTech, utilizado por marcas como Peugeot, Citroën, Opel e Fiat em diversos mercados. A nova geração do tricilíndrico 1.2 turbo passa a utilizar corrente metálica de comando, substituindo a correia banhada em óleo que marcou as versões anteriores e se tornou alvo de críticas ao longo dos anos.
A decisão chama atenção porque envolve exatamente um dos temas mais sensíveis da indústria atualmente. Embora a correia banhada a óleo tenha sido criada para reduzir atrito, ruído e consumo de combustível, a solução acabou gerando questionamentos sobre durabilidade em diferentes aplicações ao redor do mundo.
Um três-cilindros mais robusto e responsivo
Assim como o Puretech anterior, o Turbo 100 é um motor 1,2 litro de 3 cilindros (1.199 cm³), que entrega 101 cv (74 kW) a 5.500 rpm e torque máximo de 205 Nm a 1.750 rpm. São números pensados para garantir respostas rápidas em situações comuns, como no trânsito urbano ou em ultrapassagens. Entre as principais novidades está o turbocompressor de geometria variável, que melhora a resposta em baixa rotação, deixando o motor mais elástico e fácil de explorar.
Toda a base técnica foi revisada, já que cerca de 70% dos componentes são novos, incluindo itens como o sistema de injeção, o turbo, os pistões e o bloco do motor. O objetivo é aumentar a confiabilidade e oferecer uma condução mais suave e esperta, mantendo ao mesmo tempo simplicidade e conforto.
O motor Stellantis - Peugeot Turbo 100 substitui o Puretech
Confiabilidade e eficiência no centro do projeto
Também houve trabalho para reduzir consumo e emissões. O sistema de injeção direta de alta pressão (350 bar, contra 250 bar anteriores), em conjunto com a nova distribuição e a adoção do ciclo Miller, ajuda a melhorar o rendimento. Somam-se a isso soluções pensadas para reduzir os atritos internos, contribuindo tanto para a eficiência quanto para a durabilidade.
O motor Stellantis - Peugeot Turbo 100 substitui o Puretech
O acionamento das válvulas, por exemplo, agora é feito com um mecanismo de balancins do tipo “finger follower”, ajuste hidráulico da folga e tuchos mecânicos, no lugar dos tuchos hidráulicos do motor Puretech anterior.
O cabeçote foi redesenhado, incluindo o uso de uma liga de alumínio também adotada em motores a diesel, e, para reduzir o consumo de óleo, os pistões foram retrabalhados no topo e nas canaletas dos anéis. O separador de óleo também recebeu materiais mais resistentes para a construção das válvulas internas.
O motor Stellantis - Peugeot Turbo 100 substitui o Puretech
Substituir a correia banhada a óleo por uma corrente metálica talvez seja a mudança mais importante de toda a atualização.
A solução anterior foi desenvolvida com foco em eficiência energética e redução de atritos internos, mas acabou acumulando histórico de questionamentos relacionados à durabilidade em diferentes mercados. Agora, a Stellantis opta por uma solução tradicional, amplamente conhecida pela indústria e geralmente associada a menores preocupações de manutenção ao longo da vida útil do motor.
Para reforçar a confiabilidade, o desenvolvimento do novo Turbo 100 incluiu mais de 30.000 horas de testes em bancada e mais de 3 milhões de quilômetros rodados em condições reais. Parte dessa validação ocorreu em veículos submetidos a uso severo, alguns deles ultrapassando a marca de 200.000 quilômetros.
A manutenção programada também foi otimizada, com intervalos ampliados para 2 anos ou 25.000 km (com uma inspeção visual intermediária anual). Os modelos equipados com esse motor (como 208 e 2008) também poderão contar com o programa Peugeot Care, que prevê cobertura de até 8 anos ou 160.000 km, a depender do mercado.
Em busca da confiança
A mudança também chama atenção por outro motivo. No Brasil, a discussão sobre correias banhadas a óleo continua presente entre consumidores e fabricantes. A General Motors, por exemplo, segue utilizando conceito semelhante em motores turbo produzidos localmente, tema que frequentemente aparece em fóruns, oficinas especializadas e grupos de proprietários.
Ao migrar para uma corrente metálica, a Stellantis envia um sinal claro ao mercado: confiabilidade voltou a ocupar posição central no desenvolvimento dos motores a combustão. Em um momento em que a eletrificação avança, mas ainda conviverá por muitos anos com os motores térmicos, decisões como essa podem ter peso tão importante quanto potência, consumo ou desempenho.
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