Yamaha NEOS é o veículo elétrico mais eficiente que já testamos
Cara e classificada como cicloelétrico, scooter é difícil de justificar, mas nunca andamos em algo tão econômico
Imagine ter que pagar R$ 33.990 por algo que fica no meio do caminho entre um autopropelido e uma moto. Essa foi a parede que a Yamaha foi de encontro quando lançou a NEOS Connected no Brasil em janeiro de 2025. Elétrica, a scooter acabou se enquadrando como ciclomotor elétrico.
É a categoria de veículo no mercado nacional mais difícil de se justificar, já que tem diversas restrições de circulação como um autopropelido, mas exige habilitação (ACC ou CNH A) e emplacamento como uma moto. Algumas lições a Yamaha já aprendeu, sendo a principal delas trabalhar melhor o preço: hoje a NEOS custa R$ 25.990 sem frete. Na prática, é o mesmo valor de uma Yamaha NMax ou Honda PCX, só que seu desempenho é de motinha elétrica chinesa, daquelas que você compra na internet por um terço do preço com origem e suporte duvidosos. Então o que sobra à NEOS?
Galeria: Avaliação Yamaha NEOS Connected
Pequenas especificações
Boa parte das questões que a Yamaha NEOS precisa se justificar vem de seus números. A scooter classificada como ciclomotor tem um propulsor do tipo sincronizado trifásico de excitação, tem potência máxima de 2,4 kW (3,1 cv) montado diretamente na roda traseira. Com esse conjunto elétrico, entrega um torque máximo de 135,3 N.m (13,8 kgfm). Aqui vale pontuar que a velocidade máxima é limitada de fábrica a 45 km/h. Como ciclomotor, não poderia ultrapassar 50 km/h de qualquer forma.
O conjunto é alimentado por duas baterias de íons de lítio, cada uma pesando 8 kg e ficando sob o assento. Elas têm tensão de 50,4 Volts (V) e capacidade máxima de 23,2 Ampère-hora (Ah). Fazendo as contas, são 1,17 kWh de capacidade cada, ou 2,34 kWh de capacidade total. A Yamaha declara uma autonomia de 39 km para uma bateria e 71 km para duas em uso. A NEOS vem com um carregador de 180 kW de potência, então podem separar 9h da sua vida para carregar completamente cada uma delas. No mundo real você não deixará a bateria acabar completamente, então uma carga de 20% a 80% em 5 h para cada uma é um cenário um pouco mais real.
Avaliação Yamaha NEOS Connected
As medidas são basicamente as de uma scooter 125. A Yamaha NEOS tem 1.880 mm de comprimento, 695 mm de largura, 1.120 mm de largura e 1.305 mm de entre-eixos. A altura do assento é de 795 mm, o vão livre é de 135 mm e a marca declara um peso em ordem de marcha (com as baterias) de 90 kg.
O quadro é como o de uma scooter convencional, underbone, com suspensão dianteira por garfo telescópico com 90 mm de curso e traseira com amortecedor único, balança unilateral e 76 mm de curso. As rodas são de liga leve de 13" com pneu 110/70-13 na dianteira 130/70-13. A NEOS usa freio a disco com 200 mm de diâmetro na dianteira e tambor de 130 mm na traseira.
Avaliação Yamaha NEOS Connected
Toda a iluminação da Neo's é de LED. O painel multifunções é digital com tela LCD e entrega as seguintes informações: velocímetro, hodômetro, hodômetro parcial, relógio e ícones de conectividade (notificação de mensagem e chamada recebida e status da bateria do smartphone conectado).
Também são exibidos no painel os indicadores de carga das baterias, aviso de modo de pilotagem ECO, indicador RUN (quando o modelo está pronto para rodar) e ainda luzes indicadoras de problema no motor e erro na chave de presença. Uma luz amarela com uma tartaruga acende para indicar quando o nível da bateria é menor ou igual a 20%, então a velocidade é reduzida. Entre os demais itens de série dignos de nota, há chave presencial.
Avaliação Yamaha NEOS Connected
Mobilidade limitada
Se você não souber o que é a Yamaha NEOS, vai pensar que é uma scooter de entrada. Poderia te falar que é uma, sei lá, Yamaha Crypton 2027 e vocês acreditariam. E num mar de produtos de origem duvidosa, isso já é uma tremenda vantagem. Mas parecer melhor não justifica pagar o dobro. Por sorte, não para por aí.
A grande sacada da NEOS talvez esteja em ser um dos poucos ciclomotores elétricos à venda no Brasil que anda como qualquer scooter de verdade da Yamaha. Sem barulhos de acabamento, sem peças se soltando e a qualidade de rodar mais próxima de uma NMax que de um brinquedo elétrico. Amortecimento correto, segurança nas mudanças de direção e frenagens firmes mesmo sem ABS são qualidades que sinto falta até em algumas motos chinesas de verdade.
Mas o uso é limitado, e não estou nem falando das restrições de circulação por ser ciclomotor. Não se engane pelos mais de 13 kgfm de torque, foque mais nos 3,1 cv de potência. A NEOS perde - o pouco de - embalo em ladeiras e levar garupa é uma aventura que exige planejamento para evitar subidas. Minha esposa após subirmos a rua de casa em zigue-zague como uma bicicleta que o diga. As rodas relativamente pequenas e as suspensões com pouco curso também implicam em batidas secas nos buracos mais fundos.
Avaliação Yamaha NEOS Connected
Em trechos mais planos, a NEOS vai bem. Não poder andar em vias expressas ou rodovias sem acostamento é o que mais atrapalha. Isso limita a pequena elétrica da Yamaha ao uso intra-bairros. Em grandes capitais rasgadas por vias expressas, demanda achar caminhos alternativos. Em cidades do interior ou litoral talvez faça mais sentido.
Algumas desventuras depois veio talvez a maior supresa do teste da Yamaha NEOS. Das baterias cheias até a moto começar a limitar a potência e a velocidade foram 74,4 km. A autonomia declarada pela marca está bem próxima da realidade, algo difícil de ver entre carros elétricos. Sabe o que também é muito difícil? Um carro elétrico fazer 45,4 km/kWh de consumo médio, mais que o dobro de qualquer carro elétrico já testado pelo Motor1.com Brasil e lembrando que não rodei até a moto parar.
Talvez o maior problema da Yamaha NEOS não esteja na moto em si, mas na limitação imposta por ser classificada como ciclomotor. Tem todos os deveres legais das motos com as restrições de autopropelidos. Se a Yamaha conseguisse fazer com que a NEOS se qualificasse como moto (com um pouco mais de potência e velocidade máxima), mas mantendo o preço próximo da NMax, talvez fosse uma compra justificável. Como está hoje, é um meio de mobilidade bom, mas caro e vai servir a trajetos curtos ou como locomoção em condomínios fechados para os mais endinheirados. Mas é um passo na direção da eletrificação.
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