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Voamos no HondaJet Elite II: engenharia Honda em outro universo

A experiência de voo no único avião do mundo produzido por uma marca de automóveis

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11:56

A Honda sempre foi conhecida por motores, precisão e um certo perfeccionismo técnico que aparece até nos detalhes mais simples dos carros. Por isso, quando a marca decidiu projetar um avião, era inevitável imaginar que boa parte dessa filosofia apareceria ali. E aparece. O HondaJet Elite é um jato criado com a filosofia de que é possível conquistar o impossível.

E foi no HondaJet que voamos em um trajeto curto entre o Campo de Marte, aeroporto ao lado do local onde se realizou Salão do Automóvel, e Itirapina, cidade no interior de São Paulo onde está instalada a fábrica da Honda que produz o novo WR-V, além da linha HR-V e City.

Este experimento foi uma espécie de ponto de encontro entre o mundo automotivo e o aeronáutico, onde notamos que várias soluções nascem de uma lógica bastante familiar para quem conhece a empresa.

Aerodinâmica em primeiro lugar

A primeira impressão vem da fuselagem. Toda a parte dianteira é feita em fibra de carbono e não há rebites aparentes, algo incomum em aeronaves desse porte. O objetivo é simples e bem pragmático: reduzir arrasto, melhorar o fluxo de ar e, no final das contas, voar mais alto e mais rápido gastando a mesma quantidade de combustível dos concorrentes. A peça é produzida em uma peça única, usando uma barra maciça de alumínio usinada até chegar ao formato final, o que gera uma estrutura limpa, rígida e com menos pontos de vibração. É o tipo de obsessão por precisão que a gente costuma ver em carros, mas levada a um nível onde qualquer imperfeição gera turbulência real.

HondaJet Elite 2 no Brasil

Cabine do HondaJet Elite 2

Foto de: Motor1 Brasil

O sistema de pitot é fixo, não-removível, e integra leitura de velocidade, altitude, inclinação e variações de temperatura para detectar formação de gelo. Nas bordas das asas, o aquecimento vem diretamente do ar quente expelido pelas turbinas, o que impede a criação de gelo, diferente de outras aeronaves que usam um sistema mais espartano com uma borracha que se infla no local. Também é curioso observar que até a região inferior da fuselagem recebe atenção especial, com materiais metálicos igualmente sem rebites aparentes. Tudo é pensado para cortar o ar com o menor atrito possível.

Exclusividade no segmento

Mas o grande diferencial do HondaJet continua sendo o posicionamento dos motores. Em vez de ficarem presos à asa ou incorporados à fuselagem, eles são montados em suportes acima da asa. É uma solução raríssima, que exige cálculos precisos de fluxo e sustentação, mas que produz um efeito imediato na cabine: praticamente não há vibração.

HondaJet Elite 2 no Brasil

HondaJet Elite 2 no Brasil

Foto de: Motor1 Brasil

Durante a decolagem, o ruído é muito menor do que se espera de um jato leve, e quando o avião entra em regime de cruzeiro, o som predominante é o do ar-condicionado. As turbinas são fruto de um projeto conjunto entre Honda e GE, com pequenos perfis perfurados na carcaça interna para atenuar vibrações e melhorar a estabilidade rotacional.

O trem de pouso é outro ponto interessante. O sistema de recolhimento é acionado eletricamente e trabalha de forma automática. Quando o avião detecta vento lateral ou qualquer desvio durante o toque na pista, o conjunto executa pequenas correções para estabilizar a aeronave, como se fosse um controle de estabilidade de carro funcionando em tempo real, só que aplicado a um pouso. As luzes externas utilizam LED justamente para eliminar a necessidade de troca de filamentos e reduzir manutenção, algo que pode parecer simples, mas faz sentido quando pensamos no uso intensivo de jatos executivos.

Os winglets também merecem atenção. Aquele pequeno prolongamento da asa tem a função de bloquear o vórtice que se forma na ponta, reduzindo turbulência e melhorando a eficiência. É uma solução amplamente usada na aviação comercial, mas no HondaJet ela aparece como parte fundamental do desenho, pensada para suavizar o comportamento em baixas velocidades e manter o consumo mais baixo.

Cabine de carros de luxo

Na cabine, o HondaJet Elite II oferece quatro assentos principais, mas a capacidade pode chegar a sete pessoas dependendo da configuração, incluindo a possibilidade de usar o assento lateral do banheiro ou até mesmo o banco do copiloto quando o voo é conduzido por um único piloto. O espaço surpreende para um jato leve. Quem é mais alto consegue ajustar a lateral de alguns assentos para não bater a cabeça, e a rotação completa das poltronas ajuda a acomodar os passageiros sem aquela sensação apertada comum em aeronaves desse porte. O nível de ruído é tão baixo que a conversa acontece normalmente, sem necessidade de elevar a voz.

HondaJet Elite 2 no Brasil

Interior do HondaJet Elite 2 

Foto de: Motor1 Brasil

O voo entre São Paulo e Itirapina foi a melhor demonstração da proposta do HondaJet. A decolagem é rápida e, quando chega ao teto operacional, o avião simplesmente se estabiliza, com uma suavidade que não combina com o tamanho compacto. A ausência de vibração impressiona. A navegação é tranquila e a sensação é de estar em um ambiente mais próximo de um carro bem isolado acusticamente do que de uma aeronave. Ao chegar perto da fábrica, o contraste com o trânsito da Castelo Branco é inevitável. O trajeto que normalmente exigiria pedágio, obras e tempo imprevisível se transforma em poucos minutos de deslocamento.

Autonomia e preço


O que você pensa sobre isso?

A autonomia gira em torno de 2.800 km, o que permite cobrir praticamente todas as regiões do Brasil saindo de São Paulo, com exceção da região Norte, onde uma parada técnica é recomendada por questão de segurança e margem de combustível. O preço também chama atenção: cerca de 8 milhões de dólares nos Estados Unidos e aproximadamente 50 milhões de reais quando trazido ao Brasil, considerando impostos e taxas. No mundo, há pouco mais de 260 unidades em operação, sendo apenas oito no Brasil.

O HondaJet Elite II é, no fim das contas, a expressão da engenharia Honda aplicada em um ambiente completamente diferente do habitual. Ele segue a lógica da marca de reduzir vibração, melhorar fluxo, eliminar peso desnecessário e buscar eficiência em cada detalhe. É quase como ver um Civic Type R transformado em aeronave corporativa: mesmo quando muda o meio, a filosofia continua exatamente a mesma.

Envie seu flagra! flagra@motor1.com