Teste Mini Countryman John Cooper Works: pelos bons tempos
Apesar de ser um SUV, consegue andar (quase) como um Mini Cooper
Se a Mini não tivesse feito o Countryman em 2010, dificilmente sobreviveria o mundo que veio depois. Não que os seus compactos cheios de charme não vendam, mas é bem claro que o SUV é o preferido ao redor do mundo tanto pela usabilidade quanto por ser o segmento do momento. Isso não significa que ele precisa ser chato, principalmente assinado pela divisão John Cooper Works.
Na nova geração, o Mini Countryman JCW se diferencia ainda mais do que existe em outras marcas premium, inclusive do BMW X1, com quem compartilha plataforma e diversos componentes. Depois de 15 anos de vida, o SUV da Mini ainda encanta? Dá para chamá-lo de Mini quando comparado ao charmoso hatch icônico?
O BMW X1 descoladão?
Vamos fazer justiça aqui: pensando na história da BMW, a plataforma UKL, de tração dianteira e integral, está mais para algo Mini e usado pela marca alemã para fazer seus modelos "de entrada" que ao contrário. Com isso em mente, este Countryman (U25) compartilha a base UKL2 com o atual BMW X1, X2 e outros modelos das Séries 1 e 2, como já aconteceu com a UKL1 na geração anterior.
Por isso que muitas dimensões são próximas ou semelhantes, como o entre-eixos de 2.692 mm. Mas o visual do Countryman carrega quase tudo próprio, com um estilo mais descolado e elementos que remetem a um Mini, como manda a cartilha. As lanternas, por exemplo remetem a bandeira britânica e, como estamos em um JCW, há as quatro saídas de escape na traseira e um kit aerodinâmico mais esportivo, incluso as rodas de 20".
Tanto lanternas quanto faróis em LEDs podem ser personalizados com três opções de exibição, selecionáveis pela central multimídia. Na unidade testada, a carroceria contrasta com o teto em vermelho, acompanhado das capas de espelho na mesma cor. Não passa despercebido, mas não chega a ser brega e exagerado, com linhas bem limpas que ficaram características dessa geração do Countryman.
Mas é por dentro que um mundo lúdico se destaca no Mini Countryman. Sempre remetendo ao passado, a tela central tem 240 mm de diâmetro e tecnologia OLED - de fato, uma das telas com melhor resolução que já vimos em um carro, independente da intensidade de luz externa ou posição em que é vista. Ali, tem desde informações, como conta-giros, até espelhamento sem fios e navegação GPS integrada, com o a mais de sistema de som assinado pela Harman Kardon. O motorista tem um Head-Up Display para informações como velocidade, nível de combustível e sobre os assistentes de condução.
O acabamento usa tecidos, LEDs e cores para sair do comum, assim como uma caixa como porta-objetos. Os bancos esportivos abraçam bem o corpo sem tirar o conforto, com ajustes elétricos e memória. O Countryman tem assistentes pessoais que podem ser um Mini Cooper clássico ou um Bulldog inglês. Troque o modo de condução e seja recepcionado por luzes e sons, com direito a um "UHUL" quando o modo mais esportivo é escolhido. É um mundo bem lúdico e divertido, como sempre a Mini quis preservar.
Espaço para a família e mais 317 cv
Com o passar dos anos, donos de Mini Cooper acabam indo para o Countryman em busca do espaço interno. No banco traseiro, bom espaço para dois adultos e, no porta-malas, os 505 litros estão acompanhados de uma tampa com acionamento elétrico. É um SUV no fim das contas, inclusive na usabilidade, com o extra de 317 cv.
A assinatura John Cooper Works sempre significa um Mini ainda mais divertido. No Countryman, temos a versão mais potente do 2.0 turbo do Grupo BMW, o B48A20T2, que inclui pistões e virabrequim mais resistentes e taxa de compressão mais baixa, para aguentar mais pressão do turbo, também maior. Além dos 317 cv, são 40,8 kgfm de torque, que vão para o chão via câmbio de dupla embreagem com sete marchas e sistema de tração integral automática.
Os amortecedores são adaptativos, o que tira aquela antiga fama de carro duro demais de um Mini. No dia a dia, segue firme, mas não bate seco ou incomoda os ocupantes - apesar do BMW X1 ser mais confortável. Sobre potência e torque, mesmo em modo de condução mais eficiente, longe de ser lento ou não estar disponível o tempo todo - de brinde, um consumo de 9,1 km/litro na cidade e 12,8 km/litro na estrada em nosso teste.
Se não soubesse, o Countryman JCW passa por uma versão normal com a ajuda da eletrônica. Direção leve, diversos assistentes de condução, um câmbio com trocas suaves e que aproveita o torque em baixas do 2.0 turbo para não esticar demais as marchas. A partida é dada no console central, em um botão-chave diferente, assim como o seletor do câmbio por botões, que libera o espaço no console central.
O lado JCW é obrigatório. Depois do UHUL do carro, percebo um ronco mais grosso - pena que pelos alto-falantes, inclusive os falsos pipocos do escape nas trocas de marchas. Direção mais firme e responsiva, acelerador mais sensível e câmbio mais rápido. Controle de largada, 0 a 100 km/h em 5,1 segundos! É rápido e o sistema de tração integral tem grande responsabilidade.
Dá para esquecer o tamanho do Countryman. É dinâmico, sem dobrar a carroceria sobre os amortecedores, aqui mais rígidos, e ganhando velocidade com fôlego. No volante pequeno, as aletas para as trocas de marchas são rápidas, mas não permissivas nas reduções. Não nega ser um BMW, nem um Mini, e tenta não ser tão SUV. Com retomadas abaixo dos 4 segundos, tem fôlego para encarar uma estrada sem passar vergonha para esportivos mais baixos e menores. Até um track day, se você teve que trocar seu Mini Cooper pelo SUV para caber a família.
Isso custa R$ 410.990. É mais caro que um BMW X1 topo (R$ 383.950), mas que não tem essa potência ou tração integral. Por outro lado, é mais barato que o BMW X2 M35i, com o mesmo conjunto de motor, câmbio e tração (R$ 533.950) ou que o Mercedes-AMG GLA 35, de 306 cv e R$ 544.900. No fim das contas, é diferentão e paga as contas dentro da Mini.
Mini Countryman John Cooper Works
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