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Do Celta ao Sonic: planta da Chevrolet em Gravataí (RS) chega às 5 milhões de unidades

Marco histórico foi alcançado com o novo SUV de entrada; relembre a evolução da planta gaúcha desde a produção do Celta

Chevrolet Sonic celebra 5 milhões de unidades produzidas em Gravataí (RS)
Foto de: Motor1 Brasil
Thomas Tironi Thomas Tironi

A General Motors atingiu a marca de 5 milhões de veículos produzidos em sua fábrica de Gravataí (RS). Inaugurada em julho de 2000 para produzir o Celta, a planta passou por constantes processos de modernização ao longo dos últimos 26 anos e atualmente é responsável pela montagem do Onix, Onix Plus e, mais recentemente, também do novo Sonic.

O veículo de número 5.000.000 produzido na unidade foi justamente o novo SUV de entrada, mais especificamente um Sonic na versão RS na cor Cinza Urbano. Primeira fábrica da Chevrolet no Brasil fora do estado de São Paulo, a planta gaúcha foi construída há mais de duas décadas e, desde então, passou por três importantes expansões. Ao todo, já recebeu mais de R$ 6 bilhões em investimentos, evoluindo de uma linha dedicada ao Celta para uma das fábricas mais modernas da General Motors em todo o mundo.

Tudo começou com o Celta

Suas operações tiveram início em 20 de julho de 2000, com a produção exclusivamente do Projeto Macaw, ou Arara Azul, nome pelo qual o Celta era conhecido durante seu desenvolvimento. Criado para substituir as versões de entrada do Corsa, o hatch inaugurou uma nova fase da Chevrolet no país e também marcou a estreia da primeira fábrica da marca fora do estado de São Paulo. Foi fabricado até o ano de 2015, ganhando melhorias de design, acabamento e motorização.

Distante cerca de 30 km de Porto Alegre (RS), o Complexo Industrial Automotivo de Gravataí foi revolucionário ao trazer seus fornecedores para o entorno da linha de produção, recebendo montados, por exemplo, rodas, pneus, chicotes elétricos e outros conjuntos, sem depender de serviços logísticos mais afastados, como tradicionalmente acontecia em outras fábricas. O conceito de condomínio industrial, ainda pouco comum na época, tornou a operação mais ágil e eficiente.

Chevrolet Prisma

Primeiro Prisma era derivado do Celta e tinha visual inspirado no Vectra

Foto de: Divulgação

A chegada do Prisma

O primeiro grande crescimento da unidade veio em 2006. Após reformas e ampliações, a capacidade produtiva passou para 230 mil veículos por ano, viabilizando a produção do Prisma de primeira geração, então derivado do Celta.

Ele já estreou com o facelift que posteriormente também chegaria ao hatch, inspirado na terceira geração do Vectra. Foi a primeira vez que Gravataí passou a produzir mais de um modelo simultaneamente. Apesar de ter nascido como sucessor do Classic e de ampliar a atuação da Chevrolet entre os sedãs compactos, o Prisma de primeira geração teve uma vida relativamente curta e saiu de linha em outubro de 2012 para dar lugar ao modelo totalmente novo derivado do Onix.

O projeto Onix

Em 2010, a capacidade aumentou novamente, chegando a 350 mil unidades por ano para receber o projeto do Onix, lançado comercialmente em 2012. Desenvolvido sobre a plataforma GSV (Global Small Vehicle), o hatch também deu origem ao Prisma de segunda geração, além do sedã Cobalt e da minivan Spin, estes produzidos em São Caetano do Sul (SP).

Foi com a primeira geração do Onix, inclusive, que a Chevrolet alcançou a liderança entre os automóveis mais vendidos do Brasil durante seis anos consecutivos, encerrando a hegemonia do Volkswagen Gol.

O projeto também marcou a ruptura definitiva da fabricante com os compactos derivados da Opel e da Vauxhall, passando a priorizar uma arquitetura desenvolvida para mercados como América Latina.

Segunda geração e indústria 4.0

Em agosto de 2017, a unidade recebeu um novo aporte de investimentos, quando foram anunciados R$ 1,4 bilhão para preparar a chegada da segunda geração dos compactos. Lançados entre 2019 e 2020, Onix e Onix Plus passaram a utilizar a plataforma GEM (Global Emerging Markets), fruto de um projeto global com forte participação dos centros de engenharia do Brasil e da China.

Essa nova base trouxe melhorias em estrutura, dirigibilidade e segurança, com foco nos mercados latino-americano e chinês, e também deu origem ao Tracker nacional, produzido em São Caetano do Sul desde meados de 2020.

Comparativo VW Polo Highline vs. Chevrolet Onix Premier vs. Hyundai HB20 Platinum Plus vs. Honda City Hatch Touring
Chevrolet Onix Plus 1.0T Premier 2026

Além da nova linha de montagem, Gravataí ganhou um prédio dedicado à injeção de polímeros, onde são moldados componentes como os para-choques, e passou por um amplo processo de digitalização. A fábrica também passou a operar em três turnos, alcançando capacidade para produzir cerca de 330 mil veículos por ano, ou até 63 carros por hora.

Foram instalados ainda softwares de controle e integração dos sistemas produtivos, garantindo que cada componente fosse montado exatamente dentro dos parâmetros determinados pela engenharia. Na prática, isso significa que até mesmo o torque aplicado em cada parafuso é monitorado eletronicamente durante a montagem.

Destaque ainda para a adoção de novos robôs, que trabalham sincronizados com sistemas de visão capazes de realizar autocorreções automáticas durante a produção e operam dentro do conceito de manufatura 4.0. Eles ainda foram integrados a sensores a laser responsáveis por realizar verificações dimensionais online de todos os veículos produzidos.

O novo Sonic

Projeto mais recente da norte-americana no país, o retorno do Sonic deixa de lado as antigas carrocerias hatchback e sedã importadas do México em favor de uma base compartilhada com o Onix de segunda geração, passando a ser feita exclusivamente em Gravataí.

Ele é oferecido sempre com motorização 1.0 turbo e com injeção direta, mesmo propulsor e calibração usados no atual Tracker, além de contar com duas versões: Premier, com visual mais sóbrio, e a RS, com elementos que tentam remeter a esportividade. Posicionado estrategicamente entre os irmãos Onix e o Tracker, o novo SUV chegou para ocupar o meio termo entre eles, com preços entre R$ 129.990 e R$ 135.990.

Chevrolet Sonic RS 2027
Chevrolet Sonic RS 2027
Chevrolet Sonic RS 2027
Fotos de: Diogo de Oliveira
Fotos de: Diogo de Oliveira

Sua chegada também representou um novo ciclo de investimentos para a fábrica. Em meados de 2024, a General Motors anunciou um aporte de R$ 1,2 bilhão destinado à modernização da linha de montagem, atualização do Onix e do Onix Plus e preparação da unidade para receber o então inédito Projeto Carbon, nome interno utilizado durante o desenvolvimento do Sonic.

As mudanças envolveram desde adaptações na linha de produção até a incorporação de novos processos industriais e equipamentos. Durante visita exclusiva realizada por Motor1.com Brasil à fábrica logo após o lançamento do SUV, em maio, foi possível acompanhar de perto o início da produção do modelo e observar o funcionamento de uma linha ainda mais automatizada.

Hoje, Gravataí opera dentro do conceito de smart factory, utilizando centenas de robôs e sistemas integrados capazes de monitorar praticamente todas as etapas da produção. Caso qualquer anormalidade seja detectada, a própria linha pode interromper o processo até que o problema seja corrigido, garantindo que cada veículo deixe a fábrica dentro dos padrões estabelecidos pela engenharia.

Outro diferencial continua sendo o modelo de condomínio industrial implantado desde a inauguração da unidade. Fornecedores estratégicos permanecem instalados dentro do complexo, reduzindo etapas logísticas e permitindo que diversos componentes cheguem praticamente prontos à linha de montagem.

Chevrolet Tracker 2026 - Fotos oficiais (BR)
Fotos de: Chevrolet
Chevrolet Sonic 2027 | Acessórios
Fotos de: Chevrolet

Futuro será híbrido?

Ao que tudo indica, a próxima transformação de Gravataí deverá passar pela eletrificação. Apesar de hoje a Chevrolet contar com um dos maiores portfólios de elétricos do país - incluindo Spark EUV e Captiva EV, montados hoje em regime SKD na fábrica de Horizonte (CE) -, os híbridos nacionais anunciados há alguns anos seguem sem data para estrear.

O que você pensa sobre isso?

A informação mais recente, no entanto, indica que esse cenário pode mudar em breve. Segundo o colunista Jorge Moraes, da CNN, o Tracker deverá ser o primeiro Chevrolet nacional a adotar um sistema híbrido leve de 48 volts, semelhante ao utilizado por modelos como Jeep Renegade. O conjunto utiliza um pequeno motor elétrico para auxiliar o propulsor a combustão em situações específicas, reduzindo consumo e emissões, mas sem capacidade de tracionar o carro sozinho.

Depois dele, o caminho natural parece levar ao Sonic. Além de compartilhar a plataforma GEM com o SUV, o novato já nasceu equipado com o motor 1.0 turbo de injeção direta, o mesmo utilizado pelo Tracker e diferente do 1.0 de injeção indireta que permanece sob o capô do Onix e do Onix Plus. 

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