Teste Citroën Basalt 1.0 Feel MT: preço por metro quadrado
Afinal, dá certo colocar motor 1.0 aspirado em um carro desse tamanho?
No mercado imobiliário, a maioria que procura um novo imóvel acaba enfrentando o dilema entre adquirir um imóvel menor em regiões mais valorizadas, ou um imóvel maior em regiões mais próximas do subúrbio, ainda que abra mão de algumas conveniências como à proximidade de serviços e transportes, mas em troca te dá mais espaço e conforto.
Com o Basalt 1.0 Feel MT, a versão de entrada do SUV-cupê tabelada em R$ 92.990, a comparação é semelhante. O Citroën é hoje, com folga, o mais barato entre os SUVs. Para isso, entretanto, aposta em um conjunto bem simples, já conhecido de outros modelos da linha C-Cubed, como o motor 1.0 Firefly aspirado, que geralmente é utilizado em hatchbacks compactos, como o C3, 208 e Argo. Mas será que ele dá conta do recado?
Citroën Basalt 1.0 Feel MT 2025
Simples, mas não básico
Quando a versão Feel 1.0 aspirada do Basalt ainda estava sendo ventilada, era esperado que o SUV tivesse rodas de ferro com calotas, como acontece no C3 Aircross Feel. Mas, ao chegar ao mercado, a configuração de entrada surpreendeu por trazer rodas de 16" de liga-leve em cinza e acabamento que, no geral, pouco se diferencia das demais versões, se mostrando apenas pela ausência dos faróis de neblina e alguns detalhes menores.
Por dentro, a versão traz painel de instrumentos em tela de 7" com conta-giros (que não está presente em nenhuma configuração do C3) e o sistema multimídia de 10" com espelhamentos sem fios e câmera de ré compartilhado com os dois irmãos de plataforma - a versão mais básica deve aparecer em um próximo ano/modelo, sem alguns itens.
Há também retrovisores elétricos e vidros elétricos com função um-toque para todos os passageiros, ainda que os traseiros estejam localizados no console central, como nos primeiros C3 e nos Peugeot 206. Falha indesculpável, já que o modelo indiano traz o comando nas portas e que já falamos sobre todos os Citroën desta base.
Na segurança, além dos obrigatórios freios ABS e controle de tração e estabilidade, há quatro airbags, sendo dois dianteiros e dois laterais. O acabamento não esconde sua origem franciscana, abusando dos plásticos rígidos já conhecidos dos outros Citroën. Mas, novamente, custando R$ 92.990, não se diferencia muito dos concorrentes nesse aspecto.
Citroën Basalt 1.0 Feel MT 2025
Mas seu grande destaque, mesmo, é o espaço: são 4.343 mm de comprimento, ou 23 mm maior que o C3 Aircross. Porém, ele privilegia o balanço traseiro para criar uma harmonia com o caimento cupê do teto, com 2.645 mm entre os eixos. Seu porta-malas também é um trunfo nesta faixa de preço, oferecendo 490 litros. Não será surpresa se o Basalt como esse estiver rodando através de aplicativos de transporte ou em locadoras como substituto de sedãs.
Para quem não tem pressa
Ao volante, o Basalt 1.0 Feel MT provavelmente decepcionará aqueles que já tiveram oportunidade de andar em algum dos modelos da linha C-Cubed com o motor 1.0 T200 turbinado alinhado ao câmbio CVT. Sua manopla, que é responsável pelo acionamento das cinco marchas, parece um tanto desajeitada pela sua posição alta demais, que é acompanhada por cursos longos nas trocas. O acionamento, por sua vez, lembra muito o visto nos Fiat.
Também não espere agilidade do 1.0 Firefly aspirado de 3-cilindros, com 2 válvulas por cilindro. Tem 71 cv e 10 kgfm com gasolina e 75 cv e 10,5 kgfm com etanol. Em um carro de 1.120 kg, a relação peso x potência fica próxima dos 14,93 kg/cv. Com esse conjunto, o Basalt levou 17 segundos para ir dos zero aos 100 km em nossos testes. O desempenho é compensado pelo consumo, com médias de 10,3 km/L na cidade e 17,2 km/L na estrada, com gasolina.
Ao contrário do que possa parecer, a unidade das imagens não passou por funilaria mal feita: os novos Citroën saem de fábrica sem pintura no cofre
É necessário paciência e, acima de tudo, habilidade para ‘’cambiar’’ o carro, principalmente em subidas, onde reduções são frequentes. No dia a dia, entretanto, o Basalt se comporta bem, mostrando fôlego em baixa suficiente para encarar as tarefas do trânsito diária.
Sua suspensão também é voltada para o conforto, enfrentando com destreza as valetas e buracos das grandes cidades. Em velocidades mais altas, entretanto, a direção, do tipo elétrica, poderia ser um tanto mais firme, o que evitaria algumas flutuações.
Racional acima de tudo
No fim, a escolha sobre a versão de entrada do Basalt recaí para quem busca um carro espaçoso, que talvez o utilize como ferramenta de trabalho, e não se importe em levar um carro mais fraco para casa. Seu concorrente mais próximo, o Renault Kardian Evolution MT (R$ 112.690), já traz motor 1.0 turbo e acabamento um tanto mais refinado, mas cobra por isso.
A favor do modelo da Citroën, o porta-malas de 490 litros o deixa próximo do seu primo mais caro, o Fastback, que parte de R$ 119.990, mas em uma embalagem bem mais convidativa ao bolso tanto na hora de comprar como de manter.
No fim das contas, o Basalt é como aquele apartamento espaçoso na subúrbio: pode até não estar no ponto mais cobiçado da cidade, mas oferece muito mais do que se imagina pelo valor que custa.
Citroën Basalt 1.0
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