Com 292 unidades em 2026, Citroën derruba preço do Aircross em R$ 25 mil
SUV compacto na versão Shine de 7 lugares pode sair por menos que um VW Tera ou Chevrolet Sonic; veja se vale
A maré não está das melhores para o Citroën Aircross. A geração atual, lançada no fim de 2023, chegou às concessionárias com a promessa de atender ao que o mercado brasileiro mais valoriza: estilo de SUV, espaço interno generoso, motor turbo e até opção de cinco ou sete lugares. Na teoria, parecia ter todos os ingredientes para cair no gosto do consumidor. Mas os números contam outra história.
Segundo dados da Fenabrave, durante os seis primeiros meses de 2026 o Aircross somou 292 unidades, menos do que alguns modelos de esportivos e de luxo no mesmo período, caso da linha Porsche 911 (com 695 emplacamentos). O resultado ficou distante dos líderes do segmento no mesmo período, como Volkswagen T-Cross (48.049) e Hyundai Creta (35.929).
Na tentativa de reverter o quadro, a marca francesa aposta em campanhas agressivas no site oficial de ofertas. A versão Shine 7L Turbo 200 AT, intermediária, aparece com preço de tabela de R$ 154.490, mas pode ser encontrada por R$ 128.790 para unidades 2026/2026 durante o período de julho e começo de agosto, ou enquanto durarem os estoques.
O que traz o Aircross 2026
Emancipado do C3, o SUV perdeu o nome do carro que lhe deu origem como forma de tentar carreira solo. As mudanças, no entanto, param por aí, já que ele compartilha quase tudo com o hatch de entrada da francesa, incluindo a motorização.
Todas as versões do Citroën Aircross são equipadas com o motor 1.0 turbo T200 flex, de três cilindros da Stellantis. Assim como nos produtos da Fiat e da Peugeot, o propulsor entrega 130 cv de potência quando abastecido com etanol e, com gasolina, são 125 cv, enquanto o torque é sempre de 20,4 kgfm com qualquer combustível. A única opção de câmbio é o automático do tipo CVT com simulação de 7 velocidades e tração sempre dianteira.
Entre suas vantagens, há o fato de ser o maior entre os irmãos de marca no grupo Stellantis. Com 4.320 mm, ele é significativamente maior do que o Fiat Pulse e o Peugeot 2008 atual. Também é o único que leva sete passageiros, graças ao entre-eixos de 2.675 mm. Na largura e altura, são 1.796 mm e 1.678 mm, respectivamente. No porta-malas, com cinco lugares, leva 493 litros, que diminuem para apenas 42 litros com todos os assentos em utilização.
E, tal como o C3, o Aircross abusa das simplificações. Feito na base CMP, mesma em que estará o Jeep Avenger, o SUV francês dispensa qualquer tipo de assistência ao motorista do tipo ADAS, caso de piloto automático adaptativo, sensor de ponto cego, auxílio de faixas, etc. Na segurança, outras mancadas: apenas quatro airbags e sem freios a disco nas rodas traseiras.
O acabamento também é bem simples, mesmo com as leves melhorias feitas na linha 2026. Há faixa central do painel com revestimento macio em couro, mas todo o resto é em plástico duro, sem muita atenção às texturas. O cofre do motor não tem pintura na cor do carro, contando apenas com primer, e o sistema de ventilação para a parte traseira - presente no teto - apenas puxa o ar da dianteira, sem qualquer tipo de refrigeração.
De série, oferece ar-condicionado automático e digital, banco do motorista com apoio de braço, capa de retrovisores em preto brilhante, faróis de neblina, piloto automático, retrovisor externo elétrico, rodas de liga leve de ''aro 17'' diamantadas, bancos e volante com couro sintético e central multimídia de ''10'' com comandos no volante.
Vale a pena?
Os Citroëns - e Peugeots - atuais vendidos no Brasil nunca tiveram manutenção tão barata e tranquila quanto hoje, mas não caem no gosto do público. Ambas as marcas sofrem da reputação de seus tempos antigos, quando ofereciam linha mais próxima de seus equivalentes europeus, mas sem tropicalizações para o clima e consumidores locais.
E, mesmo com promoções interessantes, é um risco a que o consumidor deve se atentar ao levar para casa um modelo que vende tão pouco. Afinal, se não há demanda para ele enquanto 0km, como usado a situação não necessariamente será melhor.
Falando especificamente da oferta, as condições de venda da Citroën pedem um veículo seminovo na troca para garantir o bônus integral. O desconto máximo de R$ 25.700,00 sobre a tabela só se aplica se o comprador entregar um usado com laudo cautelar totalmente aprovado, chave reserva, manual do proprietário e com todas as revisões carimbadas na concessionária de origem.
Além disso, o documento do veículo deve estar no nome do comprador ou de parentes de primeiro grau, e o automóvel não pode demandar nenhum tipo de reparo mecânico ou de funilaria. Caso o cliente decida fechar o negócio sem um usado na troca, o preço promocional à vista sobe para R$ 131.790.
Há de se atentar também para a "Taxa Zero" do financiamento. A marca exige entrada de R$ 79.152,22 e 12 parcelas de R$ 4.789. Por conta de encargos como IOF e taxa de cadastro, o Custo Efetivo Total (CET) é de 17,77% a.a., fazendo o total a prazo pular para R$ 136.620,22. A condição é restrita à venda direta, o que significa que o prazo de entrega depende da fábrica.
SUV dará origem a um novo Fiat
Já flagrado no Brasil e na Europa, o novo SUV compacto da Fiat será uma versão mais refinada do Aircross, utilizando inclusive a mesma base CMP. Ela estará presente no Fastback - que, por sua vez, derivará do Basalt - e terá apelo global, sendo vendida em diversos mercados.
Com o Aircross - e toda a linha Citroën - vendendo tão pouco, fica a dúvida se ainda haverá apelo para oferecê-lo por aqui no médio prazo quando esse SUV, que pode substituir o Pulse, chegar ao mercado brasileiro.
Na dinâmica de marcas da Stellantis, a francesa está abaixo da Fiat, o que impossibilitaria a marca de fazer grandes modificações no projeto, como adotar o visual - e o refinamento - da versão europeia oferecida hoje.
Pesa também a falta de novidades anunciadas durante a apresentação para acionistas, há pouco tempo, que citou novos produtos para Fiat, Jeep e Ram no país e na região da América Latina, focando inclusive em gerações renovadas e motorizações multi-energia, mas nada referente à dupla de francesas.
De qualquer forma, elas podem continuar no mercado, só não serão prioridade daqui para frente, fazendo apenas versões adaptadas dos carros oferecidos nas marcas principais do grupo.
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