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Segundo economistas, grupo Volkswagen pode acabar na mão dos chineses

Sem reagir à concorrência da China, o maior grupo automotivo da Europa pode acabar sob controle chinês, apontam analistas.

VW Golf GTI 2026 (BR)
Foto de: Mario Villaescusa / Motor1.com

A Europa subestimou a China — e isso pode custar caro para a Volkswagen. Essa é a avaliação dos economistas Niall Ferguson e Moritz Schularick, que chegaram a levantar a possibilidade de o maior grupo automotivo europeu acabar, no futuro, nas mãos de uma fabricante chinesa caso a indústria local não recupere sua competitividade.

A análise foi feita durante entrevista ao jornal alemão Süddeutsche Zeitung e usa a situação atual da Volkswagen como exemplo de um problema que, segundo eles, afeta praticamente toda a indústria automotiva europeia. Embora descartem um risco imediato de falência da companhia, ambos avaliam que o avanço das montadoras chinesas tornou o cenário muito mais desafiador do que há poucos anos.

VW Golf e T-Roc R-Line Hybrid 2027
Foto de: Volkswagen
BYD Dolphin G DM-i
Foto de: BYD

Volkswagen pode ser vendida para uma chinesa?

Para Moritz Schularick, um eventual processo de insolvência da Volkswagen é improvável. Na visão do economista, um desfecho mais plausível seria a aquisição do grupo por uma fabricante chinesa, caso a empresa continue perdendo espaço no mercado global.

Entre os possíveis interessados, Schularick citou a BYD, atualmente a maior fabricante de veículos eletrificados do mundo e uma das empresas que mais cresce no setor automotivo. Ainda assim, ele ressaltou que esse cenário está longe de ser inevitável e dependerá, entre outros fatores, do sucesso do plano de reestruturação conduzido por Oliver Blume, CEO global da Volkswagen.

A montadora alemã atravessa um período de forte pressão. Nos últimos anos, anunciou cortes de custos, reduziu investimentos em algumas áreas e reviu metas para enfrentar a desaceleração das vendas na Europa e a concorrência crescente das fabricantes chinesas, especialmente no segmento de veículos elétricos.

"Os alemães subestimaram os chineses"

Para Niall Ferguson, o maior erro da indústria europeia foi acreditar que sua tradição e reputação seriam suficientes para manter a liderança tecnológica do setor. Segundo o economista, a China aproveitou décadas de investimentos públicos em baterias, eletrificação e cadeia de fornecedores para construir uma indústria altamente competitiva.

Com custos menores e forte apoio governamental, as montadoras chinesas passaram a oferecer veículos tecnologicamente avançados por preços inferiores aos praticados pelas fabricantes tradicionais.

Na avaliação dele, esse movimento foi subestimado pelas empresas europeias, que só perceberam a velocidade da transformação quando os fabricantes chineses já disputavam mercado dentro da própria Europa.

Apesar da preocupação com o avanço chinês, Schularick afirma que a resposta não deveria passar por barreiras comerciais mais rígidas. Em vez disso, defende que fabricantes chinesas sejam incentivadas a produzir veículos em território europeu, preservando empregos locais e reduzindo a vantagem obtida apenas pelo menor custo de produção.

Ferguson concorda que a indústria europeia ainda pode recuperar parte da competitividade, mas afirma que isso dependerá de investimentos consistentes em tecnologia, inteligência artificial e infraestrutura. Para ele, sem essa mudança, a Europa corre o risco de perder relevância entre os dois maiores polos da indústria automotiva mundial: Estados Unidos e China.

Alemã cortará 100 mil empregos e ao menos 4 fábricas 

A preocupação levantada por Ferguson e Schularick encontra respaldo nas medidas que a própria Volkswagen já começou a adotar. Neste mês, o grupo confirmou um amplo plano de reestruturação global que prevê o corte de até 100 mil postos de trabalho até 2030, além da possibilidade de fechar quatro fábricas na Europa. A estratégia também inclui reduzir pela metade a atual gama de veículos, simplificar o catálogo de opcionais e diminuir a capacidade produtiva anual para cerca de nove milhões de unidades.

O que você pensa sobre isso?

Segundo o CEO global Oliver Blume, o objetivo é recuperar a rentabilidade da companhia diante da queda dos lucros e do aumento da concorrência internacional. A reestruturação afetará praticamente todas as marcas do grupo, com cortes de modelos, racionalização da produção e foco apenas nos veículos de maior retorno financeiro.

Para o Brasil e a América do Sul, porém, o cenário é diferente. Até o momento, o plano não prevê demissões nem fechamento de fábricas na região. Pelo contrário: a filial sul-americana segue como uma das mais rentáveis do grupo e continua recebendo investimentos, enquanto a estratégia global pode refletir apenas na simplificação dos catálogos e na redução de versões e equipamentos de menor volume.

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