Segundo economistas, grupo Volkswagen pode acabar na mão dos chineses
Sem reagir à concorrência da China, o maior grupo automotivo da Europa pode acabar sob controle chinês, apontam analistas.
A Europa subestimou a China — e isso pode custar caro para a Volkswagen. Essa é a avaliação dos economistas Niall Ferguson e Moritz Schularick, que chegaram a levantar a possibilidade de o maior grupo automotivo europeu acabar, no futuro, nas mãos de uma fabricante chinesa caso a indústria local não recupere sua competitividade.
A análise foi feita durante entrevista ao jornal alemão Süddeutsche Zeitung e usa a situação atual da Volkswagen como exemplo de um problema que, segundo eles, afeta praticamente toda a indústria automotiva europeia. Embora descartem um risco imediato de falência da companhia, ambos avaliam que o avanço das montadoras chinesas tornou o cenário muito mais desafiador do que há poucos anos.
Volkswagen pode ser vendida para uma chinesa?
Para Moritz Schularick, um eventual processo de insolvência da Volkswagen é improvável. Na visão do economista, um desfecho mais plausível seria a aquisição do grupo por uma fabricante chinesa, caso a empresa continue perdendo espaço no mercado global.
Entre os possíveis interessados, Schularick citou a BYD, atualmente a maior fabricante de veículos eletrificados do mundo e uma das empresas que mais cresce no setor automotivo. Ainda assim, ele ressaltou que esse cenário está longe de ser inevitável e dependerá, entre outros fatores, do sucesso do plano de reestruturação conduzido por Oliver Blume, CEO global da Volkswagen.
A montadora alemã atravessa um período de forte pressão. Nos últimos anos, anunciou cortes de custos, reduziu investimentos em algumas áreas e reviu metas para enfrentar a desaceleração das vendas na Europa e a concorrência crescente das fabricantes chinesas, especialmente no segmento de veículos elétricos.
"Os alemães subestimaram os chineses"
Para Niall Ferguson, o maior erro da indústria europeia foi acreditar que sua tradição e reputação seriam suficientes para manter a liderança tecnológica do setor. Segundo o economista, a China aproveitou décadas de investimentos públicos em baterias, eletrificação e cadeia de fornecedores para construir uma indústria altamente competitiva.
Com custos menores e forte apoio governamental, as montadoras chinesas passaram a oferecer veículos tecnologicamente avançados por preços inferiores aos praticados pelas fabricantes tradicionais.
Na avaliação dele, esse movimento foi subestimado pelas empresas europeias, que só perceberam a velocidade da transformação quando os fabricantes chineses já disputavam mercado dentro da própria Europa.
Apesar da preocupação com o avanço chinês, Schularick afirma que a resposta não deveria passar por barreiras comerciais mais rígidas. Em vez disso, defende que fabricantes chinesas sejam incentivadas a produzir veículos em território europeu, preservando empregos locais e reduzindo a vantagem obtida apenas pelo menor custo de produção.
Ferguson concorda que a indústria europeia ainda pode recuperar parte da competitividade, mas afirma que isso dependerá de investimentos consistentes em tecnologia, inteligência artificial e infraestrutura. Para ele, sem essa mudança, a Europa corre o risco de perder relevância entre os dois maiores polos da indústria automotiva mundial: Estados Unidos e China.
Alemã cortará 100 mil empregos e ao menos 4 fábricas
A preocupação levantada por Ferguson e Schularick encontra respaldo nas medidas que a própria Volkswagen já começou a adotar. Neste mês, o grupo confirmou um amplo plano de reestruturação global que prevê o corte de até 100 mil postos de trabalho até 2030, além da possibilidade de fechar quatro fábricas na Europa. A estratégia também inclui reduzir pela metade a atual gama de veículos, simplificar o catálogo de opcionais e diminuir a capacidade produtiva anual para cerca de nove milhões de unidades.
Segundo o CEO global Oliver Blume, o objetivo é recuperar a rentabilidade da companhia diante da queda dos lucros e do aumento da concorrência internacional. A reestruturação afetará praticamente todas as marcas do grupo, com cortes de modelos, racionalização da produção e foco apenas nos veículos de maior retorno financeiro.
Para o Brasil e a América do Sul, porém, o cenário é diferente. Até o momento, o plano não prevê demissões nem fechamento de fábricas na região. Pelo contrário: a filial sul-americana segue como uma das mais rentáveis do grupo e continua recebendo investimentos, enquanto a estratégia global pode refletir apenas na simplificação dos catálogos e na redução de versões e equipamentos de menor volume.
RECOMENDADO PARA VOCÊ
Após mostrar nova Amarok no Brasil, VW começa a dar adeus à atual na Argentina
Etanol pode mudar de cor e sabor nos postos em 2027
VW Tera 2027 terá motor mais potente e câmbio de oito marchas contra o Jeep Avenger
Fiat Titano e Ram Dakota não decolam e Stellantis corta produção na Argentina
Por corte de gastos, Volkswagen pode matar marca histórica em breve
Ford Ranger 6x6, uma invenção para as forças armadas britânicas
VW confirma novo furgão no Brasil contra Ducato, Master e Sprinter