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Volkswagen confirma que cortará 100 mil empregos até 2030

Grupo europeu enfrenta a queda dos lucros com uma profunda reorganização que envolve produção, emprego e gama

VW Golf eHybrid (2025) colocado à prova
Foto de: Motor1.com

Após meses de rumores e incertezas, o Grupo Volkswagen confirmou os boatos mais pessimistas do mercado e anunciou que realmente cortará 100 mil postos de trabalho até o ano de 2030. A reestruturação causará o dobro de demissões das estimativas divulgadas nos últimos meses, atingirá ainda o número de modelos oferecidos, bem como o fechamento de fábricas.

O anúncio oficial foi feito pelo CEO do grupo, Oliver Blume, e busca conter a forte queda nos lucros registrada nos últimos anos. Com essa medida, a gigante alemã tentará simplificar sua ampla operação global e também conter gastos para voltar a gerar lucros de forma sustentável no médio prazo diante das quedas de vendas - e de lucros no Velho Continente. 

A estratégia de sobrevivência prevê uma redução drástica de até 50% na atual gama de veículos do grupo. Com isso, a meta é baixar a capacidade produtiva anual para apenas nove milhões de carros - três milhões a menos do que no período pré-pandemia. O catálogo de opcionais e equipamentos também será enxugado em até 75% para diminuir a complexidade industrial.

Essa tesoura vai funcionar com mais força na própria marca Volkswagen, que hoje conta com 17 linhas de modelos na Europa. Utilitários de grande porte como o Touareg e a minivan Touran já foram descontinuados, e o T-Roc Cabriolet, ainda derivado da primeira geração, sairá de cena em 2027.

Volkswagen T-Roc Cabriolet Edition Grey

Volkswagen T-Roc Cabriolet 

Novo Volkswagen Touareg 2024

Volkswagen Touareg 

SUVs com volumes de vendas bons, como o Tiguan, estão seguros na gama global, mas o Taigo (versão europeia do Nivus) e o elétrico ID.5 correm sério risco de morrer. Entre os modelos clássicos, como Polo, Golf e Passat, a ideia da fabricante é que percam espaço de forma gradual.

O Polo a combustão não terá nova geração, sendo substituído pelo elétrico ID. Polo no fim da década - no mercado europeu, pelo menos. O mesmo destino aguarda Golf e Passat, que virarão elétricos no longo prazo, enquanto as motorizações a diesel serão substituídas por conjuntos híbridos a partir deste ano.

ID Volkswagen 2026. Polo GTi

ID.Polo substituirá o Polo a combustão até o fim da década 

Foto de: Volkswagen

Nas outras marcas do grupo, os cortes também serão profundos. Na premium Audi, as variantes Sportback dos SUVs Q3 e Q5 podem ser sacrificadas de vez, enquanto na gama de cima não se fala em sucessor para o sedã de luxo A8. Na Cupra, os dias do veterano Ateca estão contados.

Já na Seat, a gama envelhecida põe em dúvida o futuro da fabricante espanhola como um todo após 2029. Até mesmo a Porsche avalia dispensar a versão a combustão do Cayenne Coupé, mantendo apenas sua opção elétrica. No segmento de comerciais leves, cogita-se o fim da Multivan e da ID. Buzz.

VW ID.Buzz no Brasil

VW ID.Buzz pode entrar na lista de cortes entre comerciais

Lamborghini e Bentley, marcas de altíssimo luxo - e altamente rentáveis -, não devem sofrer cortes de modelos. Além das demissões e do fim de alguns carros, a diretoria do grupo alemão avalia o fechamento de quatro importantes fábricas situadas na Europa.

De acordo com Blume, a raiz do problema não está na falta de demanda, mas sim na baixa rentabilidade de grande parte dos produtos atuais frente aos custos industriais. As margens de lucro dos carros da marca não conseguem mais sustentar uma estrutura fabril tão gigantesca.

Com isso, o foco total dos novos investimentos será direcionado apenas para veículos de alto volume de vendas, que possam garantir maior retorno financeiro por unidade produzida. O plano atinge o grupo em um momento financeiro extremamente delicado para todas as marcas associadas.

O que você pensa sobre isso?

O lucro líquido da gigante alemã despencou de expressivos 22,6 bilhões de euros em 2023 para apenas 8,9 bilhões de euros em 2025. Essa forte retração ocorre em meio à necessidade de investimentos bilionários exigidos pelas novas tecnologias e pela transição energética. Para piorar, as marcas europeias sofrem com a concorrência direta dos elétricos chineses e tarifas de 25% impostas pelos Estados Unidos sobre carros importados.

Para o Brasil e a América do Sul, no entanto, o plano não detalha cortes de pessoal ou fechamento de fábricas. Pelo contrário: a região registrou no primeiro trimestre de 2026 a sua maior participação de mercado em dez anos. Contudo, a política global de redução de complexidade pode fazer com que a filial brasileira simplifique catálogos, eliminando versões de nicho e opcionais.

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