GM é processada por suposta venda de dados de clientes
Nos Estados Unidos, a empresa é acusada de vender informações sem transparência, levantando uma discussão atual
A chegada das telas e sistemas cada vez mais conectados invariavelmente acabaram adicionando outro fator aos carros atuais: a coleta de dados. Eles registram localização, quilometragem, velocidade, estilo de condução e destinos inseridos no multimídia . E, caso não haja transparência, essas informações podem acabar caindo na mão de quem não deveria.
É exatamente essa a reclamação do estado de Iowa, localizado no centro-oeste dos EUA, está alegando contra o grupo General Motors, conhecido pelas marcas Chevrolet, GMC e Cadillac. A ação acusa a empresa de ter vendido dados coletados através do sistema de concierge presente nos carros feitos pelo grupo por meio do On-Star, sem que os clientes tenham sido informados.
O caso não foi o primeiro. Em janeiro, uma determinação federal já havia proibido a GM de vender essas informações durante cinco anos, mas a defesa de Iowa quer mais. O estado pede indenização para os cidadãos e a aplicação de sanções civis para desencorajar a comercialização de dados.
Apesar de limitada aos EUA, o movimento também nos diz respeito, porque os carros são - e serão cada vez mais - conectados, e a disputa entre inovação digital e proteção da privacidade está apenas começando, envolvendo toda a indústria automotiva.
Assunto não é novo
Nos Estados Unidos, o tema já havia ganhado força em 2023, quando a General Motors foi citada entre as montadoras que compartilhavam dados coletados por sistemas telemáticos embarcados. Em 2024, o assunto voltou aos holofotes depois que um jornalista do New York Times descobriu que suas informações de condução haviam sido vendidas a terceiros.
E, no ano passado, o estado de Nebraska abriu um processo alegando que esses dados teriam sido repassados a seguradoras e usados para recalcular - e, em alguns casos, aumentar - os prêmios das apólices de seguro de alguns proprietários.
Iowa ampliou ainda mais as acusações: além das seguradoras, estão na mira as chamadas data brokers, empresas que compram e revendem informações pessoais como nomes, endereços e números de telefone. O objetivo declarado é duplo: compensar os cidadãos e desencorajar, de forma estrutural, práticas consideradas pouco transparentes.
Apple CarPlay no iOS 26
Alerta para todo o setor
O caso não é isolado. Em 2023, a Mozilla Foundation publicou uma análise das políticas de privacidade dos principais fabricantes de automóveis, classificando o setor entre os mais invasivos pela quantidade e pelo tipo de dados coletados. Segundo o estudo, muitas montadoras se reservavam o direito de compartilhar informações com parceiros comerciais e terceiros, muitas vezes com condições pouco claras para o cliente.
No Brasil, desde 2018 há regulação da Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD), delimitando o que pode ser explorado ou não em relação ao que é obtido pelas empresas. Como a vida real é bem diferente do conceito teórico, sabemos que a fiscalização - e, principalmente - a punição para quem extrapola a privacidade alheia é quase inoperante, o que só abre mais espaço para que os usuários tenham cautela.
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