Primeiras impressões: Chevrolet Sonic RS é mais macio que Onix e tem truques modernos
Novo SUV de entrada coloca a Chevrolet na disputa direta pelo segmento mais disputado do Brasil
A Chevrolet começou a entregar o novo Sonic 2027 apostando alto em um dos segmentos mais competitivos do mercado brasileiro. Produzido em Gravataí (RS), o SUV compacto estreia inicialmente em duas versões, Premier e RS, sendo esta última a topo de linha da gama, tabelada em R$ 134.990 durante o período de lançamento. Depois da fase inicial de vendas, contudo, o valor deverá subir para cerca de R$ 141 mil.
Mesmo compartilhando a arquitetura da linha Onix, o Sonic tenta se posicionar em um degrau acima dentro da gama Chevrolet. O SUV aposta no visual mais elaborado, cabine com cockpit virtual, pacote ADAS e uma condução mais confortável que no hatch compacto.
O sucesso comercial inicial mostra que a estratégia da General Motors funcionou. Segundo a montadora, o Sonic acumulou cerca de 14 mil pedidos nas primeiras duas semanas de vendas, tornando-se o lançamento mais bem sucedido na história da Chevrolet do Brasil.
Galeria: Chevrolet Sonic RS 2027
Suspensão mostra diferença nos primeiros quilômetros
Se existe um ponto que chama atenção logo nos primeiros minutos ao volante do Sonic RS, é a calibração da suspensão. Ainda que o SUV utilize a mesma base estrutural do Onix, a sensação ao dirigir é bastante diferente.
O Sonic é perceptivelmente mais macio, silencioso e confortável que o hatch. A Chevrolet afirma ter desenvolvido novos amortecedores com válvulas flexíveis, permitindo diferentes respostas de acordo com o tipo de piso. Na prática, o SUV filtra melhor as imperfeições do asfalto e transmite menos vibrações à cabine e à direção.
Em trechos de terra e pisos mais deteriorados, o comportamento transmite maior robustez, enquanto em rodovias e vias urbanas o modelo vibra menos e roda com mais suavidade. Não há sensação esportiva propriamente dita, mas existe um refinamento dinâmico superior ao encontrado na linha Onix.
Galeria: Chevrolet Sonic Premier 2027
Motor entrega desempenho honesto e linear
Debaixo do capô, o Sonic RS utiliza o conhecido motor 1.0 turboflex de três cilindros com injeção direta, associado ao câmbio automático de seis marchas. São 115 cv e 18,9 kgfm de torque.
O conjunto confirma exatamente aquilo que o posicionamento do carro sugere. O Sonic anda bem, responde com competência nas retomadas e acelerações, mas sem apelo esportivo. Mesmo com a proposta visual mais agressiva da versão RS, o comportamento dinâmico permanece equilibrado e progressivo.
As acelerações acontecem de maneira linear, sem respostas abruptas quando o motorista afunda o acelerador. A ausência de paddle-shifts reforça essa proposta menos esportiva, enquanto as trocas manuais seguem feitas apenas por botões na própria alavanca do câmbio.
Segundo a Chevrolet, o SUV acelera de 0 a 100 km/h em cerca de 10 segundos, praticamente o mesmo tempo registrado pelo Volkswagen Nivus, apontado pela própria fabricante como um dos principais rivais do Sonic — embora, como sabemos, o modelo da marca da gravata não é um SUV com estilo de cupê. O consumo declarado chega a 14,8 km/l com gasolina.
A Chevrolet, aliás, diz que o Sonic é o SUV flex a combustão mais econômico pelo Inmetro. Ele faz médias de 8,4 km/l (cidade) e 10,4 km/l (estrada) com etanol, e alcança 12,1 km/l e 14,8 km/l com gasolina, na mesma ordem. O baixo peso do modelo ajuda: são 1.139 kg apenas.
Espaço interno lembra um hatch elevado
Apesar do visual mais robusto e da proposta de SUV, o Sonic continua bastante próximo do Onix em suas proporções internas. O modelo mede 4,23 metros de comprimento e tem entre-eixos de 2,55 metros, ficando muito mais alinhado a SUVs compactos de entrada como Fiat Pulse, Renault Kardian e Volkswagen Tera.
No banco traseiro, o espaço para pernas não impressiona. O vão continua relativamente limitado para passageiros mais altos, embora a altura para cabeça seja melhor que no hatch.
Assim, o principal destaque é o porta-malas. Com 392 litros de capacidade, o Sonic figura entre os maiores compartimentos da categoria, perdendo apenas para o Kardian.
Chevrolet Sonic RS 2027
Cabine mantém origem do Onix evidente
A Chevrolet trabalhou para elevar a percepção de qualidade do Sonic, principalmente nas áreas de contato com os ocupantes. Há partes revestidas em couro e detalhes vermelhos exclusivos na versão RS, inclusive os cintos de segurança.
Ainda assim, a origem do projeto permanece evidente. Painel e forros de porta são praticamente os mesmos utilizados na linha Onix, enquanto o uso predominante de plásticos rígidos continua marcante na cabine.
O destaque a bordo fica para o Virtual Cockpit da Chevrolet, que reúne quadro de instrumentos digital de 8 polegadas e central multimídia integrada de 11". O sistema oferece espelhamento sem fio via Android Auto e Apple CarPlay, além de chip 5G com internet e os serviços conectados OnStar.
Na prática, porém, o sistema não entrega tantos recursos quanto o visual sugere. Não há loja de aplicativos nem opções mais amplas de customização das telas.
Chevrolet Sonic RS 2027
Pacote ADAS finalmente coloca Chevrolet em outro nível
Se o cockpit virtual não revoluciona em funcionalidades, o pacote ADAS representa um avanço importante no Sonic RS. O SUV passa a oferecer frenagem autônoma de emergência com alerta de colisão, assistente de permanência com aviso de saída de faixa, farol alto automático e o sistema Easy Park, que faz manobras de estacionamento automaticamente.
Segundo a Chevrolet, o Sonic utiliza uma nova câmera frontal mais sofisticada para gerenciar os sistemas semiautônomos. No uso cotidiano, são equipamentos que aproximam o SUV dos concorrentes mais modernos do segmento.
Vale dizer que o sistema de manutenção de faixa é realmente um auxílio: diferente do comportamento muito ativo visto em modelos de outras marcas, o recurso no Sonic tem atuação moderada, o que pode até agradar alguns motoristas que consideram a tecnologia por vezes um tanto invasiva.
Galeria: Chevrolet Sonic 2027 | Acessórios
Sonic evolui a fórmula do Onix sem reinventá-la
Neste primeiro contato, o Sonic deixa a impressão de ser uma evolução direta da plataforma do Onix, mas sem romper completamente com suas origens. O SUV melhora pontos importantes do hatch compacto, principalmente em conforto, refinamento dinâmico e pacote tecnológico, mas ainda preserva soluções típicas de um modelo voltado ao custo-benefício.
Isso aparece no amplo uso de plástico rígido a bordo, no espaço interno apenas razoável e até em elementos simples como a alavanca convencional do freio de mão.
Por outro lado, o Sonic entrega exatamente aquilo que parte do público espera hoje de um SUV compacto urbano: visual moderno, posição de dirigir um pouco mais elevada, motor turbo eficiente, câmbio automático, tecnologias de assistência à condução e um porta-malas competitivo.
Somam-se a isso os cinco anos de garantia e um pacote de equipamentos bastante completo na versão RS. Não é um SUV esportivo nem revolucionário, mas surge como um produto maduro, confortável e tecnológico dentro da atual linha nacional da Chevrolet.
Correia banhada a óleo continua, com ampla cobertura
Nas redes sociais, o tema ainda é foco de discussões. O Sonic mantém o motor 1.0 turbo flex que utiliza a famigerada correia dentada banhada a óleo. Em 2025, após vários relatos de problemas na linha Onix, a Chevrolet fez mudanças no componente, que recebeu novos materiais mais resistentes para ampliar sua durabilidade.
O problema é que a fama ruim ficou, e os comentários crucificando o motor continuam recorrentes. Mas é importante ressaltar que a montadora passou a dar ampla garantia para a correia: são 240 mil km, a maior cobertura disponível hoje no mercado para o componente.
De forma resumida, as correias dentadas costumam ter durabilidade que varia de 60.000 até 100.000 quilômetros. Já as correntes de metal, mais pesadas e ruidosas, costumam superar os 200.000 km — elas são comuns em modelos de marcas japonesas, como nos Honda. Já as correias banhadas a óleo tecnicamente têm maior durabilidade e reduzem vibração e ruídos do motor em funcionamento.
No caso dos carros da GM, o problema, segundo a marca, é a manutenção. A correia é mais sensível ao uso de óleos "genéricos", fora das especificações da fábrica, apresentando desgaste acelerado e, em casos graves, a quebra prematura do componente, o que pode levar à perda do motor.
Esse talvez seja o maior desafio do Sonic: convencer consumidores desconfiados de que a nova correia banhada a óleo não dará dores de cabeça futuras aos proprietários.
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