Avaliação Yamaha ZR Hybrid: 58 km/l para começar a conversa
Mobilidade pura, scooter da Yamaha mostra que o simples é o que funciona
A história começou com a Fluo, primeira tentativa da Yamaha de emplacar uma scooter no Brasil com o mínimo de tecnologia para ser chada de híbrida. Mas a moto já ficou cara para ser considerada uma scooter de entrada. E foi aí que a marca apresentou a ZR Hybrid Connected 2027, uma das poucas motos automáticas que você ainda pode comprar com menos de R$ 20 mil no País atualmente.
E espaço tem, pois o mercado de motocicletas nos Brasil não para de bater recordes de vendas. Seja pelo aumento de postos de trabalho precarizados oferecidos por aplicativos de entrega, falta de planejamento de trânsito, processo contínuo de encarecimento dos carros ou da simples incompetência do transporte público, o fato é que nunca se vendeu tanta moto por aqui.
A Yamaha ZR está mais para os três últimos casos, uma ferramenta de mobilidade que usa de tecnologia de eletrificação simples para ser a alternativa aos ônibus, trens e trânsito. Mas R$ 13.990, ou R$ 15.086 já com frete, ainda é um sacrifício financeiro para a maioria da população. A pergunta então vira: ela entrega o que você paga?
Conheça a Yamaha ZR
A Yamaha ZR Hybrid Connected 2027 impressiona pelo baixo peso, registrando apenas 98 kg em ordem de marcha. Em dimensões, o modelo mede 1.880 mm de comprimento, 685 mm de largura e 1.190 mm de altura, com entre-eixos de 1.280 mm. A altura do assento é de 785 mm, enquanto a altura mínima do solo fica em 145 mm. O compartimento sob o banco oferece 21 litros de capacidade, suficiente para acomodar um capacete pequeno e objetos pessoais.
Na ciclística, a scooter utiliza garfo telescópico dianteiro com 90 mm de curso e suspensão traseira por balança-motor monoamortecida. As rodas possuem medidas diferenciadas, sendo 12'' na dianteira (pneu 90/90) e 10'' na traseira (pneu 110/90). O sistema de freios conta com disco de 190 mm na frente e tambor atrás, operando com o sistema UBS (Unified Brake System) de frenagem combinada.
O modelo é equipado com motor monocilíndrico de 125 cm³, Blue Core Hybrid, arrefecido a ar, que entrega 8,2 cv a 6.500 rpm e 1,0 kgf.m de torque a 5.000 rpm, combinado à transmissão automática CVT.
O diferencial reside no sistema Power Assist, que fornece assistência elétrica por até 3 segundos em arrancadas e subidas, aliviando o motor térmico em situações de carga. Nele, elimina-se o motor de partida tradicional, substituído por um motor elétrico que também faz as vezes do estator (alternador da moto). Ele também facilita o Start & Stop, desligando o motor em paradas e o religando ao se acionar o acelerador. Ao religar e arrancar partindo do zero, o Power Assist liga o motor e o ajuda a girar.
O painel é do tipo LCD 100% digital, trazendo o indicador de atuação do Power Assist, status do Start & Stop e relógio. A conectividade é garantida pelo aplicativo Yamaha Motor On, que permite monitorar pelo smartphone a saúde da bateria, programar manutenções e conferir o último local de estacionamento. O painel em si ainda mostra informações como relógio, hodômetro parcial, consumo médio e instantâneo, marcador de combustível no tanque e um marcador em barra que não é conta-giros, apenas evolui conforme a velocidade cresce.
Em termos de iluminação, a ZR Hybrid adota conjunto óptico em LED (faróis, luz de posição em "Y" e lanternas). O modelo oferece um gancho frontal retrátil para transporte de objetos. No entanto, não oferece nenhum porta-trecos no escudo frontal como algumas das rivais.
Avaliação Yamaha ZR Hybrid Connected 2027 - tanque de combustível abaixo do assento
Incrédulo como vocês
Desde que a Yamaha lançou a Fluo Hybrid, meu primeiro pensamento foi de descrença. Alguns carros com tecnologia híbrida leve, especialmente as de 12 volts, fizeram pouca ou nenhuma diferença no consumo dos carros testados pelo Motor1.com Brasil. O sistema da Yamaha empregado na ZR então, mais simples e atuando por 3 segundos apenas, não me deu muitas esperanças.
Junto com a equipe de testes do Motor1, bolamos um circuito para a ZR Hybrid mesclando elementos de vias urbanas do nosso consagrado teste De 100% a 5% com carros elétricos e o circuito urbano tradicional de nossas avaliações instrumentadas. O resultado foi um circuito de 47 km com muitos faróis, lombadas e mudanças de elevação sem nunca passar de 60 km/h. Afinal, a proposta da scooter é ser usada na cidade.
Não vou dizer que o Power Assist transforma a ZR, mas você sente aquele pequeno empurrãozinho quando sai no farol. Apenas o suficiente para o entregador numa 160 qualquer se assustar com você na cola dele. Vale dizer também que o sistema eletrificado não tem bateria separada: usa a bateria convencional de chumbo-ácido da moto. Então o Start & Stop vai funcional umas 5 vezes seguidas e na sexta oportunidade ele permanecerá inativo por uns 5 a 10 minutos até a bateria recuperar a carga. Mas o auxílio na arrancada permanece.
Yamaha ZR Hybrid Connected 2027 - computador de bordo
Após rodar por mais de uma hora e meia pelos 47 km do circuito, parei para reabastecer na mesma bomba do mesmo posto onde abasteci inicialmente antes de iniciar o trajeto. O computador de bordo marcava 54,1 km/l e apenas esse processo de abastecer, rodar e abastecer novamente poderia desmascarar essa farsa eletrônica, não é mesmo? É uma scooter pra fazer seus 40 km/l como qualquer scooter 125, pensei.
E aí veio a surpresa: 47 km depois, o tanque só deixou entrar 0,81 litro de gasolina. Média de 57,9 km/l aferida na bomba. Usando o método de nossos testes em 360 km e assumindo o valor médio de R$ 6,56 por litro de gasolina no Brasil segundo a ANP, a Yamaha ZR Hybrid Connected 2027 custa R$ 0,11 por quilômetro.
Nem tudo são flores
Agora nem posso reclamar mais do sistema de eletrificação da ZR, ele funciona. E a scooter da Yamaha é tão leve que andar na cidade com ela é uma tranquilidade que te deixa mal acostumado. Os comandos respondem de forma previsível, os botões estão exatamente onde você precisa deles e o banco é grande para o tamanho da moto.
Mas não é perfeita. O espaço para os pés no assoalho e justo, você sobe na moto e onde os pés ficarem, permanecerão. Não há folgas ou posições alternativas. O guidão estreitinho ajuda muito no corredor, mas deixa os espelhos muito para dentro, limitando o campo de visão. Sob o assento, cabe apenas um capacete do tipo aberto e, ainda assim, não é qualquer um que cabe.
Vou criticar também a ausência total de tomadas na ZR. Não há USB nem 12V, algo comum de se encontrar nas rivais. O mesmo vale para os porta-trecos no escudo: não existem, você que se vire com o espaço sob o banco. O máximo que oferece é um ganho para pendurar bolsas e sacolas.
Não tive problemas com o desempenho da Yamaha ZR, ainda mais com o auxílio elétrico na cidade. Anda como uma scooter 125 nas retomadas e arranca até um pouco melhor que elas. O que pega é a ciclística. É a sina das scooters de entrada: as rodas pequenas e as suspensões com pouco curso deixam a ZR muito firme nos buracos, especialmente em sequências deles, onde é fácil dar fim de curso na dianteira e na traseira.
E aqui vou deixar uma não-recomendação: a Yamaha ZR Hybrid Connected não é para pegar estradas. A suspensão mais firme até ajuda na sensação de segurança, mas a 100 km/h ela atinge seu limite que parece ser eletrônico. Se você não está preparado para negociar seu caminho com os caminhões, é uma experiência que pode ser perigosa, a moto anda com o acelerador totalmente aberto o tempo inteiro e ainda assim perde embalo em subidas longas. Pelo menos fez 37 km/l nesse ritmo e o velocímetro é bem honesto para a categoria: 100 km/h no painel significam 96 km/h em GPS.
Conclusão
A Yamaha ZR Hybrid Connected acerta bem em consumo e praticidade de uso na cidade. Onde peca, compensa pelo preço, um dos mais baixos hoje no Brasil para uma moto 0km automática. Uma vez comprada, vai ser difícil você querer voltar para o transporte público e mais difícil ainda imaginar se uma rival valeria mais a pena.
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