Motor1.com Podcast #314: GAC e Changan com produção no Brasil
Marcas chinesas estão apostando em parcerias com grupos locais para ter produção nacional e driblar tarifas de importação
Nesta edição do Motor1.com Podcast, o destaque fica para a ofensiva da GAC no Brasil, que começa a ganhar contornos mais concretos com a confirmação da produção local em parceria com a HPE Automotores, também responsável pelas marcas Mitsubishi e Suzuki no Brasil. A marca chinesa não só anunciou investimento bilionário como também revelou planos industriais ambiciosos, indicando que pretende disputar volume no mercado brasileiro.
Ao mesmo tempo, a estreia do GAC GS3 marca um passo estratégico importante ao apostar em um SUV compacto a combustão para ganhar escala. O modelo chega com porte de médio, preço competitivo e potencial de nacionalização, reforçando a estratégia da marca de primeiro ganhar volume antes de ampliar a eletrificação no país.
Galeria: GAC GS3 2027 - Fotos oficiais (BR)
O acordo entre GAC e HPE prevê a produção de veículos na fábrica de Catalão (GO) a partir de 2027, hoje responsável por modelos como Mitsubishi Triton e Eclipse Cross. A meta é produzir até 50 mil unidades por ano, dentro de uma estrutura que já tem capacidade total de 120 mil veículos anuais. O plano faz parte de um investimento de US$ 1,3 bilhão até 2030, incluindo desenvolvimento local e aumento do índice de nacionalização.
Mais uma chinesa, a Changan iniciará em breve as operações no Brasil em parceria com a CAOA. O grupo brasileiro usará sua linha de montagem de Anápolis, também em Goiás, para produzir os modelos da parceira.
A planta, em operação desde 1998, conta com estrutura completa de manufatura e histórico de produção de diversos modelos da Mitsubishi e até de outras marcas. A parceria permitirá à GAC acelerar sua presença industrial no Brasil sem a necessidade de construir uma fábrica do zero, reduzindo custos e tempo de implementação.
Fábrica HPE - Catalão (GO)
Já no mercado, o GS3 chega como o primeiro modelo a combustão da GAC no Brasil, com preço inicial de R$ 129.990 para as primeiras unidades. Posicionado entre os SUVs compactos, o modelo se destaca pelo porte próximo ao de médios, com 4,41 metros de comprimento e entre-eixos de 2,65 metros, mirando diretamente rivais como Volkswagen T-Cross, Hyundai Creta e até Jeep Compass em dimensões.
Sob o capô, utiliza motor 1.5 turbo a gasolina de 170 cv e 27,5 kgfm, sempre com câmbio automatizado de dupla embreagem e sete marchas. A estratégia de abrir mão da eletrificação neste momento indica foco em volume de vendas, algo essencial para sustentar a futura produção nacional.
O GS3 será oferecido em duas versões, com destaque para a lista de equipamentos que inclui central multimídia de 14,6", pacote ADAS completo nas versões mais caras e garantia de cinco anos sem limite de quilometragem. Em um segundo momento, a adoção de motorização flex é considerada fundamental para aumentar a competitividade no mercado brasileiro.
Com produção local no horizonte e um portfólio que deve incluir também modelos como GS4 e até elétricos da linha Aion, a GAC deixa claro que sua estratégia passa por consolidar presença no Brasil combinando escala, tecnologia e, futuramente, eletrificação.
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