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Como é ser piloto de testes por um dia na Pirelli?

Testar pneus não é fácil, mas também não é o que você imagina

Dia de Piloto_M1 (6)
Foto de: Pirelli

Durante a minha vida profissional, já tive oportunidade de testar e avaliar muitos carros e motos. Desde protótipos, carros em fase de homologação, carros em teste de montagem até avaliação de produtos finais prontos. Mas pneu era algo que eu nunca havia testado e confesso que nunca tinha parado para pensar como seriam feitos os testes de pneus até então.

A Pirelli nos convidou para entender como é feito um teste de pneus e conhecer a rotina de seu campo de provas, o já famoso Circuito Panamericano em Elias Fausto (SP), que conta com uma mega estrutura e várias pistas para os mais variados tipos de testes.  Quem foi no primeiro Motor1 Experience, nosso teste de combustíveis, teve a oportunidade de conhecer e acelerar por lá. No caminho, fui imaginando como seria esse teste e, spoiler, errei feio.

Galeria: Pirelli - dia de piloto de testes

Se você imaginou um teste arrojado, passar o dia acelerando forte, freando bruscamente a bordo de um super esportivo, procurando o limite do pneu, também se enganou. Mas calma, esses testes acontecem sim, mas como iriamos testar pneus de carros de passeio, o foco é em sua maior condição de uso – ou seja, condições normais de rodagem, velocidades de vias públicas e sem manobras radicais, visando o conforto e, ainda assim, foi interessante. 

Nosso dia de piloto começou em sala, com a equipe de testes e desenvolvimento de produto da Pirelli, composta por pilotos e engenheiros que explicaram como são fabricados os pneus, sua estrutura e principais diferenças. Pudemos ver até um pedaço de um pneu com tratamento anti-furo com um prego atravessando-o, para entender como o sistema funciona. Tudo começa com a montadora que, para homologar um pneu, informa o fabricante de pneus quais características dinâmicas ela procura. Aqui começa a magia.

Dia de Piloto de Testes (26)

Dia de Piloto de Testes (26)

Foto de: Pirelli

Sabe quando você vai em uma loja e quer colocar um pneu fora da medida ou especificação e o vendedor diz que não vai ficar bom ou que não serve para seu carro? Eu achei que era preciosismo, mas vimos na prática que não é não. O pneu precisa casar com as características e ajustes do carro como acerto de suspensão, potência, tipo de tração, elétrico ou combustão e por aí vai.

E caso ele não case, você pode sentir diferenças não tão agradáveis, pois a forma como o pneu é fabricado pode alterar o comportamento dinâmico do carro. Pode deixá-lo mais barulhento, mais silencioso, gastar mais gasolina ou ser mais econômico, mais rápido para mudar de direção ou mais lento, ou até mudar características de frenagem.

Os testes começam em um laboratório. Diversas simulações são feitas, entre atrito, desgaste, temperatura, ruido, resistência da banda de rodagem e afins, tudo em ambiente controlado para não ter a menor variável e também para conseguirem testar várias vezes e vários tipos de pneus em dias diferentes com as mesmas condições ou com as condições desejadas como frio, calor chuva ou sol, tudo simulado em laboratório.

Dia de Piloto de Testes (30)

Dia de Piloto de Testes (30)

Foto de: Pirelli

Os testes laboratoriais dão uma diretriz de como o pneu vai ser ou se comportar. Quando atingem o ideal, entra a vez do piloto de testes, afinal ninguém melhor do que um piloto treinado, com anos de experiência para avaliar na prática o comportamento real do carro.

Os testes práticos são feitos por modo de comparação. Por isso a experiência dos pilotos de teste é de extrema importância. O piloto compara o novo modelo de pneu com um pneu de referência para verificar se o novo pneu atinge o comportamento esperado. E foi aí que entramos.

Testaríamos dois jogos de pneus. Um jogo seria o de referência da montadora, atendendo o comportamento ideal, e o outro jogo seria um já reprovado pela montadora por não atingir o comportamento esperado. Iríamos para a pista para fazer uma avaliação resumida para 6 itens, sem saber qual jogo de pneus era qual, só sabíamos que ambos eram da mesma medida e estavam na mesma calibragem. Virou um desafio.

Dia de Piloto de Testes (16)

Dia de Piloto de Testes (16)

Foto de: Pirelli

Assumi o volante e fui para a pista de testes. O carro cedido pela Pirelli era um Toyota Corolla XEI 2024. Ao meu lado estava Alexandre Moro, o Xandão. Piloto de testes que emprestou a experiência e deu várias dicas de como avaliar. Primeira passagem na pista a 60 km/h. Começamos com movimentos leves e curtos no volante, virando coisa de 3 cm para cada lado e aumentando gradativamente o movimento até o carro parar de andar em linha reta, assim podíamos sentir a velocidade de resposta do pneu aos comandos do volante. 

Depois simulamos uma mudança de faixa, como se fosse uma ultrapassagem em rodovia. Por último, uma manobra que parecia um ballet – fazer um slalom imaginário, utilizando a pista toda, de borda a borda, para entender o comportamento do pneu e entender se ele dobrava muito ou não e se o comportamento do carro ficava mais arisco.

Dia de Piloto de Testes (15)

Dia de Piloto de Testes (15)

Foto de: Pirelli

A 60 km/h, foi bem tranquilo, mas ao subir para 80 km/h e depois a 120 km/h, tudo ficava mais perceptível. Depois passamos para a pista de conforto, onde medimos ruído, conforto de passagem em diferentes pisos desde asfalto liso, até asfalto rugoso e paralelepípedos. O comportamento do carro era bem suave e dócil. O carro tinha o comportamento esperado em um Corolla, bem a mão e fácil de dirigir, macio, confortável, previsível e neutro. 

Feitos os exercícios, anotávamos todos os sentimentos e atribuímos uma nota para diferentes atributos. Trocamos o jogo de pneu e repetimos os mesmos exercícios, nas mesmas condições e velocidade para poder comparar com o outro jogo e parecia outro carro. A aderência era a mesma, mas os pneus pareciam mais duros, firmes e mais colados no chão, o que fazia o carro ficar ligeiramente mais desconfortável, mais arisco e arrojado.

Pirelli - dia de piloto de testes

Pirelli - dia de piloto de testes

Foto de: Pirelli

O que você pensa sobre isso?

Parecia que os pneus estavam muito cheios, mas sabíamos que estava usando a mesma calibragem do jogo anterior. O volante ficou mais direto, qualquer menor movimento no volante e ele já alterava a direção. Mais rápido em manobras, demandaria uma tocada diferente, mais atenta, atípica para quem quer um carro de passeio suave e confortável. Aí percebemos toda a diferença. O primeiro jogo de pneus era a referencia que a Toyota queria para o comportamento do Corolla e o segundo jogo, era o reprovado, por deixar o carro mais arisco e não atender a demanda esperada. 

Voltamos a sala onde o Xandão explicou tudo o que sentimos, por que sentimos e explicou que a diferença entre os pneus era somente a construção, podendo ser desde composição da borracha até de um diferente posicionamento e tamanho da malha de aço interna. E, depois dessa explicação toda, ficou claro o quão é importante colocar o pneu correto no carro. Tanto em medidas, quanto no índice de velocidade e procurar sempre saber se aquele fabricante e modelo de pneu está homologado para seu carro.

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