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Chevrolet Joy? GM confirma novo elétrico no Brasil para encarar Dolphin Mini e EX2

GM oficializa estudo de hatch compacto elétrico de origem chinesa; modelo pode resgatar nome Joy

Wuling Bingo Pro EV
Foto de: Divulgação

A General Motors vai aumentar a aposta nos carros desenvolvidos na China para enfrentar as rivais chinesas que avançam rapidamente no Brasil. Pouco mais de um mês depois de o InsideEVs Brasil antecipar que a empresa estudava trazer o Wuling Bingo Pro para a região, a própria GM confirmou que avalia um novo hatch compacto elétrico para a Chevrolet na América do Sul. Inclusive, a produção no País está entre as possibilidades.

O anúncio foi feito nesta segunda-feira (31) por Thomas Owsianski, presidente e diretor-geral da General Motors América do Sul. Durante viagem à China, o executivo assinou um protocolo de intenções com a SGMW (SAIC-GM-Wuling), joint venture formada pela SAIC Motor, General Motors e Guangxi Automobile Group, para avançar na avaliação de novos produtos para a região.

A GM ainda não revelou oficialmente qual será o modelo, mas tudo aponta para um integrante da família Wuling Bingo. E há outro detalhe importante: segundo o site norte-americano GM Authority, o hatch poderá chegar aos mercados internacionais com um nome bastante conhecido dos brasileiros — Chevrolet Joy.

Galeria: Wuling Bingo Pro (Pequim)

Chevrolet confirma estudo de novo elétrico

“Entre os projetos em avaliação está um hatch compacto inédito da Chevrolet, que pode ampliar nossa linha de veículos elétricos na América do Sul. A produção no Brasil também está entre as possibilidades em análise”, afirmou Owsianski em postagem feita em seu perfil no LinkedIn.

É justamente essa confirmação que muda o estágio do projeto. Em julho, o InsideEVs Brasil revelou que a GM estudava aproveitar o Wuling Bingo Pro para criar um novo Chevrolet elétrico voltado a mercados emergentes, incluindo Brasil e México. Naquele momento, porém, ainda não havia qualquer confirmação oficial da fabricante.

O Bingo Pro foi lançado neste ano na China e ocupa uma faixa particularmente interessante para o mercado brasileiro. Com 4,05 metros de comprimento, 1,75 m de largura, 1,58 m de altura e 2,56 m de entre-eixos, o hatch fica acima dos elétricos urbanos mais compactos, como o BYD Dolphin Mini (3,78 m), e tem porte próximo ao de modelos como Geely EX2 e GAC Aion UT.

Na China, o hatch usa motor elétrico dianteiro de 65 kW, equivalentes a aproximadamente 88 cv. Há configurações com autonomia declarada de 330 km e 403 km pelo ciclo chinês CLTC. A depender da versão, a bateria tem pouco mais de 30 kWh.

Chevrolet Joy 2021

Chevrolet Joy 2021

Foto de: Chevrolet

Chevrolet Joy pode voltar, agora como elétrico

Outro ponto ainda em aberto é o nome. Embora algumas informações publicadas no Brasil apontem para o possível retorno do Chevrolet Celta, o GM Authority indica outro caminho: Joy.

O nome faz sentido principalmente pela estratégia regional da General Motors. Diferentemente de Celta, fortemente associado ao Brasil e a alguns mercados sul-americanos, Joy já foi utilizado pela Chevrolet em diferentes países e tem interpretação simples em diversos idiomas.

No Brasil, o nome também não seria exatamente uma novidade. Chevrolet Joy foi a denominação adotada pelas versões mais acessíveis da primeira geração do Onix durante seus últimos anos de mercado, depois que a segunda geração do hatch assumiu o nome principal.

Caso a escolha seja confirmada, portanto, o Joy retornaria completamente transformado: sairia de cena como um compacto de entrada a combustão para voltar como um hatch 100% elétrico desenvolvido a partir de um projeto chinês. Por enquanto, porém, a GM não confirma nem o nome Joy nem qual produto da SGMW dará origem ao novo Chevrolet.

Galeria: Wuling Bingo Pro EV 2027

GM usa China para responder às próprias chinesas

O projeto faz parte de uma mudança mais ampla na estratégia da General Motors na América do Sul. A fabricante norte-americana vem aproveitando a parceria de décadas que mantém na China para acelerar a chegada de modelos eletrificados e reduzir o tempo necessário para desenvolver novos produtos.

É exatamente o caminho já seguido por dois carros vendidos pela Chevrolet no Brasil. O Spark EUV deriva do Baojun Yep Plus, enquanto o Captiva EV tem origem no Wuling Starlight S. Os dois são montados na Planta Automotiva do Ceará (PACE), em Horizonte (CE), a partir de conjuntos importados da China.

A ofensiva não para por aí. Na última semana, a GM confirmou também que o Chevrolet Captiva PHEV será montado no Brasil ainda em 2026. Ele será o primeiro híbrido plug-in da Chevrolet produzido no País e o terceiro eletrificado da marca a entrar na linha da fábrica cearense em menos de um ano, depois de Spark EUV e Captiva EV.

O novo hatch poderá ser o próximo passo dessa estratégia industrial. Owsianski não confirmou onde o modelo seria produzido caso o projeto avance, mas a PACE naturalmente aparece entre as possibilidades por já concentrar a montagem dos modelos derivados da SGMW no Brasil.

Galeria: Chevrolet Spark EUV Activ 2026 (BR)

Briga dos elétricos baratos vai ficar ainda maior

A escolha de um hatch compacto não acontece por acaso. A faixa de entrada dos elétricos tornou-se uma das mais disputadas do mercado brasileiro, puxada principalmente por BYD Dolphin Mini e Geely EX2 e com número crescente de concorrentes.

A própria DFM acaba de iniciar sua operação brasileira com o Box, hatch elétrico que mira diretamente esses modelos. A BAIC também confirmou a chegada ao País e prepara uma gama extensa de eletrificados, começando pelos Arcfox T1 e T5.

O que você pensa sobre isso?

Para a General Motors, recorrer aos produtos desenvolvidos em conjunto com seus parceiros chineses funciona quase como um “toma lá, dá cá”. Enquanto BYD, Geely, GWM e uma lista cada vez maior de fabricantes da China ampliam presença e produção na América do Sul, a companhia norte-americana usa justamente sua estrutura chinesa para responder com modelos de custo mais baixo, desenvolvimento rápido e potencial de grande volume.

Spark EUV, Captiva EV e Captiva PHEV já mostram esse caminho. Se o novo hatch for aprovado e também ganhar produção brasileira, a GM terá mais uma peça importante para se proteger do avanço das chinesas em uma disputa por participação de mercado que promete ficar ainda mais intensa a partir de 2027.

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