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GWM Wey 07 tem luxo e porte de BMW X7, anda como elétrico e preço de Toyota SW4

Marca chinesa consegue mistura interessante de tecnologia, refinamento e até custo e benefício no mundo dos SUVs premium

Teste GWM Wey 07 1.5T PHEV 2026 (BR)
Foto de: Thomas Tironi

Luxo e custo/benefício podem conviver? Para a GWM, sim! O Wey 07, seu novo SUV de luxo e - pelo menos por enquanto - topo da marca, traz refinamento de modelos muito mais caros, normalmente etiquetados perto do milhão de Reais, pelo mesmo preço que o consumidor pagaria em um SUV diesel de grande porte como o Toyota SW4. Mas vale a pena?

As credenciais são muitas. Para começar, seu porte é um dos maiores em sua faixa de preço: passa dos 5 metros de comprimento (5.156 mm ao todo), além de um longo entre-eixos de 3.050 mm. Isso garante grande espaço interno para os passageiros das filas do meio, com um curioso sistema de quatro lugares individuais nas duas primeiras fileiras, e também para a traseira. Também está apoiado no nome do fundador do grupo Great Wall Motors, Jack Wey. Uma responsabilidade e tanto.

Como é?

No Wey 07, o visual é bem limpo e diferente de tudo o que a GWM oferece hoje no mercado. Em especial na dianteira, que conta com faróis divididos em duas partes e com apenas um logo bem discreto ao centro que, sendo sincero, lembra vagamente o da Lincoln, a marca de luxo da Ford.

Percebeu o desenho diferente do logo comparado aos outros GWM? Explico: tal como ocorre com a picape Poer, com o Ora 03 e com a linha Haval, o Wey nasceu como um modelo próprio em sua terra natal. Por lá, a Great Wall é o grupo, e não marca. Daí a confusão.

Teste GWM Wey 07 1.5T PHEV 2026 (BR)
Foto de: Thomas Tironi

Nas laterais, grandes rodas diamantadas de 21", poucas linhas e maçanetas integradas, que ajudam tanto no visual quanto na aerodinâmica.

A traseira, por sua vez, tem lanternas em LEDs com filete as interligando, que ainda sim é sóbria e sem exageros. As portas para os passageiros traseiros maior que as dianteiras deixam bem claro que o carro foi feito para quem é conduzido, não para quem conduz. 

Teste GWM Wey 07 1.5T PHEV 2026 (BR)
Fotos de: Thomas Tironi
Teste GWM Wey 07 1.5T PHEV 2026 (BR)
Fotos de: Thomas Tironi

A marca fala em concorrência com alguns SUVs premium mais acessíveis, como BMW X3, Volvo XC60 ou Audi Q5 e, comparado com Wey, todos perdem em porte. Na verdade, o SUV está mais para um X7 ou até mesmo um rival indireto para a Kia Carnival, hoje única minivan de grande porte oferecida de maneira oficial no país. Só ela, aliás, oferece mais espaço para os passageiros, ainda que sem as mesmas modularidades e possibilidades das quais a GWM equipou o Wey.

Teste GWM Wey 07 1.5T PHEV 2026 (BR)
Foto de: Thomas Tironi

Luxo mesmo fica atrás 

Por falar nos bancos, o Wey 07 segue a receita chinesa de privilegiar os passageiros traseiros ao máximo, tradição vinda de uma época em que ter carro no país era coisa impensável para o público comum.

Lembrando poltronas, há aquecimento, ventilação e até massagem. No lado esquerdo, há ainda uma mesa de bom tamanho e capacidade de até 10kg, suficiente para levar um notebook ou o que a mente de quem for ali imaginar.

Teste GWM Wey 07 1.5T PHEV 2026 (BR)
Fotos de: Thomas Tironi
Teste GWM Wey 07 1.5T PHEV 2026 (BR)
Fotos de: Thomas Tironi

A segunda fileira também conta com ar-condicionado dedicado. Isso é, possuem comandos próprios que podem comandar temperatura, velocidade, dentre outros de forma diferente para cada passageiro. Por fim, os dois últimos bancos também contam com ventilação no teto, ainda que sem ajuste de temperatura. Ambas as portas contam ainda com cortinas retráteis.

O passageiro dianteiro direito também vai bem. A poltrona pode ser rebatida em várias posições, ou virar apoio para quem vai atrás. Na parte dos para-sóis, quem vai no assento conta ainda com um grande espelho com LEDs que mais parecem vindos do quarto de uma blogueira e excelentes para fotos.

Teste GWM Wey 07 1.5T PHEV 2026 (BR)
Foto de: Thomas Tironi

Completando o conforto a bordo, há teto solar do tipo panorâmico que ocupa quase toda a folha do teto e - felizmente - com cortina também retrátil. Os vidros dianteiros são do tipo dupla camada, o que torna toda a experiência em algo extremamente silencioso.

Como o carro também trabalha privilegiando o sistema elétrico, os ocupantes que não estão acostumados com carro eletrificados certamente estranharão a ausência de vibrações e ruídos. Mas falaremos disso depois. 

Teste GWM Wey 07 1.5T PHEV 2026 (BR)
Foto de: Thomas Tironi

Apesar de tudo, minimalista 

Tal como é tradicional nas marcas de origem chinesa, o Wey 07 aposta bastante no minimalismo no painel e nos comandos. O acabamento é exemplar, com couro do tipo Nappa em todos os bancos, material macio ao toque em todas as áreas imagináveis tanto no cockpit quanto nos forros de porta e console, além de tecidos que remetem a suede no teto, sempre no mesmo nível independente de qual área do carro se está.

Ainda sim, a maioria dos comandos, como ar-condicionado, ajuste de ângulo de saída da ventilação, ajuste de faróis e quase todos os comandos do sistema de assistência estão presentes na grande tela central de 14,6'', e que é combinado a uma outro tela, um tanto menor, de 12,3. Como o carro conta com muitas funções, é inevitável que isso gere diversas subtelas para que se consiga ativar ou desativar o item necessário. 

Teste GWM Wey 07 1.5T PHEV 2026 (BR)
Teste GWM Wey 07 1.5T PHEV 2026 (BR)
Teste GWM Wey 07 1.5T PHEV 2026 (BR)
Fotos de: Thomas Tironi
Fotos de: Thomas Tironi

Como exemplo pessoal, mesmo já tendo nascido na época das telas, ainda sofri durante os dois ou três primeiros dias para conseguir me acostumar e deixar algumas funções mais intuitivas. Como dito mais acima, até a direção do vento e o ajuste dos faróis é controlada por ela. Outro ponto que incomoda é a forma como o piloto automático adaptativo está posicionado.

Veja a foto do painel e do volante. Conseguiu achar? Pois é, ele fica na alavanca de marchas, ao lado direito, tal como a utilizada em Mercedes-Benz. Não é nenhuma informação de que ela está lá, algo que só descobri ao perguntar para outros colegas de redação que já tinham tido experiência com o Wey 07 e também com outros GWM que possuem o mesmo modo de operação.

Teste GWM Wey 07 1.5T PHEV 2026 (BR)
Foto de: Thomas Tironi

Sendo um sistema dos mais completos, algumas funções acabam mais atrapalhando do que ajudando, como o sensor de distração, presente na coluna ao lado do motorista. Mesmo que você se concentre na direção, é necessário olhar para retrovisores, para o caminho do GPS, ou qualquer outra função dentro do carro, e ele te pune com diversos alertas e barulhos por isso. Confesso que, assim que consegui navegar pelas várias subtelas desativei o alerta, que permaneceu assim durante todo o resto do teste.

Teste GWM Wey 07 1.5T PHEV 2026 (BR)
Foto de: Thomas Tironi

Ao volante

O luxo do Wey 07 impressiona, mas é na direção que ele realmente surpreende. Tendo motor 1.5 turbo de quatro cilindros a combustão e dois elétricos, é fácil esquecer que estamos diante de um SUV de 2.545 kg e mais de cinco metros (5.156 mm). Tal como qualquer dado técnico do modelo, a potência e o torque também são abundantes, com 517 cv e 83,6 kgfm.

Ainda mais com o tempo de aceleração do modelo, realizado em 5,7 segundos durante nossos testes. É um número muito próximo de esportivos como o Ford Mustang GT Manual e do Toyota GR Corolla, ambos testados por Motor1.com Brasil durante o ano de 2025. Como referência, o norte-americano alcançou 5,6 e o japonês 5,8 segundos, respectivamente.

Teste GWM Wey 07 1.5T PHEV 2026 (BR)

Só no modo elétrico, SUV pode rodar 162 km 

Foto de: Thomas Tironi

E, ao contrário do que os números possam indicar, ele não é arisco ao volante, até porque essa não é nem de longe sua proposta. Mesmo assim, há potência mais do que suficiente quando é necessário fazer ultrapassagens com o carro cheio, por exemplo, e mesmo sendo um grandalhão, ele passa confiança para isso.

O consumo também é muito bom para um modelo de seu porte. Ao carregar totalmente a bateria do sistema elétrico, o SUV acusou um alcance de 185 km no painel, ou 5 km a mais do que a Renault declara como autonomia de um Kwid E-Tech. Apesar de um tanto otimista, ele não fugiu tanto assim do previsto, chegando aos 162 km.

GWM Wey 07 (BR)
Foto de: GWM

Vale mencionar que apesar da utilização em modo preferencialmente HEV e sem regeneração, o Wey 07 acaba jogando a responsabilidade da propulsão também para o motor a combustão quando o SUV chega aos 10% de autonomia.

Já no motor a combustão, os números também foram bem positivos, chegando aos 17,5 km/l, enquanto na estrada, muito devido a aerodinâmica e ao peso, os números caíram para 11,9 km/l.

Teste GWM Wey 07 1.5T PHEV 2026 (BR)
Foto de: Thomas Tironi

Vale a pena?

Tecnicamente, o GWM Wey 07 não deve nada para nenhum dos seus concorrentes na mesma faixa de preço. Ainda sim, há um caminho longo para que marcas mais novas consigam atrair atenção de um público mais conservador e ainda ligada ao valor e tradição das tradicionais, especialmente no segmento premium. 


O que você pensa sobre isso?

Ainda sim, o SUV é uma opção interessantíssima em sua faixa de preço pelo bom custo benefício e, também, uma forma discreta de ter tanto refinamento quanto rivais alemães, mas com mais sobriedade e menos atenção desnecessária.

Não seria surpresa, inclusive, que unidades do Wey 07 passem a compor frotas executivas no futuro, sendo uma opção mais barata e - muito - mais econômica do que um Kia Carnival ou modelos premium na mesma faixa de preço. Predicados ele tem.

GWM Wey 07 PHEV

Motor Combustão: dianteiro, transversal, 4 cilindros, 16 válvulas, 1.499 cm3, comando duplo com variador no escape e admissão, injeção direta, turbo, gasolina/ Elétrico: dois propulsores, um em cada eixo
Potência e torque Combustão: 150 cv a 5.500 rpm; 23,4 kgfm a 1.500 rpm/ elétricos: 184 cv (D), 299 cv (T), 30,6 kgfm em cada/ combinado: 517 cv e 83,6 kgfm
Bateria 42,5 kWh
Tipo de tomada AC 6,6 kW, DC 60 kW
Transmissão DHT (Transmissão Dedicada Híbrida) de quatro marchas; tração integral
Suspensão McPherson na dianteira; multilink na traseira; Rodas de 21" com pneus 265/45
Comprimento e entre-eixos 5.156 mm; 3.050 mm
Altura 1.805 mm
Largura 1.980 mm
Peso 2.545 kg em ordem de marcha
Capacidades Porta-malas: 239 litros (seis lugares) 1.040 litros (quatro lugares) ; Tanque: 79 litros
Preço como testado R$ 429.000
Aceleração 0 a 60 km/h: 2,6 s; 0 a 80 km/h: 3,9 s; 0 a 100 km/h: 5,7 s em 93,5 m/ 201 metros em 8,8 s a 125,1 km/h
Retomada 40 a 100 km/h: 5.8 s em 116,3 m; 80 a 120 km/h: 6,0 s em 168,6 m
Consumo de combustível Cidade: 17,5 km/l; Estrada: 11,9 km/l (gasolina); Autonomia elétrica de 100 a 0%: 162 km
Envie seu flagra! flagra@motor1.com