Avaliação Rápida: Renault Kwid Outsider 2026 vale a pena?
Subcompacto chega perto dos R$ 90 mil e gosta da cidade - mas vá com calma na hora de escolher a versão
A vida do Renault Kwid não é fácil nas lojas. Nascido para ser barato, hoje entra em uma faixa de preços onde o consumidor fica nos semi-novos maiores e mais completos ou pagam algum valor a mais por um hatch compacto, também 1.0, mas maior e, muitas vezes, mais equipado. Quando falamos na versão Outsider, de R$ 87.490, o jogo é ainda mais complicado.
No topo da gama, o Kwid Outsider aposta em detalhes coloridos, central multimídia com tela de 8" e até rodas de liga-leve de 14" (opcionais de R$ 1.800) para se diferenciar de um carro básico e convencer que o comprador não precisa visitar a área de usados da concessionária ou apertar o orçamento para pegar um hatch maior. No fim das contas, convence?
O que é?
Ao lado do Fiat Mobi, o Renault Kwid é sobrevivente em um segmento que não pegou em nosso mercado. Os subcompactos vendem bem para empresas, mas justamente por seu tamanho, não emplacam tanto para clientes, justamente pela questão do espaço interno que elas precisam para levar a família.
Com seus 3.731 mm de comprimento, a Renault ainda conseguiu aproveitar os balanços curtos para dar ao Kwid um entre-eixos de 2.423 mm. Pensando em seu porte total, até que acomoda bem quatro ocupantes, mas seu ponto fraco é a largura de 1.579 mm, onde pessoas maiores irão, literalmente, bater ombros. Em compensação, os 290 litros de porta-malas são bons e isso explica um dos motivos para a escolha do Kwid por diversas empresas.
Mesmo nesta versão, o Kwid é basicamente plásticos rígidos por dentro, fazendo um jogo com preto brilhante e alguns cromados para quebrar a sobriedade. Os bancos em tecido recebem tecidos diferentes também com a mesma proposta - do mesmo jeito, detalhes coloridos e preto brilhante estão na parte de fora no Kwid Outsider.
Como anda?
O motor 1.0 aspirado do Kwid é bem simples. Com 3 cilindros, não tem variador de fase nos comandos - uma opção da Renault já que esta versão mais completa era utilizada no Sandero/Logan - e tem 68/71 cv e 9,4/10 kgfm, ligado ao câmbio manual de cinco marchas exclusivo do subcompacto. Vale lembrar que o Kwid pesa até 825 kg em ordem de marcha.
Os números são tímidos, mas justamente este baixo peso o ajuda. Na cidade, é ágil e, por ser pequeno, cabe em qualquer canto e buraco que aparece no trânsito. Os engates do câmbio são bons e o peso da embreagem não cansa mesmo no tráfego pesado de São Paulo (SP), além da suspensão mais alta que permite até quase ignorar algumas valetas e lombadas. É um conjunto bem urbano e, com gasolina, não é difícil ver médias perto dos 15 km/litro (gasolina) no painel - o start/stop colabora.
O painel de instrumentos é digital, mas como aquelas antigas calculadoras. O velocímetro em destaque ajuda, mas o conta-giros é confuso e, para mudar as informações do computador de bordo, tem que colocar o dedo em um botão no próprio painel. Ao menos tem as informações necessárias e, o que realmente precisa, está em destaque.
Na estrada que o Kwid não se sente confortável. Ele acompanha um ritmo de rodovia, mas não exija ultrapassagens principalmente carregado, além do seu baixo peso e dimensões o deixarem balançar bastante quando passa por um caminhão ou algo que desloque muito vento. Se for viajar, é bom realmente pensar em um segmento acima, maior e mais estável.
Quanto custa? Vale a pena?
O Renault Kwid Outsider custa R$ 87.490 - no carro das fotos, ainda estão as rodas de liga-leve de R$ 1.800. Ou seja, quase R$ 90 mil por um subcompacto com 4 airbags, central multimídia com tela de 8" e alguns outros "luxos", como luzes diurnas e assinatura das lanternas em LEDs. Não há muito além de direção elétrica, ar-condicionado, vidros dianteiros, travas e retrovisores elétricos e chave canivete - controles de tração e estabilidade já são obrigatórios há alguns anos no Brasil.
Mas boa parte dos prováveis compradores de Kwid não podem gastar a mais para ter, por exemplo, um Hyundai HB20 Comfort (R$ 95.790), Fiat Argo 1.0 (R$ 92.990) ou VW Polo Track (R$ 95.790). Pensando nisso, considere um Kwid Intense (R$ 83.890), que já tem central multimídia e alguns equipamentos, mas sem tantos detalhes visuais para economizar um dinheiro que pode ajudar em IPVA e documentação, por exemplo.
No geral, o Kwid é um bom carro urbano. Tem suas limitações, mas ganha o cliente pelo preço e consumo, mas o fato é que o mercado brasileiro não é ambiente tranquilo, ainda mais quando o preço já deixou de ser realmente baixo e o setor de semi-novos está com ofertas interessantes par carros maiores e mais completos com pouco uso, se for sua preferência.
Renault Kwid Outsider
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