Como a Bridgestone usará Fórmula E melhorar pneus de Elétricos?
Exposição a torque instantâneo e peso de bateria serve de base para pneus de passeio com mais autonomia e durabilidade; marca também mira sustentabilidade
O mercado global de pneus para veículos eletrificados (EVs e PHEVs) está em plena ascensão e desenvolvimento, e o automobilismo voltou a ser peça-chave como estratégia de negócio. A Bridgestone anunciou sua entrada na Fórmula E como fornecedora exclusiva de pneus a partir da temporada 2026/2027, apresentando a linha Potenza GEN4.
Mais do que uma cartada esportiva, a movimentação posiciona o campeonato mundial como um laboratório extremo para o desenvolvimento das próximas gerações de pneus de rua. Com o avanço das frotas de carros elétricos e híbridos pelo mundo, fabricantes de pneus enfrentam exigências técnicas inéditas: suportar o peso das baterias, a potência elevada, o torque instantâneo dos motores elétricos e garantir máxima aderência e eficiência energética sem comprometer a durabilidade. É exatamente nesse cenário que entra a parceria estratégica com a Fórmula E.
O laboratório definitivo para a mobilidade elétrica
A quarta geração dos carros da Fórmula E (GEN4) apresenta números que testam os limites da engenharia: 815 cv de potência máxima (600 kW), tração integral e aceleração de 0 a 100 km/h em 1,8 segundo, com velocidade final atingindo 335 km/h.
Para a Bridgestone, expor seus compostos a estresses mecânicos dessa magnitude em circuitos urbanos do mundo todo é o atalho ideal para refinar e validar tecnologias comercializáveis. Colocar os pneus à prova em situações como a entrega imediata de força nas quatro rodas em pistas de rua permite estudar e criar pneus de passeio com vida útil maior e desgaste homogêneo para veículos pesados a bateria.
Pela primeira vez, a categoria contará com pneus de chuva, o que permitirá testes de aderência e eficiência no molhado: o desenvolvimento do modelo para chuva forte, o Potenza GEN4 for Typhoon Tyre, serve de base para melhorar os índices de segurança e a prevenção da hidroplanagem em pneus de uso diário. Outra oportunidade de estudo é a redução da resistência ao rolamento — tecnologia essencial nas pistas para economizar energia nas corridas e, nas ruas, para ampliar a autonomia (km por carga) dos veículos elétricos de passeio. O desafio, nesse caso, é garantir a aderência sem aumentar a resistência ao rolamento.
Bridgestone na Fórmula E - estreia mundial
ESG e economia circular no centro do modelo de negócios
A estratégia mercadológica da marca também reflete as demandas de sustentabilidade cobradas por consumidores e pela indústria. A linha de pneus desenvolvida para o GEN4 foi concebida sob os princípios da economia circular e com a meta de reduzir a pegada de carbono. Entre as matérias-primas utilizadas estão o carbono derivado do óleo de pirólise de pneus descartados e a sílica produzida a partir de cascas de arroz. A fabricante também afirma utilizar energia 100% renovável para o calor e a eletricidade empregados na produção desses pneus.
"Nosso retorno ao Campeonato Mundial da FIA é uma reentrada empolgante que incorpora a história de paixão e inovação da Bridgestone", destaca Yasuhiro Morita, CEO global da companhia. "No palco máximo da Fórmula E, vamos desenvolver ainda mais o equilíbrio entre desempenho e sustentabilidade e abrir caminho para um novo futuro da mobilidade."
Ativação de marca e impacto global
O investimento da multinacional japonesa contempla ainda uma ampla estratégia de branding e visibilidade global durante a 13ª temporada da categoria. A Bridgestone será a patrocinadora principal (naming rights) de quatro etapas estratégicas do calendário 2026/2027: Cidade do México (janeiro/2027), Berlim (maio/2027), Xangai (julho/2027) e a grande decisão em Tóquio (julho/2027), mercado de origem da empresa.
Ao unir validação técnica de ponta com exposição de marca em grandes centros urbanos, a Bridgestone busca consolidar sua liderança no fornecimento de equipamentos originais para a nova era da indústria automobilística.
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