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Governo renova imposto zerado para kits de carros elétricos que serão montados no Brasil

Medida concede nova isenção de US$ 463 milhões para componentes e acirra os ânimos entre governo e montadoras nacionais

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Foto de: Leapmotor

O Comitê-Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex) deliberou pela renovação temporária das cotas de importação com alíquota zero para veículos elétricos e híbridos desmontados (CKD) e semidesmontados (SKD). A medida entra em vigor a partir de 1º de julho de 2026, com validade de seis meses, estabelecendo um teto de isenção de US$ 463 milhões. O valor é idêntico ao teto do lote anterior, que havia expirado no início de 2026.

Apesar da abertura das novas cotas para os kits, o Gecex confirmou que manterá o cronograma original de elevação tributária para os modelos montados prontos e SKD, que passam a recolher alíquota cheia de 35% a partir de julho deste ano. Para os componentes CKD, a tarifa máxima de 35% passará a valer em 1º de janeiro de 2027, mantendo-se em 14% até essa data para os volumes que ultrapassarem o limite da cota renovada. A importação de carros totalmente montados não contará com nenhum tipo de cota isenta. Segundo o governo, a iniciativa busca impulsionar a modernização da frota nacional e colaborar com as metas de descarbonização.

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A resposta da Anfavea

A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) rebateu formalmente a decisão por meio de nota oficial publicada em 23 de junho de 2026. A entidade declarou que vê a medida "com grande preocupação" e afirmou que o restabelecimento dos incentivos tributários prejudica os interesses das fabricantes instaladas, dos fornecedores locais de autopeças e dos trabalhadores do setor.

De acordo com a associação, as cotas originais haviam sido finalizadas em fevereiro de 2026 após debates prolongados com o setor produtivo. Para a Anfavea, a alteração da regra quebra a previsibilidade do mercado e gera insegurança jurídica para as empresas que estruturaram seus planos com base no cronograma anterior, afetando diretamente a execução dos R$ 140 bilhões em investimentos anunciados até 2033. A entidade ressaltou que os incentivos à importação reduzem o estímulo para a nacionalização de componentes e o avanço da engenharia local, justamente em um momento em que a produção nacional de eletrificados estava em curva de crescimento.

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