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Teste: Novo Jeep Renegade 2027 híbrido melhora onde devia, mas eletrificação não faz milagres

No mundo real, os números de consumo melhoraram, mas ainda é um sistema leve

Teste Jeep Renegade Sahara MHEV 2027
Foto de: Motor1 Brasil

O Jeep Renegade 2027 finalmente entrou na era da eletrificação. Depois de anos praticamente inalterado, o SUV compacto ganhou sistema híbrido leve de 48 volts, além de um interior redesenhado para manter a competitividade em um segmento que mudou radicalmente desde seu lançamento no Brasil, em 2015.

A surpresa é que, ao menos em consumo, o novo conjunto MHEV da Stellantis entregou números melhores do que os dados oficiais do Programa Brasileiro de Etiquetagem Veicular (PBEV) do Inmetro.

Galeria: Teste Jeep Renegade Sahara MHEV 2027

O novo sistema híbrido leve está disponível nas versões intermediárias Longitude e Sahara, esta última testada pelo Motor1.com Brasil. A proposta com a tecnologia é melhorar a eficiência sem alterar muito o comportamento do conjunto mecânico já conhecido do Renegade. E isso resume bem a experiência ao volante: há uma evolução no consumo, mas que não muda a condução do SUV.

Consumo melhor que o oficial

Nos nossos testes realizados com o Renegade Sahara MHEV 2027, o SUV registrou médias de 10,9 km/l na cidade e 14,3 km/l na estrada com gasolina, ar-condicionado ligado e start-stop funcionando normalmente. Os números ficaram acima dos dados divulgados no PBEV do Inmetro, que apontam 10,6 km/l em ciclo urbano e 12,9 km/l no rodoviário.

A diferença na estrada chama atenção principalmente porque o Renegade nunca foi exatamente uma referência em eficiência na categoria. O SUV sempre carregou o peso de uma construção mais robusta, com suspensão independente nas quatro rodas e uma estrutura mais pesada que a maior parte dos rivais compactos. A eletrificação leve ajuda, portanto, a aliviar parte desse cenário.

Teste Jeep Renegade Sahara MHEV 2027
Foto de: Motor1 Brasil

O conjunto combina o motor 1.3 turboflex T270 de 176 cv e 27,5 kgfm com um pequeno motor/gerador elétrico auxiliar de 48 volts. Diferentemente dos sistemas híbridos completos, ele não movimenta o carro sozinho em nenhum momento. Não existe modo elétrico puro como em modelos mais novos, caso do Toyota Yaris Cross e de SUVs híbridos chineses que chegaram recentemente ao mercado brasileiro.

Ainda assim, o sistema atua em arrancadas e retomadas leves, reduzindo o atraso inicial típico dos motores turbo em baixa rotação. O resultado é um Renegade mais suave no trânsito urbano e menos áspero nas saídas. Entretanto, o consumo melhora mais do que propriamente o desempenho.

Teste Jeep Renegade Sahara MHEV 2027
Foto de: Motor1 Brasil

Eletrificação traz suavidade, mas não muda a física

Na prática, o sistema híbrido leve da Stellantis trabalha mais como um complemento ao motor a combustão do que como protagonista. Porém, é claramente mais efetivo que o sistema de 12 volts usado nos Fiat Pulse e Fastback e nos Peugeot 208 e 2008, frequentemente criticados por ter uma atuação discreta demais.

Aqui existe participação mais perceptível do sistema elétrico. O Renegade sai com mais progressividade e exige menos esforço em acelerações leves. Porém, com 1.531 kg (ordem de marcha), o SUV feito em Pernambuco demora a embalar e precisa de mais pressão no acelerador para entregar o seu melhor e extrair respostas mais fortes do motor 1.3 turbo.

Seja como for, os números de desempenho são bons para a categoria. O Renegade Sahara MHEV acelerou de 0 a 100 km/h em 9 segundos nos testes realizados pelo Motor1 Brasil, além de cumprir retomadas de 40 a 100 km/h em 6,7 segundos e de 80 a 120 km/h em 5,5 segundos. Não falta desempenho no uso cotidiano, mas o conjunto mostra que a eletrificação leve não faz milagres.

Ao mesmo tempo, o acerto dinâmico continua sendo um dos grandes diferenciais do Renegade. Direção, suspensão e freios seguem entre os melhores ajustes do mercado. O SUV mantém comportamento sólido em pisos ruins, ótima capacidade de absorção e sensação de robustez rara entre compactos. O único ponto negativo é o ângulo de entrada, que poderia ser melhor, evitando aquelas raspadas em rampas de garagem e lombadas e valetas.

Teste Jeep Renegade Sahara MHEV 2027
Foto de: Motor1 Brasil

Interior muda para o bem e para o mal

Se mecanicamente houve evolução, por dentro a transformação no Renegade 2027 é ainda mais evidente. O painel foi redesenhado e agora adota desenho mais horizontal e limpo, que entrega uma sensação de cabine mais moderna.

O destaque é o novo multimídia flutuante de 10,1 polegadas posicionado no topo central. Além de finalmente ganhar melhor ergonomia e visibilidade, a tela moderniza o interior do Renegade de maneira imediata. Antes o display ficava integrado ao centro do painel e parecia datado diante dos rivais mais recentes.

O novo layout aproxima o SUV de modelos maiores da Jeep, como Compass e Commander, além de melhorar a organização e sensação de espaço interno.

Teste Jeep Renegade Sahara MHEV 2027
Foto de: Motor1 Brasil

Há, porém, um contraponto importante. O novo acabamento perdeu superfícies emborrachadas presentes no modelo desde o lançamento há 11 anos. O painel agora utiliza mais plásticos rígidos em algumas áreas, e traz partes revestidas com tecido cinza para transmitir maior capricho. É uma solução vista há muito nos modelos maiores da Peugeot.

De toda forma, podemos dizer que a cabine evoluiu no geral. O Renegade parecia atrasado em ergonomia e visual interno frente aos rivais — especialmente Hyundai Creta, VW T-Cross, novo Nissan Kicks e os chineses — e finalmente corrige parte dessa defasagem.

Teste Jeep Renegade Sahara MHEV 2027
Foto de: Motor1 Brasil

Renegade segue apostando na própria identidade

Para manter em linha a atual primeira geração, a Jeep entendeu que não fazia sentido transformar radicalmente o Renegade. Por isso, o SUV continua a apostar em uma fórmula própria dentro do segmento: design mais quadrado com inspiração nos clássicos Willys, sensação de robustez, dinâmica refinada e versão com tração 4x4 e real capacidade fora de estrada — justamente a... Willys T270, sem o sistema MHEV de 48V.

Quando eletrificado, o sistema híbrido leve ajuda a tornar o SUV mais eficiente e agradável no uso urbano, enquanto o novo interior resolve um dos pontos mais críticos, que denunciavam a idade do projeto.


O que você pensa sobre isso?

Ainda assim, o Renegade 2027 permanece fiel às próprias características — inclusive com suas limitações, como o banco traseiro mais estreito para as pernas, o peso elevado e o porta-malas com 385 litros, que não chega a ser ruim. Além disso, ainda não é desta vez que o SUV entrega a experiência elétrica avançada, como em alguns rivais, e continua a exigir bastante do motor turbo.

Mas sem dúvida as mudanças feitas pela Stellantis foram primordiais e deixam o Renegade 2027 ainda competitivo no segmento. Vale lembrar que nenhum de seus rivais mais tradicionais, como Creta, Kicks, Chevrolet Tracker e T-Cross, oferecem eletrificação. Ou seja, o Jeep largou na frente com o sistema MHEV de 48V.

Jeep Renegade 1.3T MHEV

Motor dianteiro, transversal, 4 cilindros, 16 válvulas, 1.332 cm3, comando simples com variador no escape e MultiAir na admissão, injeção direta, turbo, flex
Potência e torque 176 cv a 5.750 rpm e 27,5 kgfm a 2.000 rpm
Transmissão câmbio automático de 6 marchas, tração dianteira
Suspensão McPherson na dianteira e na traseira, rodas de 18" com pneus 225/55
Comprimento e entre-eixos 4.270 mm e 2.566 mm
Altura 1.706 mm
Largura 1.805 mm
Peso 1.531 kg em ordem de marcha
Capacidades tanque: 55 litros, porta-malas: 385 litros
Preço como testado R$ 175.990 (Sahara)
Aceleração 0 a 60 km/h: 4,2 s; 0 a 80 km/h: 6,1 s; 0 a 100 km/h: 10,5 s em 148,7 m; 201 metros: 10,2 s a 110,1 km/h
Retomada 40 a 100 km/h (em S): 6,7 s em 135,9 m; 80 a 120 km/h (em S): 5,5 s em 155,7 m
Consumo de combustível cidade: 10,9 km/l; estrada: 14,3 km/l (gasolina)
Envie seu flagra! flagra@motor1.com