Antes de parceria com Hyundai, GM já vendeu SUV da Suzuki no Brasil
Primeira geração do Chevrolet Tracker chegou em 2001 como fruto da aliança com a marca japonesa, mas saiu de cena em 2009
Muita gente foi pega de surpresa nas últimas semanas com o anúncio da parceria de desenvolvimento para novos produtos entre a General Motors (responsável pela Chevrolet) e o grupo coreano Hyundai-Kia. A “união”, segundo as empresas, dará origem a uma série de novos compactos para ambas, com foco especial na América Latina.
Em particular, a nova aliança deve render duas picapes inéditas para a Hyundai. A primeira terá porte intermediário, provavelmente uma interpretação da Chevrolet Montana. A segunda será uma média, que deverá nascer com base na S10. Além delas, o comunicado mencionava ainda novos hatches e SUVs compactos. No total, as duas estimam produzir cerca de 800 mil carros por ano quando tudo estiver pronto. Em outras palavras, serão veículos de volume.
História: Muito antes de parceria com Hyundai, GM já teve Tracker da Suzuki
O anúncio, entretanto, não é exatamente uma novidade no setor automotivo, principalmente para a General Motors. Trocas entre montadoras são mais comuns do que a maioria imagina, seja no desenvolvimento, no compartilhamento de peças, na motorização ou até mesmo em modelos completos. O exemplo mais conhecido no Brasil foi a Autolatina, que uniu Ford e Volkswagen durante o fim dos anos 1980 e meados da década de 1990.
Uma parceria menos lembrada é a do grupo GM com a japonesa Suzuki. A marca chegou a vender modelos da estadunidense no Japão, enquanto na América do Norte vários Suzuki foram comercializados como Chevrolet e Geo, voltados ao público jovem. Era a estratégia para disputar espaço com rivais como Toyota RAV4 e Corolla.
Essa relação só foi possível porque as duas iniciaram uma parceria global nos anos 1980, quando a GM comprou cerca de 5% de participação acionária na Suzuki. Na década seguinte, a participação dobrou. Em 2001, já passava de 20% e durou até meados da década. Depois da crise econômica de 2008, a própria Suzuki começou a recomprar as ações que estavam com a General Motors. Processo que foi concluído em 2011.
Na América do Sul, essa parceria rendeu alguns produtos curiosos. Um deles foi o Suzuki Fun, vendido na Argentina e cuja história já contamos por aqui. Outro foi a fabricação e venda do Chevrolet Tracker de primeira geração, lançado em 2001.
Para vender Tracker como Chevrolet, Suzuki pediu Celta com logo da japonesa na Argentina
Diferente das segunda e terceira gerações, provavelmente as mais lembradas quando se fala no SUV, a primeira tinha uma proposta bem distinta. Oferecida por cerca de oito anos, apostava em tração 4x4, contava com opção de motorização a diesel e tinha receita de modelos maiores.
O preço, contudo, era alto. No ano de lançamento, chegou ao mercado em versão única por R$ 61.900. Era menos do que um Toyota RAV4 (R$ 66.800) ou um Honda CR-V (R$ 66.532), mas ainda representava um valor alto em uma época de salário mínimo de apenas R$ 180.
Toyota RAV4 2003
Honda CRV 2003
Era bem recheado no pacote de equipamentos. Trazia ar-condicionado manual, direção assistida, duas bolsas infláveis, freios ABS, comandos elétricos para vidros, travas e retrovisores, rádio com toca-CD, rodas de liga leve de 16" e teto solar elétrico. O ponto negativo ficava por conta da ausência do câmbio automático, já presente nos concorrentes e até no seu gêmeo da Suzuki, o Grand Vitara, que foi oferecido ao mesmo tempo no Brasil.
Interior do Tracker nem sequer ganhou logo da marca americana
Falando no Vitara, as diferenças visuais entre os dois eram mínimas e quase imperceptíveis para quem não observasse de perto. Basicamente, se limitavam à grade dianteira, que trazia a gravatinha da Chevrolet, e aos para-choques pintados na cor da carroceria. No restante, eram praticamente idênticos, o que reforçava a impressão de que o Tracker era, na verdade, apenas um Suzuki rebatizado.
Esse detalhe fazia o SUV destoar bastante da linha de produtos oferecidos pela Chevrolet naquele momento. Vale lembrar que, nos anos 2000, a gama da marca no Brasil ainda era fortemente baseada em modelos de origem Opel, oferecendo o compacto Corsa, o médio Astra e o médio-grande Vectra. Em meio a esse conjunto de carros urbanos e familiares, o Tracker parecia um corpo estranho, mais caro e mais rústico do que o público da marca estava acostumado.
Modelo destoava de outros Chevrolet de origem Opel, como Astra
Na motorização, o SUV chegou equipado com um 2.0 turbodiesel produzido no Japão pela Mazda, que entregava modestos 87 cv de potência. O desempenho era fraco, a ponto de levar mais tempo para acelerar de 0 a 100 km/h do que alguns modelos 1.0 da época. Um ano depois, o motor Mazda foi substituído por um de origem Peugeot, o que deu novo fôlego ao Tracker.
A potência subiu em 21 cv, o que permitiu ao SUV alcançar números mais competitivos em aceleração e velocidade máxima. O tempo de 0 a 100 km/h caiu de intermináveis 21 segundos para 13, enquanto a velocidade máxima passou de pouco mais de 140 km/h para 163 km/h. Ainda assim, não era suficiente para colocá-lo como referência frente aos rivais.
Tracker tentava bater Pajero TR4, mas patinava no preço alto e volume escasso
Após um breve período fora do mercado brasileiro, motivado pela alta do dólar e pelas baixas vendas, o SUV retornou entre 2006 e 2007 com uma nova motorização a gasolina. Essa atualização o deixava melhor preparado para enfrentar concorrentes como o Mitsubishi Pajero TR4.
A mudança, entretanto, não foi suficiente para mudar a realidade do SUV. O Tracker continuava sendo uma presença rara nas ruas brasileiras. Os volumes que chegavam ao país eram baixos, as vendas sofriam frequentes oscilações e o modelo nunca conseguiu se firmar como uma opção de grande apelo comercial. O resultado foi o encerramento definitivo de sua trajetória no Brasil em 2009.
Chevrolet Tracker de segunda geração mudou de proposta e virou mais urbano
A partir daí, a parceria entre as GM e Suzuki esfriou cada vez mais, dando fim ainda ao Celta ''japonês'' na Argentina. Com o fim do primeiro Tracker, a Chevrolet só teria um novo SUV compacto com a chegada da segunda encarnação do modelo, em 2013, agora um modelo derivado do Sonic, e somente com tração 4x2. A atual geração, baseada no Onix, é oferecida desde 2020 e acaba de receber a primeira reestilização mais pesada para a linha 2026.
RECOMENDADO PARA VOCÊ
Suzuki S-Cross e Vitara saem de linha e marca terá híbridos no Brasil
Citroën tem C3 e Basalt partindo de R$ 65 mil em promoção para Uber e táxi
Os 10 SUVs e crossovers compactos com motores turbo no Brasil
Oficial: novas Fiat Toro e Ram Rampage crescerão e poderão ser híbridas
Novo Suzuki Vitara 2021 será lançado em outubro com sistema híbrido-leve
BMW M 1000 RR ganha edição limitada Isle of Man TT de 115 unidades
Novo Suzuki Vitara estreia no fim do ano para encarar HR-V e Creta